Mundo Operário

AJUSTES NA USP

Trabalhadores da USP realizam encontro para lutar contra o Desmonte e o Arrocho

Patricia Galvão

Trabalhadora da USP e integrante da Secretaria de Mulheres do SINTUSP

sexta-feira 25 de março de 2016| Edição do dia

Centenas de trabalhadores de diversas unidades da USP discutiram, frente à situação nacional, como responder aos ataques da direita e os ajustes do governo do PT e também contra o desmonte da universidade. A mesa de abertura foi composta pela Profa. Adriana, da Física, representando a Adusp, Prof. João, da Unesp, pelo Fórum das Seis, Gabriela, estudante, representando o Juntos e o DCE, Leandro Ventura, petroleiro, pelo MRT, Mancha, do sindicato dos metalúrgicos de São José, pela CSP-Conlutas e Magno, diretor do Sintusp.

Diante do cenário de polarização política, Leandro Ventura ressaltou que não se pode apoiar o impeachment, uma manobra reacionária que atribui aos políticos corruptos e à direita, a derrubada do governo Dilma. Tampouco ter ilusões no judiciário e no Juiz Moro que, com interesses ligados à Shell, e ao PSDB, atropela a constituição, pra garantir seus interesses, ou seja nem os direitos democráticos burgueses são respeitados pelo “partido do judiciário”. For fim, não cair também na defesa do governo Dilma e do PT que não apenas está aplicando duríssimos ajustes nas costas dos trabalhadores, mas aproveita para canalizar os sentimentos anti-direita para se fortalecer. O PT é responsável pela ofensiva da direita pois nesses anos todos nutriu essa mesma direita. E com Lula ministro, a ideia é passar mais rápido ainda os ajustes tão desejados pelos burgueses. Afirmou que o melhor para combater a direita é o fortalecimento da esquerda e não do PT.

Dentro da USP o cenário não é diferente. Numa ofensiva contra os trabalhadores, terceirizando bandejões, fechando creches, o reitor Zago também busca ele próprio avançar nos ataques também aos docentes com a aprovação do “Marco Legal da Ciência e da Tecnologia Públicas” que não apenas permite que professores sejam contratados através de Organizações Sociais (as famigeradas OSs), direciona a pesquisa para servir aos interesses do capital privado e não da população. O Manifesto pela Ciência e Tecnologia Públicas” foi lido pela professora Adriana e aplaudido pelo plenário.

O Encontro discutiu também a necessidade de construir uma forte greve das três estaduais e das três categorias para combater os golpes desferidos pelas reitorias . A paralisação votada pelo Sintusp, para o dia 31/03, juntamente com os estudantes, deve ser um dos passos para a construção de uma fonte mobilização.

Como importantes resoluções, o encontro assumiu que a luta das mulheres deve ser parte da luta contra o desmonte da USP e abraçadas por toda a categoria. No momento que Zago gasta milhões com campanhas publicitárias, através do USP Mulheres, dizendo que as mulheres podem “ser chefes”, ele fecha creches, deixando claro que as mulheres na USP não podem, sob seu comando, estudar e trabalhar, deixando seus filhos atendidos por uma creche de excelência dentro da USP.

O Encontro também reafirmou a luta por “Cotas Já” e contra o racismo institucional da USP. Assumiu a luta em defesa da Escola de aplicação, junto aos pais e estudantes, bem como a defesa das creches da USP e a reabertura imediata da creche do HU, fechada no início do ano.

Como parte de lutar dentro e fora dos muros a USP, a categoria votou abrir o debate sobre a situação nacional, com a publicação nos meios virtuais, das posições políticas das diversas correntes que compõe a categoria e seus independentes. Em sua assembleia, dia 31 de março, depois de apresentadas as posições políticas, a categoria deve votar sua resposta a crise que toma as ruas do país.

Assim, os trabalhadores da USP saem fortalecidos para combater o desmonte da USP, dos Hospitais Universitários e a precarização das suas condições de vida e de trabalho.




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