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UBA: Filosofia e Letras contra o golpe no Brasil

Na tarde de terça-feira ocorreu o Conselho, onde foi aprovado por unanimidade o rechaço ao golpe institucional em curso no Brasil.

quinta-feira 28 de abril de 2016| Edição do dia

Com proposta da Juventude do PTS/FIT, maioria estudantil no Conselho, a Faculdade de Filosofia e Letras da UBA (Universidad de Buenos Aires) se pronunciou contrária ao processo de impeachment que a oposição de direita brasileira vem levando adiante, que já obteve aprovação na câmara dos deputados e que tem como finalidade aprofundar os ajustes às condições de vida dos trabalhadores e setores populares, que já vinham sendo implementados pelo PT.

Além disso, é preciso levar em conta que esse golpe institucional reacionário contra o povo trabalhador brasileiro responde a uma tentativa de avanço da direita no país. Se aprovado no Senado, necessariamente trará consequências para os trabalhadores e jovens argentinos que também estão enfrentando os ajustes do governo direitista de Macri. Por isso, na declaração, o Conselho também se pronunciou em solidariedade aos trabalhadores e à juventude que estão enfrentando o golpe, o ajuste e os ataques no país vizinho.

Diferente do debate no Conselho da Faculdade de Ciências Sociais, onde a minoria estudantil da Juventude do PTS/FIT apresentou o mesmo projeto de posicionamento, mas esse foi rejeitado pelos outros membros de todas as cadeiras por “fazer um balanço do governo Dilma”. No fim, votou-se uma declaração que rechaça o golpe em curso, sem mencionar a grave situação econômica, política e social que estão passando os trabalhadores e o povo brasileiro, levando, assim, mais força à expressão de solidariedade que significam esses tipos de pronunciamentos.

A seguir, reproduzimos a declaração aprovada unanimemente na Faculdade de Filosofia e Letras:

VISTO
A aprovação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados do Brasil contra a Presidenta Dilma Rousseff

CONSIDERANDO
O processo de impeachment conduzido pela oposição e apoiado por grandes corporações empresariais como a FIESP e a grande mídia, é um golpe institucional que tem por finalidade aplicar um ataque sobre as condições de vida dos trabalhadores e do povo brasileiro ainda maiores do que aplicou o PT nos últimos meses.

O processo de impeachment no Brasil é parte de uma ofensiva da direita a nível nacional utilizando dispositivos judiciais e midiáticos.

O pedido de impeachment alega um “crime de responsabilidade administrativa” de Dilma por autorizar gastos públicos não previstos no orçamento aprovado pelo Congresso, comportamento que justificaria a destituição de quase todos os governos federais, estaduais e municipais do país nos últimos dois anos.

Entre as bases mais reacionárias da votação foi possível ouvir alguns deputados do PMDB, que há alguns meses eram parte da coalizão do governo do PT, bem como deputados como Jair Bolsonaro, do Partido Social Cristão, que dedicou seu voto positivo ao impeachment aos militares da ditadura de ’64 e, em particular, ao torturador de Rousseff, Carlos Alberto Brilhante Ustra, primeiro militar a ser condenado por crimes contra a humanidade.

Os atos de corrupção, tanto no governo do PT, como na oposição, são intrínsecos ao regime político do Brasil em que as principais figuras públicas dos partidos tradicionais estão envolvidas em transações fraudulentas com dinheiro público, como mostram os diversos pedidos de investigação que pesam sobre Eduardo Cunha, um dos promotores do impeachment.

Esse processo de golpe institucional acontece em um momento em que a economia brasileira atravessa catorze meses seguidos de queda, sendo essa a crise mais grave desde 1929.

Março foi o décimo segundo mês consecutivo de demissões no Brasil, segundo o Ministério do Trabalho, chegando a 1,8 milhão de postos de trabalho perdidos nos últimos dois meses.

Se o golpe institucional se concretiza, já se avalia que o próximo gabinete do governo de Michel Temer será composto por banqueiros e empresários, o que mostra a orientação política e econômica de novos ajustes a que se propõe esse processo.

O Conselho da Faculdade de Filosofia e Letras DECLARA:

Art. 1. - Rejeitar o processo de impeachment que é um golpe institucional em curso no Brasil.

Art. 2. - Expressar solidariedade aos trabalhadores e jovens que enfrentam esse golpe, assim como o ajuste e os ataques a suas condições de vida que estão sendo implementados há meses e que tendem a se aprofundarem.




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