Política

SÃO PAULO

Transformam Câmara dos Vereadores em templo e pregam contra os homossexuais e o Marxismo

A Câmara Municipal de São Paulo está se tornando o endereço de pelo menos um encontro religioso por semana neste ano, além do fato de romperem o principio fundamental da laicidade do Estado, ainda pregam ideologias homofóbicas e reacionárias contrarias à esquerda e ao comunismo.

segunda-feira 4 de julho de 2016| Edição do dia

Nessa segunda-feira o Jornal Estado de São Paulo divulgou levantamento da agenda da Câmara, e mostra como esta foi sede de 24 atos de cunho religioso entre janeiro e junho (cerca de um por semana), e tendo ainda seus custos pagos com dinheiro público do Legislativo. O presidente da Câmara alega que os parlamentares têm direito de usar os auditórios para eventos particulares, enquanto os vereadores alegam “liberdade de expressão” para realizar esses encontros.

Contudo essa prática não só é contraria à Constituição (e a uma "inovação" política de 1789, a separação entre a Igreja e o Estado), onde desde a primeira constituição das elites nacionais, no século 19, se dizia que o Estado deveria ser Laico, como não se trata de maneira alguma de liberdade de expressão, mas o oposto, mostra como a Câmara atua contra os interesses dos trabalhadores e da população mais oprimidas, seja pelo conteúdo opressor e homofóbico dos cultos, como pela opressão a religiões de matrizes africanas.

Alguns grupos tentam disfarçar a natureza dos cultos, contudo os louvores a Deus, “aleluia” e “Amém”, além das mãos dadas e orações de cabeça baixa, não negam o conteúdo religioso. O vereador Eduardo Tuma (PSDB), um dos que reserva a Câmara para cultos, chegou a propor um projeto de lei para instituir o “Dia de Combate à Cristofobia”, esse projeto foi vetado.

O absurdo segue, enquanto querem instituir uma lei contra a “Cristofobia”, pregam ódio ao islamismo: “Se alguém vier falar para vocês que o islamismo é uma religião de paz, é mentira. Eles fazem todo cristão renunciar a Jesus Cristo. Todos são convocados para a matança de cristãos”, afirmou um homem em um dos encontros da Ágape, em fevereiro.

Além de usarem da religião para induzir interesses políticos, durante o processo do golpe institucional contra a presidente Dilma, pediam “perdão” por aliança com países ditos comunistas. “Nós Te pedimos perdão por alianças com países que estão tentando implantar o comunismo, que já estão em processo de doutrinação desde a época em que houve ditaduras em toda a América Latina. Pedimos que tende piedade de nós, porque essa é uma doutrina feita por um satanista chamado Karl Marx”, afirma outro homem, no encontro.

Claro conteúdo contra a esquerda, de cunho de extrema-direita, que também se expressa em relação aos direitos democráticos da população LGBT: “Pedimos perdão por todo tipo de casamento gay, de doutrinação”.

Enquanto os parlamentares rezam suas ideologias opressoras e reacionárias por um lado, são autores de diversas leis que tentam criminalizar, o aborto, negam o casamento LGBT, além de serem o braço político do apoio a polícia que vem assassinado menores (a maioria negros e pobres) no estado em São Paulo, e das propostas de ajustes e privatização.

A Câmara longe de representar o povo é a expressão mais degenerada de uma "democracia" de privilégios e suborno, que trabalha contra os interesses da população, pobre oprimida e dos trabalhadores. Que esses "padres políticos" das elites tenham seus cargos revogáveis a qualquer momento e recebam o mesmo salário de uma professora da rede pública (que deve se equiparar ao cálculo do mínimo pelo DIEESE, R$3,777).




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