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ELEIÇÕES EUA 2016

Trump e o discurso de ódio se consolidaram na Carolina do Sul

Com 32,5% dos votos, Donald Trump ganhou as primárias do partido republicano em um dos estados mais conservadores do gigante do norte. Jeb Bush, com 7,8% dos votos, decidiu retirar-se.

quinta-feira 25 de fevereiro de 2016| Edição do dia

Este triunfo de Trump – em um estado com grandes tensões raciais, como se expressou no assassinato de paroquianos negros em uma igreja de Charleston – soma-se a sal vitória em New Hampshire.

O magnata da indústria imobiliárias e dos reality shows transformado em pré-candidato presidencial foi classificado como a principal figura dos republicanos no longo processo eleitoral.

Como parte dos forasteiros e rebelde frente a cúpula republicana, brutal posicionamento de Trump frente a questão imigrante impulsionou a direitização de todos os discursos da campanha deste partido.

Lembremos que Trump veio à tona com as ofensivas declarações contra os imigrantes sem documentos, em particular insultando aos mexicanos. E isso quando vários de seus empreendimentos hoteleiros e imobiliários tem se aproveitado do baixo custo da mão de obra sem documentos.

No discuros após conhecer os resultados de Carolina do Sul, o milionário líder da xenofobia estadunidense reiterou alegremente que construirá um muro ao longo de toda a fronteira com o México, e que o Tesouro mexicano irá pagar. Também reivindicou o direito a posse de armas, incluído na Constituição estadunidense.

Ele tem base social e porta-vozes, como a jornalista de direita Ann Coulter, que no ano passado afirmou, durante uma visita do magnata por Iowa, “Eu amo a ideia do Trump de um grande muro. Eu queria tomar dois drinques pelo menos, e fazer dele uma grande atração mundial com um show diário, ao vivo, quando alguém tentar cruzar a fronteira”.

Segundo analistas, Trump personifica a estratégia do medo. Demonizar os imigrantes para que o capital privado possa explorá-los mais e melhor. Mais terror da prisão e da deportação, maior pressão para aceitar condições de extrema precarização. Mas o que não suspeitam os trabalhadores anglo-saxões brancos que votam em Trump é que os golpes contra os setores mais oprimidos – a comunidade latina, a comunidade negra – se voltarão inclusive contra eles mesmos. Que a precarização dos imigrantes golpeará seus próprios salários, seus benefícios. Que a política de Trump levará a uma competição brutal para conseguir um trabalho e mantê-lo entre as e os trabalhadores. Sobretudo se a economia dos EUA se contrai.

O discurso anti-imigrante tem também uma consequência a curto prazo: acelera o passo dos excelentes negócios da indústria de controle da migração: empresas de segurança e defesa da fronteira, centros privados de detenção, provedores de fianças e vendedores de green card, advogados de imigração e empresas aéreas de fretamento que deportam os sem documentos. Uma indústria lançada em grande parte por Barack Obama, do partido democrata.

Trump não está sozinho. A Ku Klux Klan, grupo de supremacistas brancos ligado aos linchamentos de mexicanos e negros desde o fim da Guerra de Secessão estadunidense (1866), declarou seu apoio à pré-candidatura de Trump. Dentre seus membros, destaca-se Grand Duke, ex-legislador de Lousiana. Ainda que Trump não tenha se expressado sobre esse apoio, o certo é que o nacionalismo branco parece levantar a cabeça graças ao magnata do discurso de ódio.

Diz-se que Carolina do Sul antecipa o coto dos estados do sul. Em particular sete dos doze estados cujas primárias são parte do processo, que começará na terça-feira, em 1º de março.

Afirmam distintos meios que o pré-candidato republicano que ganhou em New Hampshire e na Carolina do Sul em geral termina sendo eleito como candidato por esse partido.

Em Nevada, um estado com grande peso do eleitorado latino (26% da população hispânica), Trump acenou com fúria sua bandeira anti-imigrante, da mão de Joe Arpaio, o xerife que encabeça a cruzada contra os latinos. As pesquisas de 23 de fevereiro mostravam Trump como vencedor da partido republicano.

Trump avança para converter-se no candidato favorito dos setores mais conservadores dos Estados Unidos. Mas não é o favorito dos líderes do partido republicano, que apostam em fortalecer Marco Rubio.




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