Política

"TROPEÇO" DO GOLPISTA

“Tropeço na democracia” é o que significou o golpe para Lewandowski

Ministro do STF que presidiu a fase final do impeachment disse para seus alunos da faculdade de direito da USP que processo foi um “tropeço na democracia” que se repete na história brasileira.

Flávia Telles

Coordenadora do CACH - Unicamp

quinta-feira 29 de setembro| Edição do dia

Nessa quarta-feira, 28, o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski que presidiu a última fase do processo de impeachment, classificou o golpe como um “tropeço na democracia”, segundo ele fruto do presidencialismo de coalizão e encerrou novamente um ciclo que se repete há cada 25 ou 30 anos em que há vacilos na democracia.

Lewandovski apesar de aparentar questionar o golpe, usa suas palavras como se não tivesse feito parte do processo e tenta limpar a barra do judiciário que foi um dos grandes orquestradores do golpe institucional. Não podemos esquecer o papel que cumpriu o judiciário, passando de árbitro a agente do golpe, colocando a lava-jato como imparcial, mas julgando e condenando com bastante parcialidade, utilizando de métodos ilegais e deixando diversos partidos da ordem livres de qualquer ameaça. Tentam agora se afastar das figuras dos golpistas para assim concluir de vez o processo do golpe, aparentando legitimidade e imparcialidade.

Mas o que Lewandovski não diz é que não houve apenas “tropeços” no processo que culminou no golpe institucional, houve ilegitimidade, e o golpe se consumou tendo a burguesia como sujeita, para que no momento de crise capitalista siga lucrando com a vida dos trabalhadores e consiga aprofundar ainda mais as reformas trabalhistas, na educação, na previdência, os ajustes fiscais e cortes nos direitos básicos da população. O golpe não é um detalhe na nossa democracia, é um marco de um processo que se abre de duros ataques à vida dos trabalhadores e da juventude como já podemos ver nesses poucos dias de governo golpista.




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