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MINAS GERAIS

Trabalhadores da saúde de MG entram em greve contra ataques do governador Zema

Nesta quarta-feira, dia 15, trabalhadores da Fhemig entraram em greve por tempo indeterminado para garantir o pagamento do décimo terceiro, melhorias nas condições de trabalho e gratificação da ajuda de custo.

quarta-feira 15 de janeiro| Edição do dia

(foto: O Tempo)

Após um primeiro ano de mandato do governador Romeu Zema (NOVO) desastroso também na área da saúde, trabalhadoras e trabalhadores da Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais), que abrange 21 hospitais entraram em greve por tempo indeterminado.

Além do pagamento do décimo terceiro, que apenas 35% dos servidores da saúde receberam, os trabalhadores paralisados reivindicam melhores condições de trabalho e gratificação da ajuda de custo.

Os trabalhadores da saúde que estão há quase dez anos sem reajuste salarial, enfrentaram um ano de cortes e de ameaças de mais ataques na área por parte de Zema.

A pasta da saúde que teve secretário e secretário adjunto trocados diversas vezes, sobretudo por candidatos do NOVO derrotados nas eleições, sequer investiu os 12% previstos em lei e o governo estadual não repassou as verbas da saúde para o município.

Zema segue defendendo aos quatro cantos que a solução seria privatizar os hospitais através das Organizações Sociais (OSs), modelo que gerou caos na saúde do Rio de Janeiro e atraso no salário dos servidores do Estado. Foi essa mesma gestão, que demitiu 40% dos trabalhadores da saúde em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

No final do mês de julho do ano passado, o governo estadual suspendeu o agendamento de novas cirurgias eletivas, alegando que o recurso federal para a sua realização já havia sido utilizado, colocando questões financeiras acima da vida da população.

Em outubro de 2019, os trabalhadores reforçaram sua posição contrária à privatização e terceirização dos serviços de saúde, colocando a necessidade do atendimento público e de qualidade aos usuários em primeiro plano.

Ainda nesse mês, os trabalhadores votaram greve contra uma série de ataques por parte do governo estadual: terceirização, previsão de um plantão a mais por mês, corte no vale alimentação, quebra da isonomia dos servidores públicos – pagando os direitos apenas da segurança pública, além do arrocho salarial.

A greve durou oito dias, entre 7 e 14 de novembro, e foi encerrada com a promessa do governo estadual da realização de um estudo da legislação e financeiro para a extensão do pagamento de Gratificação por Atividade de Gestão da Saúde (Gage), paga até então só para especialistas e de um debate no Conselho Estadual de Saúde em relação ao decreto que pretende privatizar os hospitais.

No final do ano, em 10 de dezembro, o secretário de saúde Carlos Eduardo Amaral, anunciou a fusão dos hospitais João XXIII e João Paulo II e a possibilidade de fusão entre os hospitais Alberto Cavalcanti e o Júlia Kubitschek, com o argumento de redução de custos, medidas que contrariam os trabalhadores da saúde, que afirmam que a fusão significará mais precarização do trabalho e do atendimento aos usuários.

Assim como 2019 terminou com protesto dos servidores do hospital João XXIII que trabalharam de “luto”, utilizando roupas pretas por não terem recebido o décimo terceiro, 2020 começou com manifestação das trabalhadoras do Cerna (Centro de Atendimento Risoleta Neves), que realizam orientação psicológica a mulheres vítimas de violência, cujo atendimento caiu drasticamente, já que o Estado reduziu pela metade o número de profissionais.

Já nos hospitais privados, no dia de ontem, 14, trabalhadoras e trabalhadores do Hospital Felício Rocho, localizado no bairro Barro Preto em BH, amanheceram protestando contra o anúncio do corte do pagamento do adicional noturno aos profissionais que trabalham durante a noite e contra uma medida absurda e machista da direção do hospital: as mulheres foram obrigadas a assinar um termo que constava que não poderiam usar maquiagem, esmalte, determinados sapatos e até cores de calcinha. Além disso, os trabalhadores denunciam assédio moral e más condições de trabalho.

A greve iniciada nesta manhã, já tem a adesão dos trabalhadores do Hospital de Pronto Socorro João XXIII, Hospital Maria Amélia Lins, Maternidade Odete Valadares, Hospital Galba Veloso e Hospital Júlia Kubitschek e deve se alastrar por todos os hospitais da rede. Estão sendo atendidos os pacientes com risco de morte e respeitada a escala mínima de trabalho e atendimento prevista em lei.

A Fhemig declarou em nota que o movimento é ilegal, pois não reconhece a Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais do Estado de Minas Gerais – Asthemg/Sindpros como representante da categoria. O Sind-Saúde, filiado à CUT, ainda não se manifestou sobre a mobilização.

É mais do que urgente lutar em defesa do SUS e pautar a necessidade de um debate sobre qual é o SUS que querem os trabalhadores da saúde, a classe trabalhadora e a população usuária. E que sejam estes que trabalham e utilizam esse serviço cotidianamente os responsáveis por gerir e controlar seu funcionamento.

Nós, do Esquerda Diário, prestamos total apoio à greve dos trabalhadores as saúde e colocamos à disposição nossos recursos para divulgar e fortalecer esta luta, e também para denunciar a realidade da saúde pública estadual, chamando a todos os trabalhadores da saúde e usuários a mandarem seus depoimentos.




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