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Trump anunciou um novo plano de migração baseado na meritocracia

Depois de trata-los como narcotraficantes e assassinos, e de haver expulso e separado famílias na fronteira, Trump anunciou nesta quinta-feira um novo plano para permitir a migração na base de um critério meritocrático.

sexta-feira 17 de maio| Edição do dia

Trump pediu nesta quinta-feira para mudar o sistema de asilo nos EUA, para admitir somente pedidos “legítimos”, e propôs um sistema de pontos para conceder mais permissões de residência em base ao “mérito” profissional e menos por laços familiares dos imigrantes.

Por meio de um plano que se parece a um capítulo da série de tv Black Mirror, Trump apresenta um projeto absolutamente racista e xenófobo para o que seria uma espécie de migração por “demanda”, segundo as necessidades da economia estadunidense. Os solicitantes de residência serão qualificados com pontos de acordo com sua idade, educação, profissão, empregos etc.

Longe da ideia de um futuro melhor, pelo que milhares de pessoas arriscam a vida viajando desde a América Central, cruzando o México tentando chegar aos Estados Unidos, Trump tem transformado a vida dos imigrantes num calvário. Esses que tem sido tratados como assassinos e narcotraficantes pelo presidente estadunidense, hoje buscam um caminho desesperado que pode terminar na separação da família, a prisão ou a deportação, quando não diretamente na morte ou vítima de uma rede de tráfico de pessoas.

Essa violência contra os imigrantes é alentada desde o próprio discurso do governo que inflama o ódio contra as minorias e dá poder absoluto aos grupos paramilitares que atuam em conivência com a patrulha fronteiriça, denunciada por todo tipo de humilhação e inclusive mortes de menores que estavam sob sua custódia. O último desses casos foi divulgado nesta mesma quinta-feira, e era um menor de somente dois anos.

Trump apresentou um novo plano baseado na meritocracia, que inclui a intenção de modificar o sistema pelo qual solicitam asilo aqueles sem documentos que chegam à fronteira dos Estados Unidos com o México.

Tratando a migração como se fosse um jogo, Trump disse que “os solicitantes legítimos de asilo estão perdendo o lugar para aqueles que apresentam reclamações frívolas para serem admitidos em nosso país”, e agregou que “se tem uma reclamação de asilo em condições, será admitido rapidamente. Se não tem, será rapidamente devolvido à sua casa”.

Trump não detalhou como implementará esse plano, que chega depois de vários meses de tentativas da Casa Branca de limitar a capacidade dos imigrantes solicitarem asilo nos EUA, como o programa que os faziam esperar no México enquanto de resolviam suas petições de refúgio no solo estadunidense.

O plano favoreceria a imigração legal por razões relacionadas com a especialização profissional ou o nível educativo dos imigrantes, e não tanto por razões familiares ou humanitárias.

Trump também anunciou uma mudança de nome ostentosa para acompanhar esta iniciativa: “ Mudaremos as categorias existentes de cartões verdes (“green card”, permissões de residência permanente) com um novo visto, o Visto de Construir os Estados Unidos".

“Daremos mais pontos por ser um trabalhador jovem, ter conhecimento valioso e uma oferta de emprego e uma educação avançada, ou plano para criar empregos nos Estados Unidos, além de converter o nível do inglês e o “civismo” em dois requisitos indispensáveis", disse Trump.

O plano pretende aumentar de 12% atualmente, para 57% a proporção de imigrantes que obtém a residência permanente devido a seu talento, seus estudos ou seu trabalho, enquanto se rebaixa de 66% a 33% a de quem consegue esse status por laços familiares. Também busca reduzir de 22% atualmente a 10% o volume de pessoas que obtém o “cartão verde” por razões humanitárias ou de promoção da diversidade.

Trump, que viu travadas suas iniciativas mais brutais sobre a imigração, como o muro fronteiriço, a proibição dos viajantes de países muçulmanos, e a separação de famílias, lança este novo projeto como uma forma de chegar a sua base eleitoral.

Por isso, como parte desse projeto pretende acelerar a construção do muro na fronteira com o México, a aumentar as taxas coletadas pelo comércio ou a imigração na fronteira para criar um “fundo” destinado à infraestrutura fronteiriça.

Os imigrantes que há anos vêm sofrendo perseguições, deportados aos milhões sob o governo de Obama, enfrentam agora uma possível nova normativa baseada na seleção abertamente xenófoba, que não pode mais que aumentar o ódio racista às minorias no interior dos Estados Unidos.




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