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Trabalhadores e juventude podem juntos derrubar abusivas passagens no transporte em SP

Nem mesmo se passou uma semana da aprovação da criminosa da reforma da previdência municipal em São Paulo contra servidores e professores, o SAMPAPREV, e já foi anunciado o absurdo aumento das passagens de ônibus na cidade com mais um ataque do prefeito Bruno Covas (PSDB) contra a população paulistana, assim como também o aumento do Metrô e CPTM a mando do governador João Doria (PSDB).

quinta-feira 3 de janeiro| Edição do dia

Está anunciado pelo prefeito de São Paulo Bruno Covas (PSDB) e pelo governador João Doria (PSDB) o aumento das passagens de ônibus, metrô e trens de R$4 para R$4,30. O aumento de 7,5%, acima da inflação (que fechou 2018 em 3,7%) é mais uma enorme provocação contra a classe trabalhadora, a juventude, os negros e pobres que dependem desses serviços e sofrem diariamente com as condições péssimas dos transportes.

Não bastasse o grande ataque com a aprovação do Sampaprev, a reforma da previdência municipal, um dia depois do natal, que privatiza a aposentadoria de servidores e professores do município, agora Covas e Doria juntos querem roubar ainda mais dinheiro dos trabalhadores da cidade de São Paulo com esse aumento absurdo nas tarifas do transporte para seguir garantindo os lucros dos empresários às custas da população. No país com mais de 10% da população ativa sem emprego que carece de políticas públicas, a política hoje de aumento das passagens vem no mesmo sentido: os governos querem que os trabalhadores e a juventude paguem a conta de uma crise que não geraram.

Nos últimos meses os servidores e professores municipais de São Paulo protagonizaram uma dura batalha para garantir sua aposentadoria, e no último dia 26/12 foram vítimas de uma dura e covarde repressão da policial de Bruno Covas em frente a Câmara quando buscavam impedir a votação do Sampaprev, um Projeto de Lei que privatiza a previdência municipal, prevê o aumento das contribuições previdenciárias e retira direitos dos trabalhadores. Nesse sentido, com o Sampaprev ou com o aumento das tarifas do transporte na cidade de São Paulo o que mostram Covas e Doria é que buscam precarizar tudo o que é público em nome do interesse privado.

O aumento das passagens na cidade e no estado de São Paulo é uma afronta contra os trabalhadores e a juventude que hoje amargam a privatização cotidianamente. Cada vez mais caras se tornam as tarifas do transporte e a qualidade dos serviços estão cada vez mais precárias, com o sufoco aumentando dia a dia com superlotação, falhas em trens do Metrô e CPTM, quadro reduzido de funcionários para prestar um serviço de qualidade de fato, retirada dos cobradores de ônibus, enriquecendo cada vez mais os empresários amigos dos governo. A entrega da Linha 5 - Lilás do Metrô para a iniciativa privada é expressão concreta não só da precarização do trabalho e do sistema e do serviço prestado para a população, que impacta na qualidade e segurança para funcionários e população, como também mata, como ocorreu no trágico acidente da criança de 3 anos na semana passada no Metrô. Enquanto as empreiteiras e multinacionais obtém lucros exorbitantes com o direito ao transporte da população, em troca do financiamento das campanhas eleitorais dos partidos e políticos envolvidos nos mais variados esquemas, a população segue sofrendo.

A justificativa dada, por exemplo, pela prefeitura de Covas é de que o aumento é necessário "para a adequação da receita para reduzir o desequilíbrio do sistema" (1), assim como justificaram a aprovação do Sampaprev, mas quando se trata de aumentar seus salários os mesmos não titubeiam em "economizar", e os vereadores reajustam seus próprios salários em até 26%. O afrontoso aumento das passagens na realidade visa beneficiar e aumentar os lucros dos empresários do transporte, fazendo com que a população, que já paga caríssimo pelo custo de vida na cidade, pague ainda mais com serviços cada vez mais precários numa das cidades mais caras do Brasil, lhes negando o direito básico da população de ter um transporte público e de qualidade.

