Mundo Operário

GREVE NA USP

Trabalhadores e estudantes da USP em greve doam sangue

Durante ato em defesa do hospital universitário, da saúde pública e da educação, trabalhadores e estudantes em greve da USP doam sangue e mostram quem realmente está do lado da população.

segunda-feira 20 de junho de 2016| Edição do dia

Nessa segunda feira, dia 20/06, trabalhadores da USP em greve, junto a estudantes dos cursos da área de saúde e demais cursos em greve, como Letras e Pedagogia, fizeram um ato em defesa do hospital universitário, da saúde e educação públicas. Mostrando à população quem de fato pode e vai defender os interesses do povo trabalhador que necessita de serviços públicos de qualidade, cerca de 150 pessoas saíram da faculdade de Medicina da USP em ato até a Escola de Enfermagem e parte do ato foi até o HC para doar sangue.

Além de reivindicar as pautas da greve, o ato também se colocou contra a lgbtfobia. Há poucos dias, um atentado lgbtfóbico em Orlando matou 49 pessoas e feriu mais 53. Dezenas de lgbts foram doar sangue no dia seguinte para as vítimas, mas tanto lá quanto aqui a população lgbt é considerada um grupo com "comportamento de risco", enfrentando restrições para fazer a doação de sangue - mesmo que os estoques estejam sempre abaixo do necessário. Para a saúde mercadoria a que temos acesso, salvar vidas não importa. Só isso explica a opressão que esse setor perpetua sobre homossexuais e transexuais. Por isso uma das faixas do ato levou as cores da bandeira lgbt, e a ação foi precedida por um debate sobre lgbtfobia na saúde. A faixa, que dizia "Nosso sangue não tem preconceito", foi uma iniciativa da Secretaria LGBT do Sintusp, sindicato dos trabalhadores da USP que mais uma vez dá um exemplo a todas as categorias de trabalhadores do país, aliando a luta por melhores condições de trabalho e em defesa da educação e saúde ao combate a toda forma de opressão.

No meio do ato, os trabalhadores em greve do HC se incorporaram à marcha, mostrando que a luta contra o sucateamento da saúde é uma só.

Enquanto Zago e Alckmin arrancam suor e sangue dos trabalhadores da USP e de toda a educação e saúde do estado, precarizam a universidade e os hospitais e querem elitizar mais e mais a USP, os trabalhadores e estudantes em greve doam o seu sangue à população como forma de denunciar o desmonte da USP e as péssimas condições de estudo e trabalho.

Babi Zaira, trabalhadora do HU e militante do Movimento Nossa Classe, relatou: "A situação do Hospital Universitário é calamitosa. Falta pessoal, fazendo com que leitos que estão prontos não sejam usados porque as contratações estão congeladas. Os trabalhadores estão sobrecarregados, os estudantes têm péssimas condições de ensino e pesquisa e a população, principalmente a população negra pobre da região, fica à mercê de um péssimo serviço. O ataque ao HU é um ataque à saúde pública de toda a Zona Oeste e região e nossa greve segue forte para dizer a Alckmin e Zago que não aceitaremos a desvinculação do HU. E o mais importante desse ato foi ver novamente a unidade entre estudantes e trabalhadores, uma unidade essencial para que a gente possa vencer."

Dentre os estudantes, a greve da USP está especialmente forte nos cursos da área de saúde. A mobilização em prol do HU tem trazido muita gente pra luta contra o desmonte da USP. Mas a luta em defesa do hospital não pode ficar restrita aos cursos da saúde. Flávia Toledo, diretora do centro acadêmico de Letras da USP e militante da Faísca, foi doar sangue no ato de hoje. "É imprescindível que os estudantes comprem a briga em defesa do Hospital Universitário. A proposta de desvinculação é um ataque de princípio à universidade pública. É um ataque ao ensino e pesquisa, pois precariza as condições dos cursos de saúde, à extensão, pois afeta diretamente um serviço que a universidade presta à população que a sustenta, e à permanência estudantil, pois muitos estudantes dependem do Hospital Universitário, já que são poucas as pessoas que têm condições de pagar pela saúde privada, que em si só é um absurdo. É mais uma maneira de a reitoria abrir espaço pra privatização da universidade, já que com a desvinculação ela dá o recado de que os serviços públicos e gratuitos e o atendimento à população não são tarefa da universidade. Mas pra nós eles são sim. E contra a reitoria e os governos de Alckmin e do golpista Temer nós fazemos uma forte greve em defesa da educação e da saúde públicas, gratuitas e de qualidade para todos!"

A USP está há mais de um mês em greve de trabalhadores e estudantes, hoje em greve das três categorias, reivindicando cotas etnico-raciais, permanência estudantil, contratação de professores e funcionários, contra a desvinculação do hospital universitário, e hoje também em luta contra a repressão, que teve sua expressão mais aguda na última quinta-feira, dia 16/06, quando a tropa de choque utilizou bombas e balas de borracha na moradia estudantil, e que se expressa na ação da reitoria de cortar o ponto dos trabalhadores em greve.




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