Política

NOVAS GRAVAÇÕES DA JBS

Transcrição e análise das gravações da JBS. Joesley mostra que o "Estado sou Eu"

Uma parte dos áudios já vazou. Veja a transcrição dessas passagens e o que elas revelam dos esquemas de corrupção e o que Joesley Batista pensa sobre o Estado capitalista no país.

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

terça-feira 5 de setembro| Edição do dia

Montagem: Juan Pablo Diaz Vio

O ministro do STF Edson Fachin removeu o sigilo dos novos áudios dos Batista. Esses áudios revelados depois de pressão da Polícia Federal, motivaram Janot a questionar os acordos de impunidade que foram firmados. O movimento descoordenado de Janot e Joesley acontece a partir de uma tentativa um tanto atabalhoada de cada um deles para livrarem a própria pele. Janot acusa Joesley, e nos áudios o empresário Saud, interlocutor de Joesley incrimina Janot. Os áudios atingem ministros do Supremo e mais políticos. Para a análise da conjuntura e desses fatos dedicaremos outro artigo. Aqui nos centramos em um resumo dos áudios e o que eles revelam da visão de Joesley sobre o Estado capitalista que serve para livrar seus negócios e quem ele quiser. É como se fosse sua fazenda.

A ascensão dos irmãos Batista a reis do gado em todo o mundo lhes subiu a cabeça. Depois de anos e mais anos em que se aproveitaram de generosa ajuda do Estado brasileiro para se tornarem “Global Players”, Joesley desenvolveu (ou acentuou) um certo desvio psicológico. Um desvio chamemos de “Luís XIV”, o monarca francês absolutista conhecido pela frase “O Estado sou Eu”. Joesley, auto-centrado, imaginando-se dono do mundo e que entraria na história por “moer o Executivo e o judiciário”. O desprezo com que se refere a cada pessoa nos áudios e sua certeza de sua impunidade, de seus negócios mostra sua visão de que o Estado serve para seus interesses e nada mais.

Marx e Engels afirmavam que o Estado Capitalista era um “comitê de negócios do conjunto da classe burguesa.” Joesley achou que era só para ele. E sua ofensiva para derrubar o “judiciário e o Executivo” parece ter saído pela culatra. Do alto de seu complexo de Luís XIV, em uma versão latifundiária e burguesa de “O Estado sou Eu”. Se sua certeza de impunidade e garantia de seus bilhões se confirmará é algo que depende do desenvolvimento da crise política do país. Veja no final da matéria a transcrição de todos áudios publicados pelo jornal carioca.

Beto Richa do PSDB com a mão na botija

As parcelas desses áudios reveladas pelo jornal O Globo mostram muitas coisas: a corrupção de Beto Richa, governador do PSDB do Paraná (o interlocutor Saud afirma: “A questão é ter que jogar esses amigos tudo no fogo. Os governador, coitadinhos... Beto Richa... Pegou tudo em dinheiro).

Segundo Saud, Janot irá para o mesmo escritório do corrupto procurador Marcelo Miller

Há vasta discussão e insinuações sobre como o ex-ministro Cardoso (PT) seria uma via de comprar ou convencer ministros do STF. Declaram como usaram o procurador Marcelo Miller para organizar sua impunidade. Diz Joesley: ocê já imaginou se nós chama o Marcelo, assim Marcelo.... vc vai passar pelo... nós damo um papel pro Marcelo (...) a eu, ricardo, (...) hã? Não, não é (...) ... não, nós tinha que dar o .... o Marcelo... o o de advogado... ó você vai ser o advogado que vai arrumar as notas... arrumar o esquema das notas tal... (...) tem nota... ó nós vamo trazer aqui ó... o Marcelo que trabalha conosco... trabalha há muitos anos...

No áudio Saud afirma que Rodrigo Janot irá trabalhar no mesmo escritório:
Saud: Fala que vai voltar como Procurador da República é mentira. O Janot vai sair e vai para esse mesmo escritório que ele ta indo, o mesmo escritório (ininteligível). Ele, esse Christian...

