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Trabalhadores da USP criam comando de delegados eleitos para enfrentar crise do Coronavírus

O Governo João Doria determinou a suspensão das aulas de toda a rede pública e particular de ensino, inclusive as três universidades estaduais paulistas, USP, Unesp e Unicamp para conter a disseminação do coronavírus. Com o cancelamento das aulas de toda a universidade ficou escancarada a postura discriminatória do reitor Vahan Agopyan e dos dirigentes da USP em relação aos milhares de trabalhadores efetivos e terceirizados da USP. Embora as aulas estejam suspensas a partir de hoje, 17 de março, os funcionários não foram liberados das atividades presenciais, estando sujeitos a todos os riscos de contágio seja no transporte público ou na própria universidade.

terça-feira 17 de março| Edição do dia

Diante desse enorme absurdo, o Sintusp, Sindicato dos Trabalhadores da USP, convocou na segunda-feira reuniões em diversas unidades para discutir com os trabalhadores as medidas a serem exigidas diante dessa crise sanitária de proporções mundiais. Os trabalhadores elegeram delegados para a formação de um comando de mobilização e discutiram um indicativo de greve até que sejam suspensas as atividades presenciais, sejam elas realizadas por funcionários efetivos ou terceirizados. A primeira reunião desse comando, aconteceu na própria segunda-feira, com a presença de diversos delegados de várias unidades. Representantes dos Centros Acadêmicos da Letras (CAELL) e Pedagogia (CAPPF) e estudantes que compõe a juventude Faísca levaram um abaixo-assinado endereçado à reitoria exigindo que tratamento dado aos professores e estudantes seja estendido aos trabalhadores efetivos e terceirizados.

Nesta terça-feira está ocorrendo novas reuniões para discutir o indicativo de greve e eleger mais delegados para o comando de mobilização. A reunião do comendo ocorrerá no final da tarde.

Nas reuniões muitos trabalhadores denunciavam a situação calamitosa da saúde pública e que essa crise sanitária foi cuidadosamente planejada pelos governos que congelaram o teto de gastos com a saúde, avançaram na privatização, falta de contratação de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem e uma série de políticas de sucateamento da saúde e do SUS. Na USP o desmonte do Hospital Universitário (HU) e dos Centros de Saúde, a tentativa de desvinculação do HU e a efetivação da desvinculação do HRAC de Bauru são mostras do descaso da reitoria com a saúde, a pesquisa e a extensão universitárias. E justamente os “gerentes” da crise do coronavírus na USP são o reitor Vahan Agopyan e seu vice Antonio Carlos Hernandes e o presidente do Comitê Permanente USP Covid-19, Paulo Ramos Margarido. Ou seja, justamente os responsáveis pela absurda situação que se encontra o Hospital Universitário, que permanece referenciado, com os prontos-socorros adulto e infantil fechados para a população.

Saiba mais: Trabalhadora do Hospital da USP explica alguns pontos para enfrentar crise do Coronavirus

Entre as medidas a serem exigidas além da suspensão das atividades presenciais estão:

1) Contratação imediata e emergencial de profissionais para o HU, para ampliar a capacidade de atendimento da população.
2) É preciso também que sejam garantidos protocolos de segurança e equipamentos de proteção individual aos trabalhadores responsáveis por atividades essenciais, algo que hoje é negligenciado, já que nem álcool gel há na maior parte das unidades.
3) Para os moradores do CRUSP (conjunto Residencial da USP), a moradia estudantil, e todos os estudantes que necessitem: disponibilização uma bolsa emergencial para alimentação, ou compra de marmitex. Além disso, os moradores do CRUSP passam por problemas graves como falta de equipamentos nas cozinhas, ou mesmo falta de água por problemas de manutenção, questões que demandam uma saída emergencial.

Veja também: E o CRUSP diante da crise do Coronavírus?

Veja aqui o Boletim 16 do Sintsup

Também foi bastante debatido entre os trabalhadores a situação das mães trabalhadoras, efetivas e terceirizadas, que com o cancelamento das aulas se perguntam com quem deixar os filhos menores. Com as crises econômicas e agora também essa crise sanitária vemos o preço que o patriarcado cobra das mulheres. Sobre elas recai a dupla jornada, o cuidado com os filhos, os idosos e os doentes. Com a suspensão das aulas governo e reitoria jogam nas costas das famílias a responsabilidade como se a saúde da maioria da população fosse um assunto privado que dependesse de "responsabilidade individual".

É fundamental avançar na organização dos trabalhadores para pensar as medidas urgentes a serem exigidas e impostas. Essa crise ultrapassa os muros da universidade e mira nos trabalhadores e nos mais pobres. Não se pode aceitar nem demissões de trabalhadores, nem medidas de ajustes que precarizem ainda mais as condições de vida e trabalho. Estamos diante de uma crise de proporções nunca vistas e que, mais do que nunca, os trabalhadores precisam fortalecer a solidariedade e estar unidos e conscientes e para que não paguem com sua saúde e sua vida.

Leia mais: Diante do coronavírus e da crise da saúde pública: nossas vidas valem mais que os lucros deles!




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