Juventude

RIO GRANDE DO NORTE

UEE RN: Que o dinheiro dos estudantes sirva para organizar a luta por testes massivos!

Hoje será realizada uma reunião da União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Norte para deliberar sobre a prorrogação da gestão atual da entidade, a partir da dificuldade de realizar um Congresso Estadual da UEE-RN em meio a pandemia do coronavírus, espaço onde é eleita a nova direção da entidade. Além disso, será discutido, dentre outras questões, a situação da falta de repasse de verbas da UEE às entidades estudantis de base, como DCEs e CAs, e ausência de transparência desses recursos.

segunda-feira 13 de abril| Edição do dia

A UEE-RN é a entidade estudantil estadual que representa e deveria organizar os estudantes de graduação de universidades públicas e particulares do RN. Foi refundada em 2018, com Yara Costa, pré-candidata a vereadora do PT e integrante do Coletivo Paratodos RN eleita como presidenta naquele momento. Agora a atual gestão está propondo que se estenda a por mais um ano, reavaliando a data do Congresso da UEE.

A situação do repasse às entidades mostra que a atual gestão da UEE não cumpre um compromisso básico para que as entidades sirvam de fato para organizar os estudantes do RN, que necessita de recursos. A UEE recebe todos os anos uma parte daqueles 25 reais pagos no passe estudantil (a outra parte vai para as empresas de transporte, o que em si é bastante questionável).

Nós da juventude Faísca acreditamos que esse debate não pode se limitar a um mero procedimento burocrático de quanto tempo mais deverá ficar a atual gestão, até porque não sabemos quando a contaminação do COVID-19 se estabilizará. Deve sim se pautar pela necessidade de que a UEE sirva de fato para que os estudantes sejam sujeitos de batalhar por medidas de emergência de combate à epidemia.

Mais do que nunca, se aprofunda a urgência da organização de um movimento estudantil combativo e independente de todos os governos e patrões, e as entidades tem um papel central nessa batalha. Bolsonaro, segue na sua linha negacionista e oferece uma defesa implacável dos lucros capitalistas com sua MP da Morte, insistindo na genocida campanha contra o isolamento social e apostando tudo na cloroquina, enquanto lambe as botas de Trump, negando que está fazendo pirataria de respiradores, testes, máscaras, etc.

Por outro lado, os governadores seguem administrando a catástrofe e fortalecendo o Ministro da Saúde Mandetta, que posa como responsável mas na verdade é o responsável pelo fim do Mais Médicos, dos programas de combate ao HIV e árduo defensor da privatização da saúde. Dória e Witzel, que aparecem como opositores de Bolsonaro, defendem a MP da Morte e não garantem sequer testes massivos a população.

Fátima Bezerra, Camilo Santana, Flávio Dino, governadores do PT e PCdoB sequer estão se enfrentando com Bolsonaro, em um silêncio cúmplice para conseguir renegociar suas dívidas com a União e algum aumento de repasse, enquanto apoiam o privatista Mandetta. Enquanto isso, frente ao relativo isolamento de Bolsonaro, Flávio Dino, governador do Maranhão pelo PCdoB, defendeu que Mourão deveria estar na presidência até 2022 ( o mesmo que disse que o golpe de 64 foi um “marco na democracia”) apoiando o maior protagonismo das Forças Armadas no regime, com o General Braga Netto ganha cada dia mais importância.

Fátima Bezerra não está garantindo nem que os EPIs cheguem nos hospitais, enquanto trabalhadores em grupo de risco seguem atendendo a população nessas condições. Além disso, amostras de pessoas que não grupo de risco já começam a ser descartadas no LACEN, pela falta de testes. Por sorte, 100 mil testes serão realizados pela UFRN, mas que já são insuficientes, muitas vezes sendo usados para saber do que estão morrendo as pessoas, e não para mapear o caminho da doença e ajudar no combate ao vírus.

Mostra que os verdadeiros heróis nesta crise sanitária, econômica e social que se aceleram, são os trabalhadores da saúde, da limpeza, dos supermercados, que estão sendo usados de bucha de canhão por parte dos governos, enquanto eles seguem salvando as empresas, os bancos, supostamente dizendo que estão defendendo os empregos. Mantém intocados os lucros capitalistas, que faz com que o conjunto desses governos, em especial Bolsonaro, se limitem a abrir nossas covas, ao invés de novos leitos, respiradores, etc.

Todos os dias conhecemos terríveis relatos sobre trabalhadores que dormem em terraças com medo de infectar suas avós, ou pessoas que receberam os resultados dos testes de coronavírus após o falecimento dos entes queridos. É indignante que os governos sigam administrando esta catástrofe sem ao menos garantir a testagem massiva para um isolamento social científico.

Enquanto isso, observando as postagens do Instagram da UEE, é notável que não há qualquer discussão sobre essa situação no estado. Mostra que essa entidade está cumprindo o papel de blindar o governo Fátima e dizer que ela está fazendo tudo o que pode, quando a própria Secretaria de Saúde anunciou que teremos 11 mil mortes até junho e um colapso no atendimento a população até o começo do próximo mês, e não há nenhum plano de emergência real para garantir recursos, tirando dos empresários, reorganizando a produção, para garantir os insumos, leitos e equipamentos necessários para travar uma guerra ao vírus. Até agora, a governadora sequer proibiu as demissões no estado.

As entidades deveriam se ocupar em pensar formas criativas que possam fazer com que os estudantes, mesmo nas suas casas, possam fazer difundir campanhas, por exemplo, por testagem massiva da população. Portanto, se a discussão é prorrogar o prazo da gestão da UEE, que seja com base num compromisso político de que a UEE vai garantir uma ampla campanha por testes massivos no país e no estado, debatendo as exigências concretas ao governo Fátima para garantir a produção desses testes no estado. O repasse e a transparência dos recursos da entidade é algo mínimo, mas urgente, para viabilizar os recursos para uma campanha desse tipo.

Frente ao Coronavírus, como a UEE-RN quer que no estado as entidades sejam ponto de apoio os estudantes serem sujeitos de pensar saídas para essa epidemia, mas também para a ameaça de corte de bolsas e de imposição de EAD em diversas instituições, se nem o repasse garantem?
Se valendo do que melhor que podem fazer nas redes sociais, as entidades dirigidas pela Oposição de Esquerda não deveriam se limitar a fazer campanha pelo “Fica em Casa”, porque objetivamente muitos estudantes estão sendo obrigados pelos patrões a irem trabalhar, como vimos nos telemarketings, nos caixas de supermercado, iFood, etc.

Convocamos o Juntos e outras juventudes do PSOL, assim como a UP e o PCB, que dirigem os DCEs da UFRN e UERN e alguns CAs, a se somarem a essa exigência a UEE para que organize as entidades por um plano de emergência, deveriam se somar a essa exigência, batalhando por um plano de emergência de combate ao coronavírus, começando por uma campanha de testes massivos para todos.




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