“Ricardinho” Lewandoski estaria no esquema de salvamento da JBS

Como os interesses materiais e políticos pesam mais alto os áudios revelados e transcritos até o momento trazem insinuações machistas sobre Carmen Lucia e atingem Lewandoski, desafeto do Globo e não o “queridinho” Gilmar. Na parte transcrita do áudio há menção que Lewandoski poderia estar no esquema da JBS. O “Ricardinho” mencionado é o ministro do STF:

Joesley: E o outro lá. Ricardo, nós somos jóia da coroa deles. O Marcelo já descobriu e já falou com o Janot: Ô Janot, nós temos o pessoal que vai dar todas as provas que nós precisamos e ele ja entendeu isso. A Fernanda surtou por que? Porque a Fernanda entendeu que nós somos muito mais e nós podemos muito mais... Aí até a Fernanda perdeu o controle. Aí até a Fernanda falou, calma. Supremo, não. Calma. Vai fuder meus amigos, vai... Só para, Ricardinho, eu não vou conseguir te explicar... Ricardinho, confia nimim. É o seguinte, vamo conversando tudo. Nós vamos tocar esse negócio. Nós vamos sair lá na frente. Nós vamos sair amigos de todo mundo. E nós não vamos ser presos. Pronto. E nós vamos salvar a empresa.

“O Estado capitalista sou eu”

A arrogância do latifundiário “dono do gado” no mundo transparece em cada menção dos áudios como pode-se ler no final. Destacamos aqui abaixo sua visão de como entraria “na história” e que ele iria “moer” o judiciário e o Executivo para conseguir a impunidade bilionária de seus negócios. “Nós só vai entregar o Judiciário e o executivo, a Odebrecht moeu o legislativo, nós vamos moer” diz o empresário."

Sua visão era de conseguir dar uma cartada de mestre com sua delação que zeraria o jogo político e livraria sua empresa (como conseguiu até agora). Diz o bilionário:” nós nunca podemos ser o primeiro, nós temos que ser o último, nós temos que ser a tampa do caixão...Fernanda, nós nunca vamos ser quem vai dar o primeiro tiro, nós vamos o último...vai ser que vai bater o prego da tampa". Nessa passagem transcrita ao final eles discutem sobre quem deveria assinar primeiro a delação, a JBS, Eduardo Cunha ou Lucio Funaro (que teve delação homologada hoje).

Tudo isso recheado de desprezo pelos interlocutores comprados (ou só influenciados) e até mesmo por seu irmão Wesley. Joesley sabe tudo e sabe livrar o seus, acha que o “Estado sou eu”:

Joesley: Mas é necessário isso. Isso é bom. Isso faz parte... Construir a história... Mas não vai ser... É o subliminar... Eu posso estar totalmente enganado. E eu acho que eles podem nao estar fazendo isso orquestradamente. Agora, eu acho que eles tao fazendo isso achando que nós não estamos entendendo, mas eu to entendendo. Quem não está entendendo, tem pânico. Eu to entendendo. Nao tem pânico não. O Wesley nao entende isso. Ninguém entende isso. Eu, Joesley, posso estar completamente num Lalaland, eu não.. Eu to vendo tudo e to em paz.

Tiro pela culatra? Impunidade garantida?

Veremos os conturbados novos capítulos da crise política nacional. Joesley está certo de sua impunidade. Ele e diversos políticos, juízes, procuradores sabem quem está no contra-cheque de quem, porém, o nível de desprezo com seus interlocutores, sua certeza de impunidade somente para quem ele escolher pode servir de tiro no pé e levar a algum tipo de punição ao bilionário e sua empresa, talvez em níveis “aceitáveis” para bilionários como os conferidos aos Odebrecht. De todo modo a única certeza de luta contra essa impunidade não pode ser confiando na ação de Janot, do STF, ou dos políticos capitalistas mas da luta dos trabalhadores para impor uma saída de fundo, que questione o executivo, o legislativo, o judiciário, os capitalistas e seus negócios legais e ilegais.

O Esquerda Diário defende impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que entre outras medidas poderia garantir a expropriação dos bens de todos corruptos, a estatatização sob controle dos trabalhadores de todas empresas corruptas, começando pela JBS e Odebrecht, entre outras medidas que servissem para que os trabalhadores vejam a necessidade de superar essa democracia dos ricos e avançar para um governo operário de ruptura com o capitalismo.

