Sociedade

Trabalhadores e a população criam redes de solidariedade aos atingidos pelas enchentes em BH e Contagem

No último domingo cenas de horror passaram pelas redes de muitos moradores da região. As águas do Ribeirão Arrudas e as enchentes mais uma vez tomaram as ruas e as casas. Mais de 200 pessoas ficaram desabrigadas. A Vila Barraginha foi uma das regiões mais atingidas, além da Vila Frigo Diniz, Vila São Paulo, Jardim Industrial, entre outros. E mais uma vez uma rede de solidariedade aos atingidos, formada espontaneamente por trabalhadores e pela população, foi a primeira a estar de prontidão junto às vítimas de mais uma tragédia capitalista anunciada.

quarta-feira 22 de janeiro| Edição do dia

Nos dois dias seguintes às enchentes, trabalhadores da educação também organizaram doações a partir das redes das escolas, como os professores e ASBs (auxiliares de serviços da educação básica) da Escola Estadual Helena Guerra, entre outras escolas que prontamente organizaram doações, ativando suas comunidades. Trabalhadores de fábricas e empresas da região também contaram ao Esquerda Diário que em poucos minutos após a tragédia, haviam nas listas dos grupos de whatsapp de trabalhadores muitas expressões de revolta perante mais uma enchente, e trocas de quando levariam suas próprias doações para os pontos de recolhimento.

As famílias atingidas pelas enchentes de domingo (19) estão alojadas temporariamente em escolas municipais de Contagem, como na escola Pedro de Alcântara. Como ouvimos o relato de um morador atingido abrigado temporariamente na escola, que ainda está com sua casa ainda tomada pelas águas da enchente, que estava prestes a se aposentar, com filhas e netas, mas terá que reconstruir novamente muito do que demorou anos para conquistar. Uma das organizadoras das doações na escola também disse ao Esquerda Diário que se o poder público faz o mínimo esperado, como disponibilizar um médico ao longo de 8 horas na escola para atendimento das vítimas, a verdadeira mobilização de apoio veio em primeiro lugar dos próprios moradores do bairro.

Essa rede de solidariedade espontânea, de trabalhadores e da população, mostra como a resposta aos grandes problemas sentidos nas cidades (como as enchentes e a falta de moradia), passa pelos trabalhadores e pela população, que carregam em sua história e em seu cotidiano uma enorme energia, força e potencial criativo para responder aos problemas estruturais que a população, mais fortemente a população pobre e negra, enfrenta diariamente.

Enquanto isso, o governador Romeu Zema e os prefeitos Alexandre Kalil e Alex de Freitas assistem às enchentes como se estas não fossem fruto de mais uma tragédia anunciada, resultado de um crescimento urbano planejado para atender em primeiro lugar às demandas dos grandes empresários e empreiteiros. Capitalistas a quem todos esses governantes servem seus mandatos, com uma cara de direita populista ou de extrema direita, mas sempre servindo, antes de mais nada, àqueles que tudo possuem de grandes bens e de grandes posses.

Por tudo isso, a mais ampla solidariedade operário e popular, com o necessária exigência dos suporte dos aparatos de sindicatos e dos mandatos de parlamentares de esquerda e progressistas, faz-se imprescindível. Pois a solidariedade é em geral uma ação altruísta, porém num mundo capitalista e em cidades dominadas por grandes empresários esta ação ganha também um caráter de resistência. Pode carregar consigo uma capilaridade e uma solidariedade de classe que tem o potencial de questionar o descaso do poder púbico burguês perante os problemas estruturais das enchentes e do enorme déficit habitacional de BH e da RMBH. Além de poder batalhar por um plano de emergência e prevenção para que não sejam mais os trabalhadores e a população mineira os que sigam pagando com suas vidas.

Há dezenas de postos de recolhimento de doações em Contagem, Belo Horizonte e em toda região metropolitana. As doações podem ser de roupas, produtos de limpeza e higiene pessoal, roupas de cama, utensílios domésticos, alimentos não perecíveis. O Esquerda Diário se solidariza com as vítimas dessa tragédia capitalista anunciada e se coloca à disposição para utilizar seus recursos para divulgar os protestos contra essa situação, as denúncias dos moradores e as ações espontâneas de solidariedade organizada por trabalhadores e moradores da região.




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