Mundo Operário

DEMISSÕES MONTADORAS

Trabalhadores da Ford SBC decretam greve contra mais de 200 demissões

quinta-feira 10 de setembro de 2015| Edição do dia

Nesta quinta-feira(10/09) cerca de 4000 trabalhadores da Ford de SBC, decidiram em assembleia iniciar uma greve, por tempo indeterminado, contra as mais de 200 demissões anunciadas pela empresa na quarta-feira. Segundo a própria direção do sindicato, o numero de demitidos ainda é incerto, os dirigentes ainda afirmam que ficaram bastante surpresos com a decisão da multinacional, pois em março desse ano haviam firmado acordo com a empresa que previa estabilidade para todos os funcionários da unidade até 2017. Entre os demitidos, estão trabalhadores que estavam afastados por meio de banco de horas, e lay-off.

A clausula de estabilidade que o sindicato negociou em março com a empresa, também previa, além de congelamento nos reajustes e o afastamento por bando de horas, em troca da estabilidade até 2017, uma clausula onde a empresa estaria autorizada a negociar demissões caso houvesse crise nacional no setor automotivo, algo que em março desse ano já estava muito bem colocada, com demissões em diversas montadoras pelo pais e em especial na região do ABC. Agora a direção Cutista resolveu utilizar outra tática, a greve para conquistar o PPE! Como na Mercedes que após 7 dias de paralisação, o sindicato fechou um acordo com a empresa de implementar o PPE e outras medidas de ataque aos direitos trabalhistas. Porém, a Ford já declarou abertamente não ter nenhum interesse em aderir ao programa, “pois não atende as necessidades da unidade”.

Segundo a empresa, a intenção é reduzir o numero de trabalhadores para se adequar a nova realidade de demanda do mercado automotivo. Atualmente são produzidos por hora 35 carros e 13 caminhões , sendo que normalmente eram produzidas 55 unidades por hora, a intenção da empresa é de reduzir essa produção até janeiro de 2016 para 28 carros e manter 13 caminhões por horas, algo que segundo o próprio dirigente do sindicato José Quixabeira de Anchieta, o Paraíba, ocasionaria um excedente de 284 funcionários. Desde o inicio do ano empresa e a direção do sindicato vem negociando diversos acordos como: férias coletivas, PDV (Programas de Demissão Voluntário), adoção de lay off (contratos suspensos temporariamente) para cerca de 160 funcionários até outubro, e o afastamento por meio de banco de horas para 59 pessoas desde fevereiro.

Recentemente (em julho), a companhia contratou 268 trabalhadores terceirizados, que prestavam serviços de abastecimento de linha de montagem, recebimento de materiais e operação de empilhadeiras. Ao mesmo tempo, outros 210 que já possuíam vínculo empregatício com a montadora foram remanejados internamente para atuar na área de logística. Entre estes, 57 estavam em lay-off desde maio e retornaram à fábrica. Algo que demonstra qual a estratégia que a multinacional vem utilizando para ampliar seus lucros, se utilizando da crise para descarregar mais ataques sobre o conjunto dos trabalhadores. Por outro lado a direção do sindicato, buscou durante o ano todo tranquilizar os trabalhadores com péssimos acordos fechados em quatro paredes com a empresa, e agora estão em uma situação bastante difícil, onde os sindicalistas da CUT defendem que a única alternativa para lutar, é fazer uma greve para conseguir implantar o PPE, onde também somente os trabalhadores sairiam perdendo com a redução de salários por um prazo muito curto e dentro de um pacote que inclui perda de direitos elementares, como o dissídio.




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