Veja a transcrição de todos áudios publicados pelo jornal O Globo

Joesley: ocê já imaginou se nós chama o Marcelo, assim Marcelo.... vc vai passar pelo... nós damo um papel pro Marcelo (...) a eu, ricardo, (...) hã? Não, não é (...) ... não, nós tinha que dar o .... o Marcelo... o o de advogado... ó você vai ser o advogado que vai arrumar as notas... arrumar o esquema das notas tal... (...) tem nota... ó nós vamo trazer aqui ó... o Marcelo que trabalha conosco... trabalha há muitos anos... meu amigo de infância... é da...
Saud: (...) Goiás
Joesley: é... (...) infância lá de Goiás... seguinte ó
Saud: vamos fazer homenagem pro coiso, como é que ele chama... (parte inaudível) amigo nosso lá
Joesley: é isso, Romaninho. Isso ... é o Romano ... amigo de infância de (...) estudou comigo em Brasília e tal... ele é advogado... seguinte, queria dizer negócio de... ele infartava
Saud: (...) ué ele voa no cara.. (parte inaudível) .. ele sai ali (parte inaudível)
(...)
Joesley: O Renan, Ze Eduardo ... ele ficou enlouquecido com Ze Eduardo
Saud: Ele acha que o Ze Eduardo é o melhor caminho pra chegar no Supremo
Joesley: Ele te falou isso? Que que ele te falou?
(...)
Saud: Não... como... nós chegamos lá, começamos conversar... o Joesley foi falando com ele... perguntamo as coisas, que que tinha feito... ele falou da lei e tal... (parte inaudível) Você não tinha me falado da lei (parte inaudível) entendeu na hora da lei, falou que outubro foi aprovado uma lei assim assim negócio de narcotráfico ai... eu não sabia, mudaram a lei lá passou pra outra coisa.... ele (parte inaudível) lembrei que (parte inaudível) que em abril começou a Lava Jato... "ah ele falou dessa lei", mas essa lei (parte inaudível) filho da puta do Godoy... mas essa lei é narcotráfico, não é nada com Joesley não... falei ah eu não sei, ai Joesley tentou me explicar lá, eu não sei, eu vou ler depois, ah ai.. ai nós falamos... eu falei ó, inclusive lá nós conversamos, porra veio.... cara falou que tem cinco... cinco... Ministros do Supremo na mão dele... Inclusive muitos conversado e outros, não é só palavreado não, escrito tal... ele falou "cinco ele não tem não... ele tem... ah só se eles, só se eles contam Lewandowski até hoje"... ele falou, falei ah dai eu não sei, não deu nome não... Mas se contar Lewandowski pode ser sim... (parte inaudível) falou assim lá pra mim "mas ele tinha essa intimidade com a Dilma?"... "intimidade? eu vou te contar, eu achei que os três tavam fazendo suruba" ... porque ele falou da Carmen Lúcia, (parte inaudível) da Carmen Lúcia que vai lá falar do (parte inaudível) com a Dilma e tal, os três juntos, tal tal tal.... "ah então ele tem mesmo essa intimidade?"... (parte inaudível) os cara... falei não é mentira não.. foi tô falando (parte inaudível) contei pra ele, falamos do escritório, falamos da conta...
Joesley: Que escritório? Que escritório?
Saud: do Marco Aurélio.. (parte inaudível) falou do dinheiro?... não.. "não né Ricardo"... (parte inaudível) ... "mas e ai, que que a Dilma falou?" ... (parte inaudível) não, não (parte inaudível) nada disso.. ai se viu a Carmen Lúcia lá e tal... a última indicação e tal... ai eu contei pra ele, falei (parte inaudível)... ai mudou o assunto ... "falando sério? tá se falando disso?" ... suruba dos três e tal... "não, isso eu quero ouvir"... ai (parte inaudível) o trem ... nós falando de putaria ... "esse cara é louco..."
Joesley: ai cê mostrou a fita?
Saud: não... (parte inaudível) fomo mostrando (parte inaudível)...
Joesley: isso
Saud: ai ele falou "isso dá cadeia... eles prendem Ze Eduardo amanhã... eles prendem amanhã... melhor não... melhor não...".... (parte inaudível) eles prendem amanhã...
Joesley: eles o Supremo...
Saud: é (parte inaudível) ... ai ... deixa eu ver de novo... "ai ocê também... (parte inaudível) suruba ai... se não fala isso mais não... vou te orientar ocê não fala isso mais nunca... cê falar que a Presidente da República, Presidente do Supremo ele tá fazendo .. vc tem noção do que vc falou?" ... ele me deu uma dura tão grande... "vc tem noção do que vc falou? Presidente do Brasil, Presidente do Supremo e Ministro da Justiça fazendo suruba... (parte inaudível) bota lá, (parte inaudível) esse ai nós temos que tirar... temo que usar (parte inaudível) Ze Eduardo, (parte inaudível) pressionar o Ze Eduardo pra ele contar quem é o cara do Supremo..." ah meu Deus, depois disso tal... ficamo conversando... (parte inaudível) Joesley faz o que quiser aquele trem (parte inaudível) "então vamos esquecer aquele trem da briga do do Gilmar... e vamo nesses três Ministro do Supremo"...
Joesley: como... esquecer a briga?
Saud: o trem do Gilmar que virou briga lá entre ele e a... (parte inaudível) vamo esquecer isso e vamo pegar os três... eu falei (parte inaudível) Marcelo ocê é inteligente demais, vc tá largando um amigo quer três... "não, mas não é isso"... agora, ele (parte inaudível), ele tá ficando meu amigo e tal achando (parte inaudível) ... quando ele mandou eu digitar tudo lá pra ele (parte inaudível) trem e tal pá pá pá... (parte inaudível) pode escrever o que você quiser ai, que eu conserto depois ... eu tô metendo o cacete... escrevendo o que eu to pensando (parte inaudível)... eles são esperto... uma (parte inaudível).
Joesley: isso... é .. ele faz assim.. (parte inaudível risada) ... (parte inaudível) Ze
Saud: (parte inaudível) vc vai ver, ele vai pra cima docê na hora... vamos escutar terça feira (parte inaudível) ... ele vai pra cima docê na hora... na hora (parte inaudível)
Saud: vc me deve um bônus do caralho...eu tava fechando um (inaudível) com Marcelo meu chefe".
(...)
Saud: Ele (?) tava fazendo a soma sabendo que vc deu dinheiro para o PT" "Ele (?) escreveu lá 15 para o PRB".
Ricardo Saud comenta que disseram que ele "ficava puto" de dar dinheiro para políticos "pq não sabia de nada" "nós fizemos uma conta lá de deu 170".

