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Triunfo da chapa classista numa eleição polarizada do ANDES

domingo 27 de maio| Edição do dia

Durante os dias 09 e 10 de maio foram realizadas as eleições para a Diretoria do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN para o biênio 2018-2020. Triunfou a chapa 1 “ANDES Autônomo e de Luta”, que mesmo na sua heterogeneidade defende em termos gerais um sindicato classista, autônomo dos governos, do Estado e dos patrões construído desde a base frente a chapa 2 “Renova ANDES-SN” que entendiam que é preciso que o sindicato fique subordinado à dinâmica política do Partido dos Trabalhadores (PT) e sua impotência na luta contra o golpe institucional.

A Comissão Eleitoral Central (CEC) na Terça-feira 15 de maio divulgou os resultados onde a chapa 1 venceu com o 51,71% dos votos dos eleitores que efetivamente votaram, dirigirá o sindicato entre os anos 2018-2020, sendo eleito Presidente Antônio Gonçalves Filho da Associação de Professores da Universidade Federal do Maranhão (APRUMA).

A CEC informou que dos 16.887 votantes em todo o país 8.732, um 51,71% dos votantes o fizeram pela chapa 1 em quanto que 7.215, um 42,73%, na chapa 2; 481 eleitores votaram em branco, o 2,85% e 459 foram votos nulos, um 2,72%. A posse da nova diretoria eleita ocorrerá em Fortaleza (CE), durante o 63º Conad, que inicia no dia 28 de junho.

A eleição da Chapa 1 expressa a continuidade da atual gestão do sindicato, sobre novas bases, construída por uma maioria independente de esquerda e partidos como o PSOL e o PCB, mas que em geral, diferentemente da atual adaptação destes dois partidos ao programa do neodesenvolvimentismo lulista, pela lógica de assembleias de base periódicas por setor do sindicato acabam subordinando sua intervenção às decisões dos filiados no sindicato. Em termos partidários na composição da chapa a mudança foi que não fez parte desta o PSTU, que se atrelou à política da direita golpista desde 2016. A chapa triunfante é a expressão de uma corrente heterogênea de professores, mas que foram os que participaram das poderosas greves do sindicato desde 2012, assim como as campanhas unificadas com o conjunto dos servidores públicos federais sem se subordinar politicamente aos governos de Lula, Dilma nem a CUT. A chapa e atual gestão sai fortalecida, mas com pouco margem para continuar comendo erros políticos como foi a posição política em relação ao golpe institucional capitalizado pelo petismo e pelegagem da chapa 2.

Justamente o triunfo da chapa 2 houvesse sido um retrocesso já que é a expressão no interior do sindicato de uma política que não conseguiu avançar com a criação de um sindicato paralelo, o PROIFES, criado pelo governo Lula desde o Estado para atacar o sindicalismo classista, mas fez mesmo derrotada uma significativa eleição, que expressa o lulismo ambiente depois de sua prisão, mas também a impotência política do PT, PCdoB, PCO e Consulta Popular, mas tive certa capacidade para capitalizar os erros da atual gestão fundamentalmente no seu posicionamento frente ao golpe institucional. Sendo aqueles que defendiam no interior do sindicato a política dos pelegos do Proifes que assinaram acordos durante greves combativas de meses sem respeitar as assembleias de base e os grandes responsáveis por defender politicamente as distorções que existem na atualidade na carreira dos docentes, não conseguiram convencer a base do sindicato de sua “renovação”.

Neste contexto, mesmo tendo grandes divergências políticas com o PSOL e o PCB, entendemos foi importante apoiar a Chapa 1 em ANDES Autônomo e de Luta nestas eleições de ANDES-SN, na perspectiva de manter um sindicato classista, autônomo dos governos, dos patrões e do Estado, para organizados desde a base em assembleias, articulemos a luta econômica com a luta política exigindo a partir destas que a CUT e a CTB organizem uma greve geral para lutar efetivamente contra as políticas do governo golpista institucional de Temer e derrogue as leis antitrabalhistas.

Consideramos fundamental uma posição política de independência de classe e anti-imperialista no âmbito sindical. A direita avança no país graças ao papel traidor da CUT e do PT em deixar que o descontentamento popular seja capitalizado por ela. Para além de manter o país subordinado ao imperialismo norte-americano durante seus anos de governo, as greves gerais traídas, lutas não dadas e uma greve petroleira que veio sendo adiada por semanas é o que permite que sejam setores patronais que apareçam como quem dá resposta à crise no país, impulsionando bloqueios de caminhoneiros que erguem a figura de Bolsonaro e exigem reivindicação por intervenção militar.

Frente ao fortalecimento de uma tendência de direita, mais do que nunca é urgente uma esquerda anti-imperialista, que lute por esse programa, única forma de diminuir o preço de todos os combustíveis, e também o não pagamento da dívida pública, avançando no sentido de rechaçar a subordinação ao imperialismo norte-americano em uma perspectiva anticapitalista e revolucionária




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