Gênero e sexualidade

MÊS DO ORGULHO LGBT

Trans, lésbica e negra: o novo rosto de Calvin Klein que clama #BlackLivesMatter

Jari Jones é uma das mais novas imagens da reconhecida marca de roupas e acessórios que apareceu no Mês do Orgulho LGBTI e no marco dos protestos contra o racismo e brutalidade policial. Marketing “gay-friendly” (amigo das gays)?

domingo 28 de junho| Edição do dia

Em pleno Mês do Orgulho LGBTI, Jari Jones abre um champanhe em frente a um outdoor com uma fotografia dela mesma como parte da última produção da Calvin Klein, a marca reconhecida principalmente por suas calças jeans e roupas íntimas, mas que também produz todo tipo de roupas e acessórios.

Isso se refletiu no instagram da modelo: “Há momentos muito reais dos que escutam e que te ajudam a sentir confiança, mesmo quando você não se vê a si mesmo. Eu estive buscando por esses momentos por toda a minha vida, me cansei de buscar esses momentos. Então decidi criá-los. Não para mim, mas para o próximo sonhador, marginalizado, gay, trans, deficiente, gordo, preto, lindo, um pedaço de luz de estrela esperando para brilhar.

A pandemia expôs os problemas anteriormente atravessavam as grandes maiorias que sofrem com cortes salariais, demissões, suspensões e enormes dificuldades em acessar a saúde. Esse foi o pano de fundo do ressurgimento do movimento Black Lives Matter contra a brutalidade policial racista e contra o racismo estrutural.

No país durante a pandemia, os dados indicam que 38% da população negra e os LGBTI sofreram a redução de seu horário de trabalho e salários, enquanto 22% permaneceram desempregados. No ano passado, do número total de pessoas trans mortas por crimes de ódio, 91% eram mulheres negras. Este ano, os assassinatos de Tony Mc Dade, Riah Milton e Dominique "Rem’mie" Fells, somados a muitos outros, motivaram a consigna Black Trans Lives Matter (vidas trans e negras importam) entre as mobilizações.

Dois dias após a sua publicação, Jari Jones subiu uma nova imagem com prints denunciando mensagens de ódio que recebeu através das redes sociais após o lançamento da campanha. "Isso é completamente nojento", "Permitindo essa doença mental, você é louco, Calvin", "Logo a garota do bairro morre de obesidade mórbida" e "É a primeira vez que Calvin Klein usa um cara negro como modelo ou o quê?" foram algumas das frases cheias de ódio que ela recebeu.

Esses discursos de ódio, ainda mais quando enquadrados em uma crise que golpeia com maior força os setores vulneráveis e oprimidos e absolutamente inaceitável.

Por trás do discurso “gay-friendly”

Não é a primeira vez que Calvin Klein inclui pessoas trans em suas propagandas. No ano passado. No ano passado, na comemoração do 50º aniversário da revolta de Stonewall, ele lançou uma propaganda com Indya Moore, modelo e atriz que faz parte do elenco da série Pose no personagem de Angel Evangelista.

A presença de modelos como Jari e Indya nas principais capas, propagandas e outdoors são a prova de que as pessoas trans têm o direito, tanto quanto qualquer outra pessoa, sem distinguir sua identidade de gênero ou orientação sexual de se desenvolver como artistas ou profissionais. Mas, ao mesmo tempo, coloca em evidência que a grande maioria das pessoas trans diretamente não tem acesso ao trabalho estável e que isso é uma luta mais do mais do que vigente para um setor social que vive principalmente na marginalização e na pobreza.

Por trás do discurso “gay-friendly” existe uma corporação que, diante da pandemia, adotou as mesmas medidas que as grandes empresas a nível internacional, prejudicando a maioria da população. Em abril, a PVH Corp, proprietária da Calvin Klein e Tommy Hilfiger, decidiu suspender temporariamente e reduzir horas e salários para 75% de sua força de trabalho em lojas, escritórios e armazéns nos EUA. O restante dos funcionários reduziu seu salário entre 5% e 20%. O outro lado dessas medidas é a acumulação de lucros que essas empresas têm alcançado nos últimos anos. Apenas em 2018 a PVH Corp declarou um lucro líquido de US $ 746,4 milhões. Montantes astronômicos que só continuam a aumentar as contas bancárias de uma minoria que vive em extremo luxo.




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