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GREVE USP

Trabalhadores da USP aprovam greve a partir do dia 12/05

Em uma assembleia cheia, realizada em um dia marcado por uma forte paralisação da categoria em todas as unidades, os trabalhadores da USP aprovaram, sem nenhum voto contrário, a necessidade de uma greve por tempo indeterminado para barrar os ataques da Reitoria, a ameaça de arrocho salarial e em defesa dos empregos.

quinta-feira 5 de maio de 2016| Edição do dia

Como disse Claudionor Brandão, Diretor do SINTUSP, ao defender a necessidade da greve “Zago declarou guerra contra os trabalhadores da USP e abriu fogo. Se não resistirmos a altura, com uma ação que possa segurar o projeto da Reitoria, ano que vem essa Universidade não existirá mais tal qual a conhecemos. E provavelmente não estaremos nela”.

Essa afirmação se mostra verdadeira tanto pelas palavras do Reitor, quanto pelas suas atitudes em relação a diversas unidades. Em um ano as Prefeituras da capital e do interior tem sido desmontadas e, praticamente, já não existem mais enquanto unidade. Dois restaurantes foram terceirizados só no campus Butantã. A recepção de novas crianças nas creches está há dois anos parada e sem perspectiva de abertura de vagas. A Reitoria tem centralizado as funções de várias áreas administrativas. E o Hospital Universitário a cada dia fecha novos postos de atendimento devido a falta de funcionários, o ultimo foi o Pronto-Socorro Infantil noturno, mas antes já haviam sido fechados leitos na UTI, berçario, centro cirúrgico, ortopedia e oftalmologia. Um claro sucateamento buscando justificar a desvinculação e terceirização para as mãos de uma Organização Social (OS) ou Fundação Privada.

Todas essas medidas são parte da preparação das condições para uma demissão em massa. Ao mesmo tempo em que o Reitor toma essas atitudes ele responsabiliza “a quantidade excessiva de funcionários” pela crise financeira da Universidade. Argumentando que 104% do orçamento da USP esta comprometido com a folha de pagamento dos funcionários, e que seu projeto tem como horizonte a Universidade de Bologna, na qual a relação entre trabalhador efetivo e professor é de um para um, o Reitor sinaliza que, para equilibrar as contas da Universidade, pretende arrochar os salários e demitir funcionários. A negociação na qual a Reitoria apresentará o índice de recomposição salarial será dia 16/05, e os trabalhadores já disseram que não aceitarão menos do que a inflação do DIEESE (ao redor de 11%) mais 3% das perdas históricas acumuladas.

É contra esse desmonte e a ameaça de arrocho salarial, e em defesa dos empregos, que os trabalhadores da USP estão há um ano resistindo em várias unidades, como no Hospital, na Prefeitura, nas Creches e nos Restaurantes. Durante esse tempo a categoria se deu conta de que, se a resistência continuasse sendo isolada, seríamos todos derrotados conjuntamente. Foi assim que, em meio a maior paralisação do ultimo ano e meio, os trabalhadores da USP votaram por ampla maioria pela greve por tempo indeterminado a partir de 12/05.

Além desses fatores, a greve também se levanta em defesa da organização sindical e política. Marcelo Pablito, também diretor do Sintusp, disse “Zago sabe que o principal empecilho para a implementação do seu projeto de Universidade é a resistência dos trabalhadores da USP. Em entrevista para a revista Veja em 2014 ele disse que, para avançar em seu projeto, era necessário acabar com a dinâmica de sindicalismo na Universidade. Além da criminalização de nossa luta e de ações anti-sindicais em várias unidades, a Reitoria mantem a perseguição contra a Diretoria do Sindicato. A última atitude do Reitor foi exigir a retirada de nossa sede e ameaçar o uso de força para despejar o SINTUSP. A decisão dos trabalhadores de entrar em greve contra essa atitude arbitrária e unilateral é uma demonstração de que resistiremos a essa ameaça violenta e anti-sindical da Reitoria.”

Por fim, o Diretor Bruno Gilga, lembrou que “mais uma vez os secundaristas de São Paulo tomam a dianteira e se enfrentam com os ataques do governo Alckmin à educação. São catorze escolas ocupadas, além do Centro Paula Souza e da Assembleia Legislativa, exigindo merenda nas escolas que não possuem e a apuração dos desvios de verba das merendas das escolas, que envolve a cúpula tucana de São Paulo, em particular o presidente da ALESP, Fernando Capez. Devemos ter como pauta de nossa greve o apoio e solidariedade incondicional a luta dos estudantes e secundaristas e o repúdio as ameaças de reintegração. Para vencermos é necessário unificarmos com os estudantes em uma luta pela educação pública, gratuita e de qualidade”.




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