Mundo Operário

DENÚNCIA

Trabalhadores terceirizados dos correios são demitidos durante a greve

A ECT é responsável pelas demissões ilegais de terceirizados

terça-feira 22 de setembro de 2015| Edição do dia

Na foto: Ecetistas terceirizados (colete azul) trabalhando no meio de ecetistas efetivos, exercendo as mesmas funções

Durante a primeira semana da greve dos trabalhadores dos CORREIOS pelo menos 30 MOTs (Mão de Obra Terceirizada) do centro de triagem de Campinas, que eram contratados por uma empresa terceirizada, foram demitidos por fazerem uma paralização em protesto aos seus salários atrasados a quase 2 meses.

A paralização surgiu do próprio anseio dos MOTs que buscaram ajuda do sindicato dos ecetistas de Campinas, que se comprometeram em fazer um piquete para paralisar as atividades do centro de triagem, garantindo a manifestação dos MOTs.

A terceirização nos CORREIOS aumentou vigorosamente, seguindo a linha dos últimos governos para todos os ramos da economia. A terceirização do trabalho é uma estratégia furtiva e brutal, para precarizar o trabalho e enfraquecer a união entre os trabalhadores, além de ser por si só uma ponte direta para a privatização. Na entrevista realizada pelo Esquerda Diário com os MOTs terceirizados de Campinas é evidente o que significa na prática a terceirização do trabalho, e como vem sendo aplicado impiedosamente nos CORREIOS.

As intenções da empresa e do governo com a terceirização são dividir os trabalhadores, enfraquecendo sua capacidade de paralisar as atividades e consequentemente de conquistarem suas demandas. Em sindicatos diferentes, com direitos diferentes e podendo serem demitidos e substituídos a qualquer momento, é evidente a dificuldade de unificar com os trabalhadores efetivos. Enfraquecendo a capacidade de mobilização dos trabalhadores trona-se mais fácil passar medidas como a alteração do convenio médio, baixos salário, privatizações, sobrecarga de trabalho, etc.

Existe apenas uma forma de impedir que este objetivo perverso dos CORREIOS seja atingido: superarmos a divisão e atuarmos como uma só categoria. As demandas dos terceirizados devem ser tomadas por todos os trabalhadores. O sindicato dos ecetistas deve tornar-se na prática também sindicato dos terceirizados e temporários. Devemos travar nossas lutas sempre com a perspectiva de incorporar os trabalhadores terceirizados como trabalhadores efetivos, sem concurso público, pois já provam com seu árduo trabalho que são capazes de cumprir suas funções. E qualquer ataque aos terceirizados deve ser considerado um ataque a todos nós.

A demissão dos mais MOTs em Campinas é um ataque a toda nossa categoria. A empresa dos CORREIOS quer com essas demissões ameaçar os trabalhadores, enviar a mensagem de que não suporta a ideia desta união. Esta ação repulsiva da empresa só demonstra seu ponto fraco, seu temor, seu pesadelo: trabalhadores efetivos, terceirizados e temporários lutando juntos por iguais salários e direitos!

Nós devemos nos solidarizar com estes trabalhadores durante nossa greve e incorporar suas demandas como nossas. O sindicato deve se responsabilizar inteiramente por estes trabalhadores, inclusive pois foram demitidos justamente em uma ação conjunta, somando força aos efetivos. Neste sentido deve amparar e tomar todas as medidas necessárias para reverter as demissões.
Somos todos trabalhadores, efetivos e temporários. Contra a precarização, igual trabalho igual salario!




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