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Trabalhadores da área de saúde dos EUA chamam sindicatos para que tomem medidas contra a polícia e a violência racista

Um grupo de trabalhadores socialistas da saúde apresentou uma declaração em solidariedade aos protestos contra a polícia e a violência racista, exigindo justiça para George Floyd, Breonna Taylor, Tony McDade, Ahmaud Arbery e Sean Reed.

terça-feira 2 de junho| Edição do dia

Um grupo de trabalhadores socialistas da saúde apresentou uma declaração em solidariedade aos protestos contra a polícia e a violência racista, exigindo justiça para George Floyd, Breonna Taylor, Tony McDade, Ahmaud Arbery e Sean Reed. Eles chamam os sindicatos e as organizações de saúde para se unirem a essa luta. Reproduzimos uma tradução do original publicado na Left Voice, o site americano da Rede Internacional do Esquerda Diário.

Declaração:

Condenamos o assassinato racista de George Floyd às mãos da polícia e acreditamos que a violência policial é uma crise de saúde pública.

Como profissionais de saúde, condenamos o assassinato de George Floyd pela polícia de Minneapolis como um ato de violência racista. Condenamos o assassinato de Breonna Taylor pela polícia de Louisville como um ato de violência racista. Condenamos o assassinato de Tony McDade pela polícia de Tallahasse como um ato de violência racista.

Suas mortes são apenas alguns dos inúmeros exemplos de brutalidade policial responsáveis pela morte prematura de muitos negros nos Estados Unidos, cujas chances de morrer devido à violência policial são três vezes maiores do que as dos brancos.

Como profissionais de saúde, somos testemunhas diretas de como a brutalidade policial prejudica os negros e imigrantes. Também entendemos as origens racistas e anti-negras da polícia, uma instituição que foi criada para controlar e capturar pessoas fugindo da escravidão, e como isso é o que moldou a polícia de hoje. Por causa disso, reconhecemos a violência policial como uma ameaça à saúde pública e o racismo como uma crise de saúde pública.

Condenamos o racismo que controla as medidas de distanciamento social nas comunidades negra e imigrante.

Em Nova York, 40 pessoas foram presas por "quebrar" as medidas de distanciamento social durante a pandemia, 35 das quais eram negras. Enquanto isso, múltiplas evidências fotográficas e de vídeo apareceram mostrando grupos de brancos em parques e lugares públicos sem qualquer intervenção policial.

Essas formas de controle policial invasivo e seletivo, vigilância e punição das comunidades negras e imigrantes, refletem práticas racistas em nome da saúde pública, e as condenamos em todas as suas expressões. Sustentamos, portanto, que não deve ser a polícia a controlar a aplicação do distanciamento social nessas comunidades e que, em última instância, não é necessária para o cuidado com a saúde na pandemia. De fato, ressaltamos a importância das próprias comunidades realizarem essas funções de cuidado e apoio.

Acreditamos que os trabalhadores da saúde fazem parte da classe trabalhadora e, portanto, devemos ser solidários com os movimentos negros e indígenas, especialmente durante a pandemia.

Os trabalhadores da saúde fazem parte de uma classe trabalhadora multirracial e multiétnica que está constantemente sujeita à intolerância e violência racistas. Dentro do sistema de saúde privatizado dos EUA, estamos reduzidos a meros engrenagens lucrativas de grandes clínicas e hospitais que priorizam seus interesses econômicos em detrimento da saúde e segurança de pacientes e trabalhadores.

O trabalho de saúde é explorado de forma semelhante a outros trabalhos não relacionados à saúde, mas em tempos de pandemia é o único que recebe os aplausos da sociedade por estar na linha de frente de uma pandemia global. Em contraste, os trabalhadores negros e imigrantes que fazem nossas cidades trabalhar o fazem por baixos salários e sem qualquer proteção, e sofrem de racismo sistêmico, como visto no desespero do 911, que chama a atenção para o medo do povo negro, a escalada da violência policial e, em última instância, a morte prematura.

