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Tropas dos Estados Unidos chegam à Colômbia como parte do intervencionismo na região

Embora a presença de tropas militares estadunidenses na Colômbia não seja surpreendente, o envio de um contingente da Brigada de Assistência às Forças de Segurança (SFAB) causou alvoroço não apenas no país andino, mas em outros países da região. Se trata de militares integrantes de um grupo de elite do Comando Sul dos Estados Unidos. Chega de bases e tropas militares dos EUA na Colômbia e na América Latina !

segunda-feira 8 de junho| Edição do dia

Cinquenta militares americanos partiram da base militar de Fort Benning, na Geórgia, e em segredo chegaram nesta segunda-feira a Bogotá. As tropas gringas fazem parte da Missão SFAB e se estabeleceram diretamente na embaixada dos Estados Unidos e depois foram enviadas para diferentes quartéis no território colombiano.

O surpreendente é que foi a Embaixada dos Estados Unidos em Bogotá que anunciou a chegada dos militares no país e somente depois que a imprensa, as redes sociais e os protestos de vários legisladores se espalharam, é que o governo Duque emitiu oficialmente um comunicado, e com o correr do tempo fez uma declaração conjunta com os representantes estadunidenses para o país.

Mesmo diante dos protestos do Congresso, o governo argumentou que "não se trata do trânsito de tropas" e que a unidade de elite "não participará de operações no território", e que além disso, a presença das tropas faz parte dos acordos de cooperação assinados décadas atrás entre a Colômbia e os Estados Unidos. O eufemismo de que não se trata de "trânsito de tropas", para evitar a aprovação do Congresso, cai por si só e para justificar a presença da Brigada Especial Militar dos EUA. O questionamento do presidente do Congresso não significa que ele se oponha à presença de tropas gringas, ele apenas se preocupa com as formas e questões dos procedimentos burocráticos que não foram cumpridos.

A presença militar dos Estados Unidos na Colômbia é constante e não é estranha; embora, ultimamente eles tentam mantê-la discreta, sem muita agitação.
Em janeiro, na base militar de Tolemaida, onde é comum até mesmo ver instrutores americanos, foi realizado um treinamento conjunto de 150 soldados das forças especiais colombianas e a famosa 82ª Divisão do Comando Sul dos EUA, além de todos os movimentos e operações secretas.

De acordo com as informações fornecidas pelo governo de Duque, as tropas da SFAB estarão dentro das unidades militares para "aconselhar" o pessoal das forças-tarefa conjuntas Hércules (Nariño), Vulcano (Norte de Santander), Omega (Meta) e de Brigada de Tráfico de Drogas, no âmbito de uma suposta iniciativa que será desenvolvida em cinco regiões do país, as chamadas zonas do futuro: o Pacífico de Nariño; Catatumbo, fronteira com a Venezuela; Baixo Cauca e sul de Córdoba, Arauca e Chiribiquete e Parques Naturais Nacionais nas proximidades, na Amazônia. São regiões em o que mais fazem é intimidar e reprimir camponeses e pessoas pobres, em um contexto em que centenas de líderes sociais, camponeses, ativistas e reintegrados à antiga guerrilha estão sendo assassinados.

O argumento da presença dos militares para colaborar com a Colômbia na luta contra o narcotráfico, mesmo em solo colombiano, é pouco confiável e geralmente é a fachada que os Estados Unidos usam para suas operações na região.

Até um senador de La U, Armando Benedetti, questionou a presença das tropas gringas, afirmando que “Para mim eles não são conselheiros, são tropas e, se assim for, a questão deve ser aprovada no Senado. Até onde sei, nada está sendo processado. O fato de enviarem um almirante dos Estados Unidos para combater o narcotráfico não é tão confiável, parece que eles vêm para ver como é feito um conflito com a Venezuela, o que seria devastador para a economia, para o país e nossa sobrevivência” . E para que não houvesse dúvida sobre sua localização política, ele observou que "eu realmente não dou a mínima para que eles invadam a Venezuela e derrubem Maduro, o problema é que o homem que vai dormir aqui na Colômbia, almirante Craig Faller, é o mesmo que disse que quer capturar Maduro. "

Como escreve também o repórter do jornal colombiano El Espectador, que não tem simpatia pela Venezuela: “Embora na Colômbia o cultivo do uso ilícito tenha aumentado, todas as estradas levam à Venezuela. Essa é a maneira mais fácil de explicar essa decisão recente, que levou a uma discussão política acalorada sobre se o presidente Duque deve ou não processar uma autorização do Congresso ".

