Política

PATRÕES COAGINDO TRABALHADORES

Trabalhadores da Latam sofrem pressão de chefes por não apoiarem Bolsonaro

Funcionários que não apoiam Bolsonaro são intimidados durante a jornada de trabalho. Coações eleitorais atingem 199 denúncias em 60 empresas

sábado 27 de outubro| Edição do dia

As eleições deste ano tem mais uma marca a ser lembrada: a Procuradoria Geral do Trabalho (PGT) já registrou o número recorde de 199 denúncias de coação eleitoral praticada por empresas ou chefes. Na maioria dos casos, trata-se de pressão para que o trabalhador declare apoio ou defenda Jair Bolsonaro, candidato de extrema direita do PSL que declaradamente se posiciona contra a classe trabalhadora e já bradou diversas vezes que aprofundará ainda mais os ataques que os trabalhadores vêm sofrendo desde o golpe institucional.

Trabalhadores da Latam enviaram relatos à CUT-SP sobre a pressão que estão sofrendo no ambiente de trabalho. Contam que ao declararem apoio ao adversário de Bolsonaro, Fernando Haddad (PT), passam a ser alvos de “piadas” dos chefes e da equipe, o que acaba por estabelecer um ambiente insuportável de trabalho.

Em uma troca de mensagens via Whatsapp, uma das trabalhadoras da Latam diz a outra colega que seu emocional está abalado e que está sendo afetado por ter que se submeter a constrangimentos públicos e intensas discussões sobre o tema no ambiente de trabalho, durante sua jornada de trabalho.

Em resposta, a Latam afirma não ter conhecimento dos fatos e que "repudia veementemente qualquer tipo de ofensa e prática discriminatória".

Os funcionários não quiseram se identificar com medo de ainda mais constrangimentos e até mesmo demissões. Segundo relatos da tripulação, na maioria das vezes, o “questionamento” sobre a opção política dos funcionários parte dos comandantes e ocorre durante a apresentação interna entre os integrantes da equipe do voo, que se reúne numa sala da empresa. Este é o momento para tratar sobre as normas de segurança, mas em meio às normas e procedimentos profissionais, os elogios ou referências a Bolsonaro extrapolam o diálogo de modo que quem não entra na conversa ou se mostra indiferente, acaba sendo tachado de “petralha” ou “pão com mortadela” e daí em diante, passa a ser alvo de intimidação durante a jornada de trabalho.

Não surpreende que parte dos trabalhadores da LATAM se posicionem contra Bolsonaro, o candidato que promete ir mais fundo e violentamente contra os direitos dos trabalhadores e promete impor ainda mais precarização e terceirização no setor que vem sofrendo com demissões em massa desde a implantação da reforma trabalhista.

Circulou também pelas redes uma foto mostrando funcionários uniformizados e fazendo sinais de armas com as mãos, marca do candidato de extrema direita do PSL. Tal alusão a Bolsonaro ocorreu dentro de uma aeronave estacionada e repercutiu após a atriz Monica Iozzi e a jornalista Cilene Victor compartilharem em suas redes sociais e questionarem a segurança dos passageiros, já que o ato incita a violência.

Na quarta-feira (24) foi divulgada circular interna para os funcionários, assinada pelo CEO Jerome Cardier. No documento, Cardier afirma que não é permitida "nenhuma publicação ou veiculação que expresse manifestações sobre política, raça, religião, gênero ou orientação sexual quando uniformizados e/ou em ambientes ou dependências da Latam".

Em nota, a Latam informa que "adotará as medidas cabíveis a respeito do tema".

Já são mais de 50 os casos de violência e agressões incitados pelo discurso de ódio às minorias de Bolsonaro. Segundo ele, estas devem se curvar à maioria ou simplesmente desaparecer. É inaceitável que nos locais de trabalho e estudo sejamos submetidos a insultos, discriminação, constrangimentos ou que sejamos alvo da violência dessa extrema direita. Como você pode ver aqui

Trabalhadoras argentinas da LATAM se solidarizam com brasileiros que lutam contra Bolsonaro

Para combatê-la é urgente que exijamos que os sindicatos, sobretudo CUT e CTB, mobilizem os trabalhadores. Que se ergam os comitês de base para barrar esses ataques e os que ainda virão. Somente com a força de nossa luta em cada local de trabalho e estudo e através de nossa mobilização para além das urnas, será possível derrotar Bolsonaro, os golpistas, a extrema direita e as reformas.

Levantemos essa grande força para que sejam os capitalistas a pagarem pela crise!

Veja também: https://t.co/9Z6NADS1X6




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