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Trabalhadores sofrem com as demissões nas fábricas de Minas Gerais

Seguem as demissões na cidade de Contagem e Belo Horizonte, com novos golpes da patronal na Vallourec e na Acument, deixando mais de uma centena de trabalhadores na rua e suas famílias sem sustento. O direito ao emprego deve ser garantido com uma ampla campanha pela readmissão desses trabalhadores.

quarta-feira 30 de setembro de 2015| Edição do dia

Redação, Contagem - MG

As demissões seguem atormentando a realidade dos trabalhadores de Belo Horizonte e Contagem. Na siderúrgica Vallourec, mais de cem demitidos nesse começo de semana, e pode chegar até 250 hoje, último dia antes do início do período do dissídio coletivo. Na metalúrgica Acument em dois dias foram mais 35 demitidos, reduzindo a fábrica para quase dois terços dos trabalhadores se comparado a um ano atrás.

A Vallourec produz entre outras coisas tubos de aço sem costura para o mercado de óleo e gás, estrutural e automotivo, sendo a Petrobrás uma das principais clientes da multinacional, o que tem afetado diretamente à produção da empresa, devido à crise da Petrobrás e seus casos de corrupção, como a lava-jato. Apesar disso, a Vallourec no mês de julho declarou lucro de 556 milhões de reais.

Na metalúrgica Acument na região industrial do Cinco foram mais 35 demitidos por telegramas ao longo do final do final de semana. Assim, a patronal italiana segue com as demissões que em um ano já alcançou quase dois terços dos trabalhadores da empresa, ficando hoje apenas cerca de 100 operários. Na empresa é produzido diversos tipos fixadores para os setores automotivos, sendo suas principais clientes as montadoras Volks, Ford e Fiat, que passam por crise nas suas produções.

As empresas demitem alegando os impactos dessa crise econômica, porém o que estão fazendo é salvando seus lucros enquanto os trabalhadores e a população são os que realmente pagam pela crise. Isso porque a cada trabalhador demitido uma família perde parte substancial de seu sustento. Essa realidade não pode seguir assim.

O sindicato segue deixando as demissões passarem e até esse momento não fizeram uma medida de luta contundente contra as demissões. Nenhuma paralisação ou greve foi chamada pela manutenção dos postos de trabalho e a reintegração de todos os demitidos. Descolado da luta, a burocracia atua apenas com medidas pontuais de estabilidade como a liminar (que já foi derrubada) na Vallourec que impedia as demissões chamadas de abusivas por não serem comunicadas antes ao sindicato e nem terem justificativa a não ser, o aumento do lucro dos patrões. Já na Acument os trabalhadores responderam prontamente ao chamado de luta na greve realizada há dois meses atrás, porém o sindicato junto a direção da comissão interna se negaram a colocar o eixo da luta contra as demissões e pela reintegração.

Assim, as demissões seguem enquanto o sindicato espera negociar outras formas de ataques como o Plano de Proteção ao Emprego (PPE), férias coletivas e o banco de horas, mostrando que estão cada vez mais longe da produção, do chão de fábrica e do interesse dos trabalhadores. Estão cada vez mais junto com o governo de Dilma, do PT e com a patronal, longe de preparar e organizar grandes lutas e campanhas que sejam capazes de impedir as demissões e fazer com que a crise não seja descarregada nas costas dos trabalhadores. Vendem os trabalhadores, enganando com discursos demagógicos enquanto os empregos vazam para o ralo.

A realidade da crise da indústria exige uma organização ampla e consistente dos trabalhadores para não seguirem tendo seus empregos retirados a mando da patronal. É dever do sindicato romper seus acordos com o governo Dilma e os planos de PPE e deve chamar medidas efetivas de luta nas fábricas e na cidade contra as demissões e pela reintegração dos trabalhadores que perderam seus empregos.

A seguir entrevistamos G., um dos trabalhadores demitidos da Vallourec:

"No meu setor as demissões iniciaram pela manhã, sendo 4 demitidos e no final do turno de trabalho foram mais 16. Tivemos que ficar até 2 horas a mais do turno de trabalho para finalizar as demissões, ou seja, não ganhamos nada por isso. Do início do ano até agosto foram mais de 400 demissões. O sentimento dos trabalhadores era de medo, pois sabiam que iriam ocorrer mais demissões, muitos pais de família desesperados, pois iriam perder o sustento da família, e o pior sabendo que não podem contar com o sindicato até agora para nada. A liminar foi derrubada na sexta-feira e o sindicato nem apareceu. É preciso um grande movimento nas fábricas e na cidade contra as demissões e pela readmissão dos que foram mandado embora"

Entrevistamos também F., um dos trabalhadores demitido da Acument:

"As demissões vieram e de maneira desrespeitosa quando muitos estavam trabalhando, ficavam sabendo através de telegramas. E as demissões vieram depois que uma greve há cerca de dois meses que fizemos na empresa que foi importante, mas não conseguimos garantir estabilidade de emprego nem a readmissão dos demitidos anteriormente, em torno de 100. A direção do sindicato não luta contra as demissões seriamente."

Entrevistamos Flávia Vale, professora de Contagem e dirigente do MRT:

"A cidade respira o anseio de cada operário que não sabe se amanhã ele também poderá estar sem emprego. E essa agonia é multiplicada quando sabemos que atrás de um trabalhador tem uma família que deixará de ter boa parte de seu sustento. As coisas não podem permanecer como estão: com a patronal mandando e demandando no destino de milhares de famílias. O sindicato da CUT deveria romper seus acordos com o governo e chamar imediatamente um efetivo plano de lutas contra as demissões e pela a reintegração dos demitidos, ainda mais que num momento de crise como esse, fica cada vez mais difícil a recolocação no mercado. Fazemos um chamado para que todas as organizações de esquerda da cidade de Contagem, sindicatos, um chamado para a CSP Conlutas, os partidos de esquerda como o PSTU e PSOL, para prestarem toda sua solidariedade a esses trabalhadores demitidos da Vallourec e da Acument e pela reintegração imediata de cada um deles. Um pólo classista e antigovernista, que unifique as forças dessas organizações em cada uma dessas empresas, contra os governos de Dilma (PT) e Carlin (PCdoB). Assim será possível nos dirigir às bases dos sindicatos da CUT e forçar essa central a preparar a luta contra as demissões, o arrocho salarial e o assédio instaurado pela ditadura patronal nas fábricas. É necessário uma forte campanha em defesa de cada posto de trabalho. Um pólo como esse pode começar a existir a partir da defesa dos demitidos da Vallourec e da Acument dessa semana."




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