Bolsonaro (PSL), como presidente recém-empossado, também não perdeu tempo para garantir mais lucros aos de cima às custas dos trabalhadores no primeiro dia do ano, e debochou dos trabalhadores estabelecendo que o valor do salário mínimo não seria R$1006 como já havia sido aprovado no Congresso abaixando o mesmo para R$998, o que torna cada vez mais difícil de garantir o sustento digno de uma família, que dirá as que vivem na cidade de São Paulo. Sem contar de todos os planos que já está anunciando, principalmente pela via do ministro da Economia Paulo Guedes com a reforma da previdência, ameaças à CLT, etc.

Doria, Covas, Bolsonaro querem que os trabalhadores e a juventude paguem a conta de uma crise que não criaram. Debocham da nossa cara nas janelas da Câmara dos Vereadores (como fez o vereador e relator do Sampaprev Fernando Holiday no dia da aprovação do projeto rindo da cara dos professores, ou quando Covas disse que era "mimimi" a brava luta contra o ataque à aposentadoria) porque eles já tem garantidos seus privilégios e regalias cotidianamente pelo estado e com troca de favores com empresários, com altos salários, transporte particular e aposentadoria.

Estes que querem querem seguir garantindo seus lucros, dos grandes empresários, banqueiros, da especulação imobiliária e o aumento das privatizações são os verdadeiros responsáveis por arrombarem as contas públicas, são os que garantem com que as empresas sigam dando calote na previdência nacional de R$450 bi, querendo nos fazer pagar caro para viver mal, que trabalhemos até morrer, querem nos escravizar e nos tirar o direito de ter empregos dignos, nos oferecendo péssimos, precários e caros serviços cada vez mais, colocando nossas vidas em risco, querem acabar com a educação, saúde e transporte no país para enriquecerem seus próprios bolsos.

Os trabalhadores e a juventude não pode aceitar mais estes ataques calados! As grandes centrais sindicais como CUT, CTB, Força Sindical assinaram essa semana uma carta vergonhosa de "respeito" a Bolsonaro (!) aceitando negociar a entrega de nossos direitos. Aceitaram as eleições manipuladas que consolidou o golpe institucional e o autoritarismo do judiciário sem nenhuma resistência, tudo tutelado pelos militares, e agora irão rifar os direitos dos trabalhadores traindo-os novamente. Torna-se urgente varrer esta casta de parasitas dos sindicatos e retomá-los nas mãos dos trabalhadores.

A CSP-Conlutas necessita rever sua posição sobre o golpe, ser vanguarda mobilizando suas forças em exemplo contra esses ataques e exigir um plano de lutas sério que possa unificar os trabalhadores contra a retirada de direitos. Da mesma forma que o PSOL, pela via da Intersindical, utilizando suas figuras parlamentares recentemente eleitas, precisa se delimitar nas suas declarações com essa estratégia de pacificação das centrais e romper com as frentes que faz com partidos como PT, PSB e PDT, totalmente por fora da luta de classes, onde só servirá para criar uma oposição parlamentar ao governo Bolsonaro que reafirme a conciliação de classe, esperando novas eleições em 2022, resultando numa estratégia totalmente insuficiente para os trabalhadores serem vitoriosos.

É necessário organizar a juventude e os trabalhadores para barrar o aumento da tarifa com uma luta real onde a entrada em cena dos trabalhadores com seus métodos de mobilização pela base, atos de rua e greves imponham verdadeiramente um programa que fortaleça a aliança entre trabalhadores do transporte com a população para lutar por um transporte público, gratuito e sob controle dos trabalhadores. No dia 10/01, nós do MRT estaremos no 1º Grande Ato Contra o Aumento da Tarifa em São Paulo, no Teatro Municipal, levando o programa da estatização do transporte sob gestão dos trabalhadores e usuários, única forma de enfrentar as tarifas absurdas dos governos de ricos e poderosos e colocar em marcha a força da nossa classe para acabar com as máfias dos cartéis.

VEJA TAMBÉM: Transporte público começa a aumentar em todo o país e pesa no bolso do trabalhador

(1) Fonte: https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/consumo/noticia/7848423/tarifa-do-transporte-publico-de-sao-paulo-passa-de-r-4-para-r-430




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