ESTADOS UNIDOS

Trump é derrotado no Senado ao tentar anular o Obamacare

O Senado dos Estados Unidos acaba de aplicar uma derrota à reforma da saúde de Donald Trump. Três republicanos votaram junto aos democratas fazendo o projeto naufragar.

sexta-feira 28 de julho| Edição do dia

O Senado dos EUA rechaçou nessa sexta-feira uma proposta de lei para desmontar parcialmente o Obamacare (a reforma de saúde de Barack Obama), com o voto crucial de três republicanos, entre eles John McCain. A proposta era considerada quase que a última alternativa do presidente Donald Trump para cumprir essa promessa de campanha.

O rechaço de 51 votos contrários e 49 a favor da nomeada “skinny bill” ou “lei magra” porque defendia um desmantelamento parcial do Obacare é um golpe duro para Trump e coloca muitas dúvidas sobre se os republicanos serão capazes, em algum momento, de aprovar a nova lei da saúde no Congresso, onde possuem maioria nas duas câmaras.

O republicano John McCain surpreendeu ao se unir às senadoras republicanas, Susan Collins e Lisa Murkowski, e a todos os democratas para derrubar a proposta.
O senador do Arizona e ex candidato à presidência voltou à Washington na última terça-feira após uma operação e o diagnóstico de câncer, para votar a favor de abrir no Senado o debate sobre o Obamacare e urgiu então, em um discurso muito aplaudido, a recuperar o espírito bipartidário em temas de interesse nacional.

O vice presidente dos EUA, Mike Pende, se havia locomovido ao Capitólio para intervir em caso de empate e votar a favor da “lei magra” na sua qualidade de presidente do Senado.

E horas antes da votação, que começou um pouco depois da 1 da madrugada da sexta-feira, Trump havia animado os republicanos no Twitter para colocar para frente o projeto depois de “7 anos de espera”.

Após o fracasso, o mandatário acusou por meio de um tweet os 3 republicanos e 48 democratas que votaram contra de “enganarem” os estadunidenses e retomou a ideia de deixar que o Obamacare “colapse” para depois trabalhar em uma lei melhor.

A eliminação e substituição do Obamacare se transformou em uma das principais promessas da campanha eleitoral de Trump. O líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnell, admitiu hoje sua decepção e disse que o momento é de “seguir em frente”.

Não está claro se McConnell tentará submeter alguma outra proposta à votação antes do recesso de verão do Senado, já que, antes do rechaço de hoje, já tinham fracassado outros dois projetos desde que se abriu o debate na terça-feira na Câmara Alta.

Esta “lei magra” propunha terminar com a obrigatoriedade de contar com um seguro médico e o risco de enfrentar uma multa se não o possuir, uma das cláusulas mais importantes da reforma da saúde de Obama.

Ademais, planejava deixar a organização para os direitos produtivos “Planned Parenthood” sem fundos federais.

Segundo os cálculos do Escritório não partidário do Orçamento do Congresso (CBO, em inglês) havia previsto por outro lado que 16 milhões de pessoas ficarão sem seguro de saúde durante a próxima década.

Com os democratas opostos em bloco, vários senadores republicanos também haviam demonstrado objeções à “lei magra”, mas pareciam estar dispostos a votar a favor para abrir depois uma rodada de negociações com a Câmara dos Representantes, que aprovou sua própria proposta de saúde no último maio.

O presidente da Câmara de Representantes, o republicano Paul Ryan, havia expressado em um comunicado a vontade de negociar com o Senado para produzir uma lei que pudesse ser assinada por Trump.

O resultado da votação mostra a complexidade dos interesses que estão por trás do sistema de saúde estadunidense com lucros milionários dos quais não estão dispostos a abrir mão.

Esta derrota de Trump chego em meio aos escândalos que continuam pelas suas relações com a Rússia durante a campanha eleitoral do ano passado.




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