3 ANOS DO DESASTRE DE MARIANA

Três anos do desastre de Mariana: impunidade e depressão

Após três anos do desastre de Mariana, a impunidade segue vigente. Os desdobramentos da tragédia causada pela ganância capitalista tem como uma de suas facetas a depressão e a profunda marca na vida dos sobreviventes.

segunda-feira 5 de novembro| Edição do dia

Hoje, segunda-feira (5), completa três anos da tragédia de Mariana. O rompimento da Barragem de Fundão, da mineradora Samarco, uma joint-venture da companhia Vale do Rio Doce e da anglo-australiana BHP, é considerado o maior desastre socioambiental do país, causando a morte de 19 pessoas e deixando mais de 1 500 desabrigados, além de 670 km de ecossistemas destruídos com o vazamento de rejeitos de minério que exterminou a vida no Rio Doce e contaminou extensos quilômenos da região.

Dentre as consequências sociais do desastre, há uma tragédia se desenvolvendo: a depressão e o sofrimento. Um estudo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), de abril deste ano, indica que 82,9% das crianças, adolescentes e jovens que presenciaram o desastre estão com sinais de transtorno de estresse pós-traumático. Nos adultos, 12% dos atingidos tiveram esse diagnóstico.

Pesadelos recorrentes relacionados ao desastre são relatados por 19,5% dos entrevistados. Um quarto (24,4%) apresenta insônia, 46,3% manifestaram irritabilidade ou crises de raiva.

Foram avaliados 271 pessoas, de 10 a 90 anos de idade, que aceitaram participar, incluindo 46 adolescentes entre 10 e 18 anos. Nesse grupo, 91,7% testemunharam o desastre e 8,7% receberam notícias sobre ele.

Entre os jovens, 39,1% possuem sinais de depressão e 26,1% apresentam ou já apresentaram comportamento suicida. Essa é uma população especialmente vulnerável por apresentar elevado risco de desenvolver doenças psiquiátricas, tanto nos anos próximos do evento, como na idade adulta.

Entre os adultos, o risco de suicídio foi identificado em 16,4% dos entrevistados. Em relação à depressão, a taxa de prevalência é dez vezes superior à observada na população geral desse público (3,5%).

Há ainda a discriminação explícita em decorrência da condição de atingido, afetando mais da metade dos avaliados. Durante a pesquisa, constataram que a situação entre as crianças atingidas pelo desastre é bastante crítica. Muitos relatos bullying nas escolas onde essas crianças ganharam apelidos pejorativos, como o “pés-de-lama”.

O risco de tirar a própria vida também está acima da média nacional, estimada em 7,1%.

A depressão está dominante em 28,9% na população de indivíduos atingidos pelo rompimento da barragem de fundão em Mariana. De fato, essa prevalência é cinco vezes maior do que a descrita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para a população brasileira avaliada em 2015.

Na população pesquisada, 18,2% tomam ansiolíticos para dormir e 16,9% utiliza antidepressivos. A realidade desses moradores é bastante precária dado que muitos perderam seus salários, e agora são as próprias vítimas que recebem um valor mensal como forma de ressarcimento. A soma dos fatores que geram o estado crítico social, como, a sensação de não pertencimento as localidades a que foram realocados, insatisfação com a assistência fornecida, vulnerabilidade e dependência da assistência, entre outros, causam o agravamento dessas doenças.

“Essa lama não matou apenas 19 pessoas, ela continua nos matando até hoje. Perdemos nossas paisagens, nosso trabalho, o vínculo com os amigos...”, relata Marino d’Ângelo Junior, lavrador atingido pelo desastre em reportagem da National Geographic.

Em meio a extensão da tragédia e o sofrimento social causado, o Ministério Público Federal (MPF) liberou, em junho deste ano, a Samarco, a Vale e a BHP Billinton de pagar bilhões de dólares de indenização pelos crimes ambientais. Empresas estas queconseguem se manter estáveis mesmo em meio à crise econômica que assola o país.

Fica cada vez mais claro que não são os capitalistas que estão pagando pela crise que eles mesmos criaram, mas sim os trabalhadores. Não existe garantia de direitos quando uma empresa está nas mãos de empresários que, ao invés de garantir empregos e segurança, querem garantir lucros. O desastre em Mariana foi causado pela sede de lucro, nada menos que isso.

O estado é responsável por essa tragédia, que não foi acidente. Teve a conivência do Judiciário que optou pela impunidade. A estatização teria barrado a sede de lucro destes empresários e poderia ter impedido esse desastre e ter impedido tantos consequentes sofrimentos, e é por isso que o programa que deve ser levantado pela esquerda revolucionária para uma situação como essa passa pela expropriação e reestatização de empresas mineradoras como a Vale, ficando sob controle dos trabalhadores. Só assim a sua produção estaria a serviço das necessidades da população e não nas mãos dos capitalistas com sede de lucros. As nossas vidas valem mais que o lucro deles.




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