Saud: Marcelo tá me doutrinando tanto.. (trechos inaudíveis) q com a consciência mais tranquila".
Joesley: Eles (MPF?) vão dissolver o Supremo...eu vou entregar o Executivo e você vai entregar o Zé, o Zé vai entregar um....(não fala)...vou ligar e chamar ele e falar...o Zé seguinte vc precisa trabalhar com a gente, nós precisamos organizar o Supremo, a única chance que a gente tem de sobreviver...vc tem quem? como é cada um? qual a influência que vc nesse? Como é que a gente grampeia? o Zé vai entregar tudo...a gente vai falar de 2 só, nós só vai entregar o Judiciário e o executivo, a Odebrecht moeu o legislativo, nós vamos moer...
Saud: Vai deixar pra cumprir depois" (parece falar sobre as condições impostas pelo acordo de colaboração)
Joesley: Não, tem que se um tchau e não voltar aqui mais nunca...n tem negócio de vir depois...nós vamos fazer um serviço tão bem feito que não vai precisar chamar nóis...tá tdo gravado ai"
Ricardo: "Essa parte o Marcelo tá....(inaudível)...
Joesley: Vamos ver, vamos devagar".
Saud: A não ser que o Zé entregue o Supremo inteiro".
Joesley: O Zé vai entregar... B é isso, o C é isso...por onde a gente chega, bota tudo na conta do Zé...nós só vamos precisar falar de duas coisas"
Joesley: Por isso que eu quero nós dois 100% alinhado com o Marcelo...nós dois temos que operar o Marcelo direitinho pra chegar no Janot...eu acho...é oq falei com a Fernanda...nós nunca podemos ser o primeiro, nós temos que ser o último, nós temos que ser a tampa do caixão...Fernanda, nós nunca vamos ser quem vai dar o primeiro tiro, nós vamos o último...vai ser que vai bater o prego da tampa".

