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Trabalhadores e estudantes da USP: Uma só luta para derrotar a reforma da previdência e os cortes de Bolsonaro

Na Universidade de São Paulo estudam mais de 80 mil alunos, trabalham mais de 13 mil funcionários, lecionam mais de 6 mil professores. Um universo de quase cem mil pessoas conectadas pela maior universidade do país. Ali pulsa um efervescente movimento estudantil e de trabalhadores. Palco de lutas importantes ao longo da história contra governos e em defesa da educação. Agora, diante de ataques brutais à educação e aos trabalhadores, é preciso por de pé uma forte luta, unificando trabalhadores e estudantes contra a reforma da previdência e os cortes de Bolsonaro.

terça-feira 14 de maio| Edição do dia

O desemprego já atinge mais de 13 milhões de pessoas. Boa parte são jovens de até 24 anos. Isso sem contar os milhões de desalentados ou sub-ocupados. A reforma trabalhista prometia, às custas da precarização do trabalho, mais empregos. Mas a cada mês são milhares de postos de trabalho fechados.

O trabalho terceirizado avança no país inteiro e também na universidade. São milhares de postos precarizados, sujeito a baixíssimos salários e condições precárias. Agora Bolsonaro quer aprovar uma reforma que se não morremos de trabalhar, vai nos fazer trabalhar até morrer. Isso para saciar a sede de lucros dos capitalistas. O objetivo da reforma, anunciado pelo próprio presidente, é pagar uma dívida altíssima. A dívida pública. São quase 4 trilhões de reais em títulos da dívida que vão para o bolso dos imperialistas.

Trabalho precário ou desemprego essa é a escolha que o governo coloca na mesa de negociação com os trabalhadores e a juventude.

Não bastasse os capitalistas nos roubarem o nosso pão e o nosso suor, agora pretendem roubar nosso futuro. Atacam a educação com cortes verbas nas universidades e ataque aos professores com projetos como escola sem partido. Além disso, Paulo Guedes, ministro de Bolsonaro já anunciou desde o ano passado que seu plano é desvincular do orçamento receitas e despesas, desobrigando o estado a investir em educação e saúde, um prato cheio para as empresas privadas e mais dinheiro para pagar a dívida pública. Esse plano, se colocado em prática, é um ataque sem precedentes aos direitos da população.

Nesse sentido, a CPI das universidades estaduais paulistas é parte integrante dos ataques às universidades e à educação para por em cheque o financiamento e a autonomia das universidades.

Os reitores das três universidades paulistas soltaram declarações contra a ofensiva ideológica às universidades e o projeto escola sem partido. Diante da instauração da CPI das Universidades, que é parte da ofensiva ideológica contra as universidades, também manifestaram preocupação. Os cortes das bolsas da Capes foram mais um duro golpe. Diante disso o conselho dos reitores da USP, Unesp e Unicamp, o CRUESP, soltou uma nota oficial conclamando a comunidade acadêmica a “debater as questões relativas aos complexos problemas da educação, ciência e tecnologia no Brasil e suas consequências para o desenvolvimento do país” no dia 15 de maio, dia nacional de luta da educação contra a reforma da previdência.

O chamado para dia 15 de maio, feita pela Confederação Nacional dos trabalhadores da Educação, ganhou corpo com os escandalosos cortes de MEC às universidades federais. Os professores, brutalmente atacados pela reforma da previdência e pelo projeto escola sem partido, foram a linha de frente das mobilizações contra a reforma, com greves como a de municipais em São Paulo. Agora se somam ao chamado milhares de estudantes em todo o país contra os cortes à educação.

Não podemos perder de vista a chantagem que Bolsonaro e Weintraub lançaram. Se aprovar a reforma da previdência os cortes podem cair. Essa chantagem, desmascara o governo que, em nome de rifar nosso futuro, está disposto a destruir a educação. Nesse sentido, derrotar a reforma e os cortes são tarefas urgente e parte de uma luta só.

No entanto, os reitores das universidades não se colocaram contra os ataques aos trabalhadores, a reforma da previdência. Isso porque, embora contra os cortes e o cancelamento de bolsas e contra os ataques a autonomia universitária, não são aliados aos trabalhadores e a universidade a qual defendem está de braços dados à iniciativa privada.

Na USP, desde a gestão anterior, da qual o atual reitor fazia parte, aprovou-se uma série de medidas (os parâmetros de sustentabilidade) cujo resultado é o avanço da terceirização e da precarização do trabalho, além de planos de demissão voluntária, congelamento de contratações e arrocho salarial. Isso como parte de um projeto (como coloca o relatório Mckinsey) que avança na privatização da universidade, submetendo a pesquisa aos interesses dos patrões.

A Universidade de São Paulo é umas das melhores universidades do mundo. Em vários rankings internacionais, a pesquisa ali produzida é reconhecida mundialmente. No entanto, esse conhecimento precisa ser posto a serviço da população e dos trabalhadores.

Mas para isso, é preciso levantar um programa que responda os anseios da juventude, dos trabalhadores e do povo. Por isso, defendemos o fim do vestibular. Para que todos possam estudar. E que ao invés de se favorecer grandes corporações de ensino, como a Kroton-Anhanguera, se estatize as universidades particulares. Defendemos também que sejam estudantes, funcionários, professores que estejam a frente da universidade e possam, através de uma assembleia estatuinte, decidir os rumos da universidade e da pesquisa.

Esse programa só pode se levado a cabo com uma massiva luta de estudantes, funcionários e docentes das universidades. Por isso, é fundamental construir uma forte aliança da juventude com a classe trabalhadora.

O dia 15 de maio é um importante dia de luta contra os cortes na educação e a reforma da previdência de Bolsonaro. É preciso construir uma forte mobilização contra esses ataques, rumo a greve geral do dia 14 de junho. Trabalhadores e estudantes da USP e das universidades podem cumprir um importante papel. É preciso exigir das reitorias nenhuma punição aos lutadores, como faltas ou corte de ponto.

Para que nossa luta não seja usada como moeda de barganha pela burocracia sindical, como defende Paulinho da Força e a UGT, e também a CUT do PT e a CTB do PC do B, não podemos deixar nas mãos das cúpulas das entidades sindicais e estudantis o poder de decisão das mobilizações. Muito menos nas mãos das burocracias universitárias. É a base que está em movimento que precisa decidir os rumos da luta. Por isso, é urgente construir um comando único nacional de delegados eleitos nas assembleias de base.

Nós, do Movimento Nossa Classe, junto a Juventude Faísca, colocamos nossas forças para lutar contra a reforma da previdência e os cortes na educação. Não vamos permitir que o legado aos nossos filhos seja de trabalhar até morrer nos piores postos de trabalho, sem nenhum direito. Chamamos todas e todos a estar conosco, desde o início da manhã do dia 15 no portão principal da USP, onde faremos um ato para abrir as atividades do dia. Às 11 horas, vamos à reitoria da USP entregar uma carta exigindo que nenhuma punição seja lançada contra estudantes, funcionários e professores em luta. Nos incorporamos ao ato central às 14h no MASP junto a professores, estudantes e trabalhadores da educação




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