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Trabalhadores de Pepsico na Argentina: recolocam a luta de classes no centro da política

quarta-feira 26 de julho| Edição do dia

Desde o dia 20 de junho os trabalhadores de Pepsico em Argentina, no bairro Florida na zona Norte do Estado de Buenos Aires, se encontram lutando contra 600 demissões, pela sua reincorporação.

Durante todo este período utilizaram diferentes formas de luta como acampar frente a fábrica, exigir a intervenção do sindicato, ocupar a fábrica, resistir ao brutal despejo da fábrica ocupada, repressão feita pelo governo do presidente Mauricio Macri e a Governadora do estado de Buenos Aires Maria Eugenia Vidal, uma importante mobilização ampla de umas 30 mil pessoas na Cidade Autônoma de Buenos Aires e um acampamento frente ao Congresso Nacional.

Este conflito se estende durante a campanha eleitoral, as chamadas Primarias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (PASO) o que recoloca em boa medida a luta de classes no centro da cena política. Além disso esta emblemática luta atrasou o plano de avanço da reforma trabalhista que pretendia impor o governo Macri. Sobre isso,
Camilo Mones, delegado da comissão interna da fábrica Pepsico, na Argentina, enviou uma mensagem para os trabalhadores brasileiros: "Imaginem o que podem fazer milhões de trabalhadores e trabalhadoras brasileiros para poder impor ao governo a derrota dessa reforma trabalhista e impor os direitos de todos os trabalhadores".

Na segunda-feira 24 de julho, numa reunião realizada no mencionado acampamento operário de Pepsico em frente ao Congresso Nacional com organizações políticas, sociais e apoiadores se deliberou a favor proposta da comissão interna de Pepsico de realizar uma concentração na quarta-feira 26 de julho 7:30h no Obelisco para realizar posteriormente um corte na principal Avenida do Centro da Cidade, 9 de julho como apresentamos aqui:

Desde as 08h os trabalhadores, organizações políticas e sociais cortaram a Avenida 9 de julho, às 08:15 uma fiscal solicitou que sejam despejados, a Polícia deu 15 minutos para isso, os trabalhadores deliberaram em assembleia resistir e ficaram até as 10 horas em que iniciaram uma mobilização desde o Obelisco até o Congresso pela Avenida de Maio como aparece aqui:

Perto do Congresso tentaram ser impedidos de chegar por parte da Polícia que reprimiu.

Os trabalhadores com combatividade insistiram na sua luta e obrigaram o recuo das forças repressivas e se manifestaram no Congresso no dia em que o macrismo estava montando um verdadeiro show midiático para tirar o eixo da discussão do tema da economia e do desemprego, como recomendou Duran Barba (seu marqueteiro), para o tema da corrupção apresentada de forma seletiva.

Depois destas mobilizações a deputada federal Nathalia González Seligra do Partido de Trabalhadores Socialistas (PTS) – Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT) propôs uma sessão especial na Câmara dos Deputados para tratar do tema das demissões e anunciou a apresentação de um projeto para expropriar a planta Florida da multinacional ianque da alimentação, Pepsico, e colocar sob o controle dos trabalhadores como foi feito com a fábrica ceramista Zanon, hoje Fabrica sem patrões (Fasinpat), em Centenário no estado de Neuquen, ou a fábrica gráfica ex-Donnelley, hoje Madygraft, na grande Buenos Aires.

Em síntese a luta dos trabalhadores de Pepsico nos mostra que é possível vencer a reforma trabalhista no Brasil com a força dos trabalhadores e que devemos impulsionar uma grande campanha de solidariedade em apoio a luta de Pepsico na Argentina e pelo boicote aos produtos desta multinacional no pais.




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