Saud: Ela tá entendo?
Joesley: Nós fomos intensos pra fazer, temos que intensos pra terminar".
Joesley: Eu acho que eu sei o que o Ministério Público tá fazendo, eu acho que eu sei o que o Anselmo tá fazendo. Ai o Anselmo faz as peripécias dele tudo, eu olho para ele e falo assim. Chefe, é o seguinte, eu to entendendo. Engraçado... Eu não to conseguindo me fazer entender.
Saud: Então, tá.
Joesley: É o seguinte: nós não vamos ser presos. Ponto.
Saud: Tá...(ininteligível)
(...)
Joesley: Mas é necessário isso. Isso é bom. Isso faz parte... Construir a história... Mas não vai ser... É o subliminar... Eu posso estar totalmente enganado. E eu acho que eles podem nao estar fazendo isso orquestradamente. Agora, eu acho que eles tao fazendo isso achando que nós não estamos entendendo, mas eu to entendendo. Quem não está entendendo, tem pânico. Eu to entendendo. Nao tem pânico não. O Wesley nao entende isso. Ninguém entende isso. Eu, Joesley, posso estar completamente num Lalaland, eu não.. Eu to vendo tudo e to em paz. Eu to achando que ta tudo certinho. Que é a reação...
Saud : (ininteligível)
Joesley : Mas não é isso que eu to falando. Eu não to falando disso. Eu nao consigo me fazer entender. Seria a reação natural... Pensa você no lugar do Janot. Senta na cadeira do Janot.
Joesley : O Janot sabe tudo. A turma já falou pro Janot.
Saud : Você acha que o Marcelo já falou pro Janot?
Joesley : Não. Não é o Marcelo. O...
Saud : Anselmo.
Joesley : Anselmo e o Anselmo falou pro Pellela, falou pro nao sei o que lá, que falou pro Janot. O Janot tá sabendo... Aí o Janot, espertão, que que o Janot falou? Bota pra fuder, bota pra fuder. Poe pressão neles, para eles entregarem tudo, mas não mexe com eles. Não vamo fude, dá pânico neles, mas nao mexe com eles.
Saud: Se está combinado, por que não está combinado com a gente?
Joesley: Porque não pode ser combinado... Não pode ser combinado... Você não pode entender isso... Eu entendo. Eu não devia estar entendendo. Ninguém tá entendendo... Por isso que eu to dizendo... Eu tenho a pretensão, que eu posso estar completamente errado. Eu tenho a pretensão de achar que eu to entendendo. Eu acho que eu entendo o que as pessoas acham. Em condição normal de pressão e temperatura, eles estão fazendo o que é previsível deles fazerem. Pensa você no lugar deles. Eles são espertão. O que você fariam? Toca pressão nesse povo! Mas não mexe com eles... Eu to falando assim...
(...)
Joesley: Eu tenho a pretensão de achar que eu sei o que as pessoas estão falando, e o que as pessoas estão pensando. Eu reajo muito mais pelo que eu acho que você está pensando do que o que você ta falando.
Saud: Ta certo. Deixa eu falar uma coisa... O Marcelo deu uma (ininteligível) para nós... É isso? Ele falou pro Janot que nós temos muito mais para entregar?(ininteligível)
Joesley:Vamo lá. Vamo dar um passo atrás. Na minha cabeça. O Marcelo é do MPF. Ponto. O Marcelo tem linha direta com o Janot. Quando eu falo o Janot, é Janot, Pellela... Tudo a mesma coisa.
Saud: Eu não te falei? Olha a mensagem?
Joesley: Janot, Pellela, qual o nome daquele outro? Que a...
Saud: Eu sei... Janot, Pellela...
Joesley: E o outro lá. Ricardo, nós somos jóia da coroa deles. O Marcelo já descobriu e já falou com o Janot: Ô Janot, nós temos o pessoal que vai dar todas as provas que nós precisamos e ele ja entendeu isso. A Fernanda surtou por que? Porque a Fernanda entendeu que nós somos muito mais e nós podemos muito mais... Aí até a Fernanda perdeu o controle. Aí até a Fernanda falou, calma. Supremo, não. Calma. Vai fuder meus amigos, vai... Só para, Ricardinho, eu não vou conseguir te explicar... Ricardinho, confia nimim. É o seguinte, vamo conversando tudo. Nós vamos tocar esse negócio. Nós vamos sair lá na frente. Nós vamos sair amigos de todo mundo. E nós não vamos ser presos. Pronto. E nós vamos salvar a empresa.
