Sociedade

ESCALADA VERBAL

Trump volta a ameaçar a Coréia do Norte: “a solução militar está pronta”

Trump voltou a ameaçar a Coréia do Norte nesta sexta-feira e disse que uma solução militar já está “pronta e carregada”. Pyongyang publicou na quinta-feira um plano para atacar Guam.

Juan Andrés Gallardo

Buenos Aires | @juanagallardo1

sexta-feira 11 de agosto| Edição do dia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom das escaladas verbais que mantém com a Coréia do Norte. Nesta sexta-feira publicou em sua conta do Twitter que o armamento norte americano está “pronto e carregado”.

“As soluções militares estão agora totalmente colocadas, carregadas e prontas, assim que a Coréia do Norte deveria atuar com sabedoria. Que Kim Jong Un encontre outro caminho!”

Nesta sexta-feira, Trump disse que se o líder norte-coreano ordenar um ataque contra a ilha norte-americana de Guam, no Pacífico Ocidental, se enfrentará com uma resposta que “ninguém viu antes na Coréia do Norte”. Declarou depois que Pyongyang assegurou que prepara um plano para disparar, em meados de agosto, dois misseis de médio alcance próximos ao território maritmo de Guam, sede de uma estratégica base naval americana.

Veja também: Coréia do Norte apresentou seu plano para atacar a base dos Estados Unidos em Guam

“Veremos o que fazem com Guam. Se fazem algo em Guam, (desencadeará) um evento que ninguém nunca antes viu na Coréia do Norte. Eles verão (…). Não podem sair por aí ameaçando Guam, Eua, Japão ou Coréia do Sul”, disse Trump na sexta-feira.

Após estas declarações, Trump elevou o tom com o Tweet desta manhã pelo qual assegurou que as opções militares já estão prontas e carregadas.

Contrapeso interno

A retórica de guerra de Trump não é acompanhada por grande parte do establishment americano, sequer dentro de seu gabinete, que após cada uma de suas explosões tratá de por panos quentes.

Assim como fez o Secretário de Estado Rex Tillerson no começo da semana, quando após a primeira ameaça de Trump saiu dizendo que a linguagem dura utilizada por seu chefe era só para colocar uma retórica que fosse compreendida por Kim Jong-Un.

Nesta quinta-feira foi a vez do Ministro da Defesa, James Mattis. Após as novas declarações de Trump, Mattis advertiu nesta sexta-feira que uma guerra com a Coréia do Norte seria “catastrófica”. Na contra-mão da verba militar o ministro de Defesa afirmou que, ainda que sua responsabilidade seja ter as opções militares preparadas “caso sejam necessárias”, o esforço americano é conduzido pela diplomacia, por uma tradição diplomática que está conseguindo resultados e disse “eu quero permanecer assim”.

Ainda que suas afirmações sejam guiadas mais por uma expressão de desejo que pela eficácia real de negociações diplomáticas, a referência de Mattis é um contrapeso à belicosa linguagem de Trump.

Queda das bolsas

A preocupação que expressam Mattis e Tillerson é a mesma que sentiram hoje as bolsas do mundo, que caíram uma após a outra depois do anúncio de Trump.

As bolsas da Ásia abriram com quedas e muitos investidores disseram estar procurando “ativos mais seguros” como o yen ou o franco suiço.

O índice MSCI de ações asiáticas fora do Japão caiu 1,55 por cento, sua maior perda em um mesmo dia desde meados de dezembro. Um cenário similar foi visto nas bolsas europeias.

O dólar por sua vez caiu frente ao euro e o yen.

Raiva chinesa

Em meio à escalada verbal com a Coréia do Norte, os Estados Unidos lançaram uma provocação contra a China quando nesta quinta-feira um de seus “Destroyers” entrou na faixa de 12 milhas náuticas que circunda uma ilha artificial construída por Pequim no mar da China Meridional.

O governo Chinês não tardou em responder com um “protesto enérgico”. O portavoz do Ministério de Assuntos Exteriores Chinês Geng Shuang, assinalou em um comunicado que “A ação mina a soberania e a segurança da China e põe em grave perigo os dois países”.

Está claro que, em meio às tensões entre EUA e Coréia da Norte, a incursão do Destroyer americano em águas chinesas é uma provocação absoluta, que está alinhada com a exigência de Trump para a China de que “cotenha” (se faça responsável) seu vizinho da Coréia do Norte.

Os Estados Unidos haviam declarado dias atrás que “não confiavam na sinceridade Chinesa” sobre a Coréia do Norte. O objetivo de Trump é arrastar a China para seu lado (ou no mínimo em uma posição neutra), ante um hipotético ataque (nuclear?) a escassos metros de sua fronteira. Mas, como se viu até agora, quase nenhum dos “desejos” da administração Trump foram cumpridos. Pelo contrário, seu breve governo veio sendo uma somatória de fracassos. De antemão nada indica que com a China vai ser diferente.




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