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Trabalhadores da USP iniciam debate em torno da campanha salarial

Nesta segunda-feira, dia 22/02, os trabalhadores da USP vão se reunir em assembleia para dar início a campanha salarial de 2021. Entre as demandas aprovadas pelo Conselho Diretor de Base do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) para serem discutidas na assembleia está a luta contra a reforma administrativa e o ataque aos serviços públicos, bem como lutar contra os ataques aos trabalhadores efetivos e terceirizados da universidade.

segunda-feira 22 de fevereiro| Edição do dia

Estamos completando um ano de pandemia que provocou a perda de amigos e familiares, fruto das irresponsáveis políticas públicas aplicadas por todos os governos, os patrões e administradores dos órgãos públicos, que aproveitaram dessa situação calamitosa para avançar em ataques contra os nossos direitos, provocando demissões em massa, precarização do trabalho, sobrecarga, especialmente dos trabalhadores da linha de frente e uma série de medidas antioperárias. Além disso, para garantir os lucros dos patrões, tanto Bolsonaro, nacionalmente, quanto os governadores como João Doria mantém congelados os investimentos em saúde e educação provocando um desmonte dos serviços públicos e atacando o funcionalismo, arrochando salários e avançando na terceirização.

Na USP durante o ano passado, a Reitoria manteve os salários e benefícios arrochados, se aproveitando da situação da pandemia para reduzir o poder de compra dos trabalhadores da USP. Agora no início do ano a Reitoria divulgou, com orgulho, que, mesmo com uma diminuição na arrecadação do ICMS e, consequentemente, da verba repassada para as Universidades, houve uma queda do comprometimento financeiro da USP com a folha de pagamento. Mas de onde vem então esse caixa positivo da Universidade?

É evidente que a redução desse comprometimento tem por trás o congelamento de contratações de funcionários que tem sobrecarregado os trabalhadores da USP. No Hospital Universitário a situação é dramática. Desde antes da pandemia, os trabalhadores lutam por contratações para que o hospital funcione em sua plena capacidade, atendendo a população e a comunidade USP. No entanto, desde 2014 não há contratação de funcionários efetivo. Com a pandemia, os trabalhadores da linha de frente que fazem parte do chamado grupo de risco, por serem maiores de 60 anos ou possuírem alguma comorbidade não foram liberados pela reitoria. São pelo menos 6 trabalhadores da USP que faleceram em decorrência da contaminação pela covid-19 no local de trabalho que eram parte do grupo de risco, dois desses no HU. Essa redução da mão-de-obra, com demissões, PIDV’s e aposentadorias e a não renovação do quadro afeta em primeiro lugar as condições de vida e trabalho dos trabalhadores, mas também afeta de conjunto as pesquisas e a qualidade do ensino na Universidade. É devido a essa política da Reitoria que os prontos-socorros do HU foram referenciados e que nem a população nem a própria comunidade USP consegue mais ter acesso ao atendimento no Hospital Universitário.

É necessário denunciar que essa mesma Reitoria, que arrocha os salários dos trabalhadores efetivos e que expande os ramos de atuação de empresas terceirizadas na Universidade, enquanto reduz o quadro de trabalhadores terceirizados da limpeza e segurança, acumula dinheiro para pagar os seus próprios supersalários, que chegam a mais de R$30.000,00.

Enquanto a Reitoria da USP quer fazer os trabalhadores de palhaços com os dados da CODAGE (Coordenadoria de Administração e Gestão) que apontam sobra financeira, os governos estadual e federal buscam medidas para atacar os serviços públicos e, assim, o conjunto do funcionalismo. Os deputados Congresso, governadores como João Doria, com o apoio da mídia como a Folha e o Estadão, estão junto a Bolsonaro para dividir a classe trabalhadora. Para aprovar a reforma administrativa que desmonta e privatiza os serviços destinados à população taxam o funcionalismo, composto por professores, médicos, enfermeiros e trabalhadores técnicos administrativos de privilegiados. Mas, mantém privilégios da casta política, dos militares e do judiciário, responsabilizando os serviços públicos pelos gastos governamentais em detrimento ao pagamento do auxílio emergencial para os trabalhadores prejudicados pela pandemia.

Sabemos o quanto esse discurso busca ao mesmo tempo manter os privilégios daquela casta do funcionalismo público ligado aos políticos, ao judiciário, aos militares e aos altos cargos de chefia, enquanto precariza os serviços públicos para própria população ao demitir, arrochar e atacar os salários e condições de trabalho da grande massa dos servidores públicos. Enquanto isso o governo Bolsonaro e as Forças Armadas seguem gastando milhões do dinheiro público em leite condensado. É um absurdo quererem condicionar a manutenção do auxílio emergencial com ataques aos funcionários públicos. Por isso uma das bandeiras da nossa campanha salarial é a manutenção do auxílio-emergencial para todos que necessitem e o combate à reforma administrativa.

A reunião do Conselho Diretor de Base do Sintusp aprovou como fundamental que a campanha salarial dos trabalhadores da USP dialogue com todas as demandas sentidas pela população, desmascarando esse discurso da grande mídia e dos governos e mostrando que nós também combatemos os verdadeiros privilegiados dentro da Universidade, que são os Reitores e sua meia dúzia de professores titulares que ganham supersalários, estão por trás das Fundações Privadas que lucram com a pesquisa e com o avanço da terceirização, administrando inúmeros contratos e licitações na USP, se aproveitando da sua localização privilegiada na administração da Universidade pra propor medidas administrativas, políticas e educacionais à serviço dos interesses de empresas privadas e não a serviço da população.

É preciso construir uma forte unidade do funcionalismo público para revogar a lei do teto dos gastos de Temer, a Reforma Administrativa de Doria e e barrar a reforma administrativa de Bolsonaro. O SINTUSP pode ser ponta de lança, junto com a Conlutas, de construir um polo com os demais sindicatos de esquerda do funcionalismo público para tomar medidas unificadas que obriguem a que a CUT, CTB e demais centrais sindicais saiam da sua paralisia e e construam uma forte mobilização da classe trabalhadora na luta contra as reformas, as demissões, o arrocho salarial e o congelamento de contratações e salários e pela manutenção dos empregos e do auxílio-emergencial para todos que precisam.

O Movimento Nossa Classe tem atuado buscando debater com as organizações de esquerda, como o PSOL e o PSTU, pra incentivar a construção desse polo, que seja capaz não apenas de pressionar as burocracias da grandes centrais sindicais a uma frente única em defesa dos nossos direitos, mas que também possa ter a força de colocar abaixo esse governo de Bolsonaro, Mourão e dos militares e todo esse regime golpista centrado no STF e nas forças do “centrão” no Congresso Nacional, uma mobilização que não aceite ser canalizada apenas para o impeachment de Bolsonaro, mas que se eleve contra todas as instituições desse regime golpista.




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