(...)
Saud: Se nós tivéssemos feito delação lá atrás... Nós tínhamos delatado os fiscais (ininteligível) o Eduardo Cunha, aceito delação do Eduardo Cunha... O Marcelo falou que ele ta forçando que ele quer fazer.
Joesley: Ele não. O Lúcio.
Saud: Eduardo Cunha. O Marcelo me contou que eles estão pressionando (ininteligível) vai fazer. Sai o Lucio, sai do Eduardo...(ininteligível) não sei o que a gente ganha, porque o desgaste se nós vamos fazer de todo jeito...
Joesley: É que não depende só da gente.
Saud: Ô Joesley, depende de quem? Depende o caralho.Você consegue a hora que você quiser falar com o Janot. Tá certo que o Marcelo não consegue amanhã falar com o Janot (ininteligível) Que hora que ce falou isso pro Marcelo? Que horas que você falou pro Marcelo que você quer falar com o Janot?
Joesley : (ininteligível)
Saud: (...) Você não falou para ele. (ininteligível) Você ta mentindo. Falou para a Fernanda. Você nunca falou para ele... (ininteligível) Você já falou isso para ele? Ô Marcelo, vem cá, vamos levar nós dois lá para falar com o Janot. Fala isso para ele terça feira para você ver.
(...)
Saud: Sem mostrar essa nova que você fez com o Rodrigo, ele já tinha te levado você para o Janot. Só o Zé Eduardo... Porque a primeira que você tinha do (ininteligível) com o Rodrigo... (ininteligível) Não quer saber se Francisco, de ninguém. Eles não conversaram nada comigo. (ininteligível) Sabe? Ele se enquadrou. (ininteligível) Disse que faz parte. Eu acho que o caminho para chegar até o Janot não é ele.
Joesley: É ele.
Saud: Mas você passa tudo pro Janot?
Joesley: Como é?
Saud: Eu falei: você passa tudo pro Janot, né? Do que está acontecendo aqui.. Ele disse: Não, não. Não vou te mentir não. Não passou não. É um amigo meu comum. É um amigo meu comum.
Joesley: Um amigo?
Saud: Meu comum. Comum do Janot. Eu falei, você passa tudo pro Janot? Ele falou, não. É um amigo meu comum.
(...)
Saud: É um amigo comum, que é dono desse escritório que o Janot vai trabalhar depois junto com o Marcelo. Eu entendi agora. O Marcelo saiu antes. Tem um outro saindo, um tal de Christian. E o Janot não vai concorrer, ele vai sair, e vai vir advogar junto com ele e esse Christian nesse escritório. Então o escritório vai ser ele, esse christian, ele e o Janot.
Joesley: Caralho, mas então voce ta me confirmando que tudo que nós estamos falando ele corre no banheiro e manda pro Janot. Ou para alguém que fala com o Janot.
Saud: Porque o Janot vai trabalhar com ele.
Joesley: Lógico.
Saud: Fala que vai voltar como Procurador da República é mentira. O Janot vai sair e vai para esse mesmo escritório que ele ta indo, o mesmo escritório (ininteligível). Ele, esse Christian...
(...)
Saud: Tudo que não precisar tocar no tipo de assunto... A gente preserva todos os nossos... como chama... consumidores... nosso mercado... nós preservamos todos os supermercados... compradores. Todos os nossos compradores. E a gente salva uns quatro ou cinco amigos. Andrea, Durval... Porque de outro jeito, não tem jeito de contar a história sem os caras... Eu acho que pelos mais fortes... (ininteligível) A questão é ter que jogar esses amigos tudo no fogo. Os governador, coitadinhos... Beto Richa... Pegou tudo em dinheiro no (ininteligível)... Foi eu aquele (ininteligível) entregar pro Beto... Beto Richa... Colombo... Fomos eu e o... entregar para o...
Joesley: Gavazoni.
Saud: Gavazoni. (ininteligível) Eu fui lá umas quatro vezes e o Florisvaldo umas três. Até me chamou atenção... Quem não sabe que o Guanabara ajudava vocês... (ininteligível)




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