Como profissionais da saúde, nos opomos ao racismo que permeia nossas instituições, bem como à estrutura econômica que coloca os lucros à frente das pessoas. Estamos comprometidos em levantar as demandas dos negros, imigrantes e indígenas, e apoiamos conscientemente sua liderança do movimento. Também somos solidários com os trabalhadores médicos e não-médicos empregados pelo sistema de saúde.

Denunciamos a extorsão exercida por empregadores contra profissionais de saúde

Como profissionais de saúde, muitas vezes somos obrigados a permanecer neutros quando interagimos com representantes de instituições que prejudicam nossos pacientes. Isso muitas vezes significa permanecer em silêncio diante das injustiças perpetradas contra pacientes negros, imigrantes e indígenas e suas comunidades. Como resultado, as demandas por neutralidade reforçam o status quo branco supremacista, legitimando instituições como a polícia racista e não permitindo que instituições destrutivas sejam desafiadas. Os profissionais de saúde negros ou imigrantes certamente entendem melhor do que ninguém a terrível dupla lealdade (aos seus respectivos grupos étnicos, por um lado, e aos seus empregadores, a NdT) que os profissionais de saúde podem exibir a instituições de poder que materializam a supremacia branca e a opressão de classe.

Como profissionais da saúde, não perpetuaremos ou normalizaremos mais a supremacia branca e o poder de classe, mantendo práticas de neutralidade enquanto nossos pacientes são mortos na rua.

Denunciamos que sob o capitalismo racial os trabalhadores são descartáveis, especialmente na época da Covid-19

Denunciamos a subjugação dos trabalhadores pelo capitalismo e sua dependência do racismo e da instituição racista da polícia. Todos os dias vemos os efeitos desta dinâmica em nossos pacientes. A divisão e o controle que o capitalismo racial exerce sobre os trabalhadores nos obriga a trabalhar em condições inseguras durante a pandemia.

Acreditamos que não é coincidência que, nesta sociedade profundamente racista, a grande maioria dos trabalhadores essenciais sejam os mesmos negros, imigrantes e indígenas que são desproporcionalmente afetados pela Covid-19.

Apoiamos e mostramos solidariedade com os protestos contra a violência racista

Vemos que o racismo e a violência dos supremacistas brancos aumentaram com a retórica racista e xenófoba de Trump. O povo de Minnesota, juntamente com outras cidades do país, está começando a se levantar contra o racismo e a opressão capitalista, utilizando várias estratégias e métodos de ação direta. Reconhecemos esses métodos como a legítima e necessária expressão da raiva de um povo levado ao limite por uma ordem social que o priva de seus direitos, e acreditamos no seu potencial revolucionário.

Como trabalhadores da saúde, estamos ao lado daqueles que resistem ao racismo que existe nos Estados Unidos, um país fundado sobre o genocídio e a escravidão, concebido sobre terras roubadas dos povos indígenas.

Condenamos a polícia a aterrorizar as comunidades que servimos e não ficaremos em silêncio enquanto isso continuar. Acreditamos na erradicação do vírus da violência policial, da supremacia branca que subjaz à estrutura capitalista e de qualquer outro sistema que se beneficie do terrorismo das comunidades nos Estados Unidos e no mundo.

Exigimos que nossos sindicatos e respectivas organizações de saúde assumam suas demandas agora e se juntem a esta luta. Exigimos justiça para George Floyd, Breonna Taylor, Tony McDade, Ahmaud Arbery, Sean Reed e todas as vítimas de violência policial. Demitir oficiais não é suficiente. Todos os policiais envolvidos nesses assassinatos devem ser presos e processados.

Tomando as palavras dos manifestantes de Minneapolis:

"Julguem os policiais! Sem justiça não haverá paz"!

Nós nos juntamos a esta luta.




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