Internacional

Trump, Peña Nieto e o muro

quinta-feira 12 de janeiro de 2017| Edição do dia

Donald Trump, em sua primeira conferência de imprensa como presidente eleito, destacou a construção do muro que será pago pelo México. Peña Nieto responde que não pagará, mais anuncia mais segurança na fronteira.

O magnata que governará os Estados Unidos afirmou na conferência a empresa que "Respeito o governo e amo o povo Mexicano (...) o governo do México é excelente, não os culpo pelo que está acontecendo. Não o culpo por se aproveitar de nós. O México se aproveitou dos Estados Unidos" e " Eu vou a começar já. Começaremos a construir o muro e México vai pagar". Isso, provavelmente a partir de um incentivo fiscal

Assim, o presidente eleito Donald Trump humilha aos mexicanos novamente, um aceno para seus eleitores, trabalhadores, assim como pequenos e médios empresários prejudicados pela globalização. Chegou a afirmar que México " tirou proveito dos Estados Unidos" e que por isso conseguiu as empresas estadunidenses estivessem no país.

O que não diz é que os baixos salários que há no México, junto com incentivo fiscal e outro benefícios que recebem por parte do governo ( como a doação de terrenos) os fatores que alteraram os investimentos estrangeiros ao sul do rio Bravo.

Tampouco dizem que a superexploração dos migrantes mexicanos- que também percebem os salários mais baixos nos EUA.e altos níveis de precarização do trabalho - beneficiou claramente aos empresários norteamericanos. Não só a quem os empregaram de forma direta. Mais ao conjunto da classe empresarial, que se valeu das condições vulneráveis dos imigrantes ilegais para pressionar a baixa dos salários e das condições de trabalho do conjunto da classe trabalhadora multi-etnica norteamericana.

Menos ainda menciona Trump sobre os milionários benefícios que obteve e obterá as transnacionais -incluindo as estadunidenses- com a aplicação das reformas estruturais no México, começando começando pela laboral que legalizou a subcontratação, reforma educativa e energética.

E é em particular a reforma energética- desenhada pela equipe de Hilarry clinton quando era secretária de Estado - a que levou ao leilão dos campos petrolíferos e o esvaziamento de Pemex ( com dezenas de milhares de despedidos) que converteu o México, um país petroleiro, em importador de combustíveis. O caminho que levou ao atual gosolinaço, que já provocou aumento dos preços, não só das tarifas elétricas, como também de produtos da cesta básica.

A resposta de Peña Nieto

O presidente Peña Nieto - no mais baixo índice de popularidade de seu mandato (menos de 25%) - respondeu frente a ofensiva de Trump que o México não pagará pela construção do muro na fronteira com o EUA e detalhou que serão investidos em modernização e aumento a segurança nessa área. o anuncio foi feito em reunião com embaixadores e cônsules.

Também afirmou que México aumentará o investimento em infraestrutura e tecnologia para modernizar e fortalecer a segurança na fronteira com Estados Unidos, com o objetivo de reduzir o tempo para cruzar a fronteira e dar facilidades assim ao comércio bilateral. Mas ainda que na era Obama, quando posicionou o país como estado tampão frente a onda migratória que chegou da América central.

Por sua vez, Peña Nieto pediu para permitir o livre fluxo das quantias que enviam os migrantes a suas famílias Mexicanas. Cabe destacar que em 2016, até novembro, México recebeu 2,362.905.082 milhões de dolares vindo dos EUA.

Ao fim de seu discurso, o presidente demandou aos Estados Unidos um trabalho conjunto para deter " o trafico de armas e dinheiro de procedência ilícita desde os Estados Unidos ao México". Como se os dois países que deixaram correr solta a venda de armas que tanto benefício resultou a industria armamentista estadunidense, e também permitiram historicamente o tráfico de drogas.

Há poucos dias, golpeado pelo descontentamento expresso nos numeroso atos de rua que percorrem o país contra ao gasolinaço, e também pela depreciação da moeda e do crescimento econômico, Peña Nieto apostou na nomeação de seu amigo luis Videgaray - gestor da visita de Trump - para negociar com a nova administração estadunidense.

Esta nomeação também provocou repudio, não só porque Videgaray esteve envolvido em escândalos de corrupção- como o de sua mansão em Malinalco, Estado de México- como também porque o novíssimo secretário de Relaciones Exteriores declarou "vim para aprender".

A realidade é que enquanto Peña Nieto respondeu de uma maneira considerada menos defensiva pela imprensa internacional, aposta na negociação com o magnata a partir de uma boa relação que mantém Videgaray com Jared Kusher, filho de Trump, recentemente nomeado conselheiro do novo presidente norte americano.

Peña Nieto - quem impulsionou reforma estruturais em benefício das transnacionais e duplicou a dívida externa do México - não vai frear as deportações nem o fechamento de empresas e translado aos Estados Unidos que são parte do programa de governo de Donald Trump. Disse que querem manter os investimentos estrangeiros no país: mais sempre o fará em benefício do grande capital e em detrimento das condições de vida da maioria.

Contra Peña e contra Trump

A via para frear o terremoto Trump é a luta unida da classe trabalhadora e dos setores populares de um e do outro lado da fronteira , com seus métodos como paralisação e greves.

No México, contra o "gasolinazo", as reformas estruturais, o muro e as deportações. Com nacionalizações sobre controle dos trabalhadores de toda fabrica que feche ou despeça. incluindo a renacionalização das áreas privatizadas de Pemex e os Campos petrolíferos.

Nos Estados Unidos, lutando por plenos direitos sindicais, políticos e laborais para a classe trabalhadora imigrante, assim como para o conjunto da classe trabalhadora multietnica que vive ao norte do rio Bravo. Também enfrentando nas ruas o racismo e o machismo de Trump e todos os ataques que prepara a nova administração contra direitos democráticos, como o direito ao aborto.

Nesta perspectiva é que levaram a cabo uma mobilização anti Trump e anti Peña no próximo dia 20 de janeiro as 16 horas, desde a embaixada dos Estados Unidos na Cidade do México, simultaneamente com manifestações que se realizarão nos Estados Unidos para repudiar a posse do governo do magnata republicano.




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