Em um comunicado divulgado na semana passada, a Embaixada dos Estados Unidos na Colômbia observou que o almirante Craig Faller, comandante-chefe do Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom), acredita que “a missão da SFAB na Colômbia é uma oportunidade de mostrar nosso compromisso mútuo contra o narcotráfico e apoiar a paz regional, o respeito à soberania e a promessa duradoura de defender ideais e valores compartilhados. ”

Isso implica claramente que seu desdobramento não se limita à suposta luta contra o narcotráfico e vai além dos objetivos militares internos. Desde os últimos acordos de paz assinados pelo ex-presidente Manuel Santos e as FARC, inclusive desde antes devido ao forte enfraquecimento dessa organização guerrilheira e de outras, as Forças Armadas colombianas não se confrontaram militarmente com situações que excedem sua capacidade de combate, experiência ou logística. Mesmo para este último, existem as diferentes bases militares dos EUA ativas na região, além daquelas que deveriam estar na própria Colômbia.

Essa presença não pode deixar de ser vista no calor das políticas intervencionistas dos Estados Unidos, com a cumplicidade do governo Duque, na Venezuela e até em Cuba, onde além das sanções econômicas aplicadas contra a Venezuela, ocorreu recentemente uma tentativa de incursão mercenária, com soldados "dissidentes" no início de maio, que operavam e se organizavam na própria Colômbia em plena luz do dia, sem que o governo colombiano levantasse um dedo para evitá-lo e deixá-lo ocorrer.

Mesmo com o mesmo argumento de sempre do narcotráfico, não se oculta a constante alusão à Venezuela em cada movimento; assim o Secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, afirmou que essas mobilizações deveriam preocupar o governo venezuelano e que "o regime ilegítimo de Maduro depende dos benefícios da droga para manter seu poder opressivo".

Além do destacamento militar nas costas do Caribe e perto das costas da Venezuela, que o próprio presidente Donald Trump se encarregou de anunciar, afirmando que "estamos implantando destróieres navais, navios de combate, helicópteros, aviões da força aérea para vigilância e Patrulhas da Guarda Costeira, dobrando nossas capacidades na região". Em 20 de maio, Donald Trump garantiu que a Venezuela está passando por um "momento interessante" e que, atualmente, o país está "cercado" pelos Estados Unidos, prevendo que "algo acontecerá", buscando aumentar o cerco imperialista em momentos da crise devido à pandemia de coronavírus. "Nós o cercamos a um nível que ninguém sabe, mas eles sabem", disse o magnata de Nova York que chefia o governo de Washington.

Nos lembremos que nos primeiros dias de maio e depois que o governo venezuelano prendeu dois mercenários ianques no ataque fracassados, os Estados Unidos através do secretário de Estado Mike Pompeo ameaçou usar "todos os meios" para repatriar os dois militares, declarando que "se o regime de Maduro decidir retê-los, usaremos todas as ferramentas à nossa disposição para trazê-los de volta".

"A diferença (com outras operações) é que aumentamos o número de recursos dedicados a isso", disse o almirante Craig Faller, que inclui, como escrevemos, aeronaves e navios, como também mais inteligência. “E aliados importantes como a Colômbia deram um passo adiante. Os colombianos estão desenvolvendo a operação Orion V ao mesmo tempo com nossas operações ”, conclui o almirante.

Movimentos sociais, direitos humanos e ativistas da Colômbia saíram para protestar contra a presença de tropas americanas, especialmente nas redes sociais diante do isolamento devido à quarentena ditada pelo governo colombiano. Qualquer que seja o motivo ou argumento usado, o objetivo é redobrar a interferência e o intervencionismo, é categórico que é preciso levantar a exigência de Fora as tropas americanas da Colômbia e de toda a América Latina. Mas é uma tarefa que não corresponde apenas ao povo colombiano trabalhador e popular, mas a todos dos países do continente, começando pelos trabalhadores dos próprios Estados Unidos.




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