Gênero e sexualidade

VIOLÊNCIA MACHISTA

Transcrição de ligações de Robinho aponta estupro de vulnerável e violência contra mulher

Robinho e o amigo Ricardo Falco, que foram acusados em primeira instância pelo Tribunal de Milão pelo crime de violência sexual em grupo contra uma jovem de origem albanesa, apresentaram recurso à decisão da Justiça italiana, que deverá iniciar análise do processo em segunda instância no dia 10 de dezembro. A transcrição de interceptações telefônicas de Robinho com os amigos foi divulgada pelo G1. Essas conversas confirmam que houve estupro de vulnerável e que o jogador participou.

sexta-feira 16 de outubro| Edição do dia

Foto: reprodução Brasil 247

Em novembro de 2017, o jogador Robinho, atacante na época do Atlético-MG e atualmente do Santos, foi, após quatro anos de recursos, condenado a 9 anos de prisão por estrupo em primeira instância, à qual a defesa do jogador apresentou novo recurso. O crime ocorreu em janeiro de 2013 em uma boate de Milão e o caso se estende desde então.

No ano de 2013 a vítima denunciou o crime, alguns meses após o ocorrido, relatando um abuso sexual por um grupo de homens, entre os quais estava Robinho. Esta não foi a primeira denúncia do tipo contra o jogador, em 2009 ele foi acusado pelo mesmo crime na Inglaterra, porém foi alegado que a vítima estaria mentindo e o caso foi fechado.

Representantes legais do jogador se pronunciaram em 2017 informando que o mesmo negou seu envolvimento em ambos os casos, com alegação de ser vítima de calúnias e que, “apesar de chateado”, estava “tranquilo e confiante”.

As transcrições telefônicas divulgadas pelo G1 mostram diálogos entre Robinho e Falco, que confirmam o brutal estupro praticado contra jovem, com a participação de Robinho e dos demais, além de uma culpabilização da vítima.

Em um trecho os amigos questionam a afirmação da jovem de que se lembra de que o grupo de homens teve relações sexuais com ela, afirmando que ela estava “fora de si” e que “não conseguia fazer nada, nem mesmo ficar em pé”, o que reafirma a situação de violência e vulnerabilidade de jovem e no caso, com a comprovação da agressão sexual, configura estupro de vulnerável, crime previsto na lei italiana usada no veredicto e também condenável pela lei brasileira. Robinho ainda comenta em tom jocoso “Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu”.

Em outra ligação, outro homem que participou do crime afirma que viu Robinho tendo relação sexual com a vítima, dizendo que viu o jogador “colocando o pênis dentro da boca dela”, o que o jogador confirma mas diz que “isso não significa transar”. Além de Robinho e Falco outros quatro amigos, brasileiros, estão envolvidos no crime, mas são investigados em separado porque deixaram a Itália durante a investigação.

O G1 divulgou as transcrições, mas não podemos esquecer que apesar da Globo querer se mostrar no combate ao machismo, ela é na verdade parte fundamental desse regime golpista e que vem avançando contra os trabalhadores e seus setores mais oprimidos, além de seus canais tomarem esses casos como espetáculos e fontes de audiência, estando muito distantes de oferecer um verdadeiro combate à essa violência machista que afeta as mulheres todos os dias.

Nós do Esquerda Diário manifestamos nossa total solidariedade à jovem imigrante e ressaltamos que os diálogos do jogador Robinho e de seus amigos, apresentados nessa divulgação do G1, sobre esse brutal caso de estupro são completamente repudiáveis. Eles representam o que há de mais asqueroso do machismo, que violenta todos os dias milhares de mulheres no Brasil e em diversos países do mundo. É também repudiável o tom de zombaria e culpabilização da vítima, uma prática realizada em muitos casos pelos próprios órgãos de justiça e pela polícia, que legitimam e são parte da imposição de violências diversas às mulheres, em favor da manutenção da ordem dominante do capitalismo, que se perpetua através da exploração e opressão.




Tópicos relacionados

Golpistas   /    Tv Globo   /    Estupro   /    Violência contra a Mulher   /    Gênero e sexualidade

Comentários

Comentar