Mundo Operário

Transporte e educação encabeçam forte paralisação nacional do 15M

A jornada de paralisação nacional do 15M, contra a Reforma da Previdência, começou com forte adesão pela manhã, mostrando disposição de luta dos trabalhadores e a força da nossa classe.

quarta-feira 15 de março| Edição do dia

Dentre as várias categorias que aderiram à paralisação de norte a sul do país, a paralisação dos transportes impactou fortemente várias cidades, incluindo grandes capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba.

Na capital paulista, houve 140km de trânsito pela manhã, recorde de 2017, por conta da paralisação dos transportes. Os ônibus não rodaram pela madrugada, e os trabalhadores metroviários guardam as estações levando à prática a paralisação de 24h que foi votada ontem na sede do Sindicato dos Metroviários. Os governos estaduais e municipais, como o de Geraldo Alckmin e de João Dória em São Paulo, já previam essa força e tentaram intimidar os protestos com liminares na justiça, mas não funcionou.

O metrô de Belo Horizonte também não funcionará no dia nacional de paralisação contra a reforma da Previdência. Com uma frota de 35 trens, o metrô transporta cerca de 210 mil usuários por dia, de acordo com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).

Em Recife, o Sindicato dos Metroviários também aderiu à paralisação e as linhas do metrô estarão paralisadas neste 15M. As linhas Centro e Sul do metrô do Recife funcionam em horário reduzido, segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos, enquanto os rodoviários participarão dos atos no decorrer do dia.

Na capital gaúcha, rodoviários realizaram protesto contra a privatização da empresa de ônibus estatal Carris e outros ataques anunciados pelo prefeito tucano Marchezan, como também se opondo à Reforma da Previdência de Temer.

O setor da educação demonstrou grande força

Na USP as três categorias da universidade decidiram paralisar e realizar um trancaço na universidade contra o PEC do Fim da USP, que visa demitir milhares de funcionários e congelar salários por anos, um verdadeiro desmonte da universidade, assim como contra a Reforma da Previdência. A adesão nas unidades de ensino da USP é muito grande, e os trabalhadores travaram a Avenida Alvarenga, próxima à USP e de grande tráfego na Zona Oeste. Em outros pontos da cidade também há manifestações, como um bloqueio da rodovia Raposo Tavares.

Em diversos estados a paralisação de professores está muito forte, atingindo inclusive escolas privadas. No RJ os trabalhadores da educação das redes municipais, estaduais e particulares participam da paralisação de 24 horas por melhores condições de trabalho e contra a reforma da Previdência. Na Paraíba, os professores estaduais começam uma greve por tempo indeterminado neste 15M. Em Recife, as escolas municipais ficarão fechadas durante a jornada. Em Belo Horizonte, escolas públicas e particulares fecharam as portas nesta quarta-feira. São somente alguns exemplos da grande força que a luta da educação está mostrando nesse 15M.

A paralisação se dá em todo o país e em várias categorias

Mas a paralisação nacional foi muito além dos transportes e da educação. Ela atinge diversas categorias em todo o país, de norte a sul. A paralisação atingiu amplamente todo o funcionalismo público pelo país. Em Santos estivadores pararam em peso e enfrentaram inclusive repressão policial. Correios paralisou em vários estados. Petroleiros também paralisaram e se manifestaram em alguns estados, assim como da construção civil. São muitas manifestações desde cedo em várias rodovias e ruas das cidades. Inclusive setores industriais participaram das manifestações e com algumas paralisações apesar do grande controle das burocracias sindicais.

Um plano de luta sério para que os capitalistas paguem pela crise

A paralisação nacional do 15M contra a Reforma da Previdência já é importante e precisa agora seguir fortalecendo durante todo o dia e se transformar em um plano de luta permanente e organizado fortemente a partir da base.

O repúdio da população é totalmente legítimo contra as reformas neoliberais do golpista Temer, que foram propostas há meses. As centrais sindicais demoraram muito para convocar uma medida de luta, em especial a CUT e a CTB, centrais ligadas ao petismo, que seguem em sua estratégia parlamentar de preparar "com responsabilidade" a candidatura de Lula em 2018, que inclusive diz que deveria ser feita uma reforma "por um governo eleito". Agora o fizeram frente à pressão das bases e podemos avançar na luta.

Para derrotar as reformas de Temer e do Congresso golpista é necessário unificar as fileiras dos trabalhadores numa frente de resistência comum contra a ofensiva dos capitalistas, que devem pagar pela crise que criaram.

Este 15M precisa ser o ponto de partida de um plano de luta sério, a partir de assembleias de base nas categorias, que comece pelo apoio irrestrito à greve dos professores estaduais da Paraíba para que esta triunfe, única forma de preparar de fato, e não apenas em palavras - como fazem as burocracias sindicais da CUT, CTB, nem falar da mafiosa Força Sindical - uma greve geral.

Que os capitalistas paguem pela crise!




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