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Trump afirma ser perda de tempo discussão sobre Amazônia e falta em reunião do G7

G7 se reúne para discutir queimadas na Amazônia mantendo na agenda do dia a melhor forma de aprovarem o acordo Mercosul-UE para garantir seus lucros. Pra além de toda a demagogia do imperialismo europeu, Donald Trump falta na sessão e diz que debater Amazônia é perda de tempo.

terça-feira 27 de agosto| Edição do dia

Após os incêndios na Amazônia terem tomado proporções internacionais, o G7 se reuniu para supostamente “defender” a floresta e oferecer as migalhas que restarão do acordo União Europeia x Mercosul para reaver o estrago causado. O acordo Mercosul-UE está muito longe de ser a solução ao caos econômico que atravessa o país como propagandeia Bolsonaro.

Na prática, o acordo beneficia infinitamente mais os países imperialistas, que entraram com suas multinacionais, e sob uma série de ataques implementados por Bolsonaro, como a reforma previdenciária e a nova reforma trabalhista, irão explorar violentamente os brasileiros para em nome de seus lucros.

Com baixos salários e sem direitos, o acordo Mercosul-UE abre ainda mais as portas para a espoliação imperialista no Brasil, aprofundando a subordinação da América Latina à União Europei, bem como sua semicolonização, desindustrialização e maior dependência do imperialismo

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Assim, ao mesmo tempo em que firmam um pacto de maior submissão da América Latina ao mercado europeu, buscam aparecer como um “imperialismo verde” ao mundo com uma falsa preocupação com o avanço da devastação ambiental.

É emblemático que Trump tenha sido a figura mais sincera entre todos os diplomatas dos países imperialistas: além de faltar na sessão que debateu os incêndios na Amazônia, o presidente dos Estados Unidos também afirmou que o foco deve ser o debate econômico.

“Ele não estava interessado nas partes da cúpula que tratariam de clima, pois considerava uma perda de tempo em comparação com a discussão sobre economia” declararam seus assessores segundo a CNN.

Não é surpreendente que os EUA não se importam com o meio ambiente e com os povos originários, uma vez que seu governo é fundando nas bases da negação das mudanças climáticas, afrouxando leis de proteção ao meio ambiente, como por exemplo, o controle de emissão de gases causadores do efeito estufa.

Mesmo com menos usinas de carvão nos EUA, a emissão de gases poluentes no governo Trump aumentou radicalmente em 2018 comparado à anos anteriores, crescendo 3,8% e alcançando a maior elevação em 8 anos. É evidente que o único objetivo aos olhos dos países imperialistas é a garantia de lucro de seus bancos e empresas, que com sua ganância predatória, destrói os recursos naturais e o meio ambiente a passos largos.

Para o G7, não seria diferente: além da imensa demagogia com a “ajuda”, também nota-se um brutal cinismo e hipocrisia. Atualmente, o G7 é formado pelas maiores potências imperialistas do mundo, como Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

É importante ressaltar que diversas empresas europeias, de países supostamente “ecológicos” como França, Alemanha e Noruega lucram a partir da espoliação dos recursos naturais de outros países, como o Brasil, e tem como importante fonte de lucro a própria Amazônia.

Assim, são os setores empresariais destes mesmos países que se reúnem para “defender a Amazônia” que também são os grandes financiadores do agronegócio, por meio de diversas empresas produtoras de máquinas e sementes para o cultivo nas regiões desmatadas, como Cargill, ADM, Dreyfuss, Bungee, BayerCropScience que adquiriu a Monsanto recentemente e a norueguesa Yara.

Inclusive são elas as maiores produtoras e fornecedoras de agrotóxicos, que agora até mesmo os mais tóxicos são amplamente liberados por Bolsonaro. O agronegócio, uma das principais bases do governo Bolsonaro, lucra com o aprofundamento da devastação ambiental, bem como com políticas como a liberação de agrotóxicos, ataques contra populações indígenas e demarcações de terras, contra movimentos sociais que lutam pelo direito à terra e moradia e o afrouxamento das leis de proteção ao meio ambiente. Da mesma forma, dezenas de multinacionais imperialistas avançam no país para espoliar ainda mais o Brasil.

Veja também: ESCÂNDALO: Reportagem revela organização das queimadas na Amazônia

Por isso, não podemos acreditar no falso discurso de “defesa do meio ambiente” dos líderes das grandes potências imperialistas, que na realidade buscam estarem mais bem posicionados no tabuleiro do agronegócio na América Latina. Assim, ao lado de Bolsonaro, avançaram no projeto de transformar o Brasil na “fazenda do mundo”, destruindo universidades e pesquisa tecnológica, arrancando direitos trabalhistas e previdenciários e fomentando ainda mais o agronegócio.

Como resposta a isso, devemos nos organizar com uma saída real à miséria imposta aos trabalhadores e à juventude, bem como à destruição ambiental que avança mundialmente. Em diversas partes do mundo os jovens protagonizam inúmeras manifestações contra as mudanças climáticas fruto da devastação ambiental, como as "sextas-feiras pelo futuro na Europa". No Brasil também são os jovens a linha de frente dos questionamentos às políticas devastadoras de Bolsonaro. Assim, devemos nos organizar por um programa e uma estratégia anticapitalista ao lado da classe trabalhadora para que essa jovem geração possa lutar pelo seu futuro, colocando a força e a potencialidade dessa aliança contra a perspectiva de miséria que os capitalistas querem nos impor.

Veja também: Por uma saída revolucionária e anticapitalista diante da crise ambiental na Amazônia




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