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CRISE NO RIO

Trabalhadores da CEDAE em luta convocam ato contra a privatização nesta sexta-feira no BNDES

O BNDES junto com o governador do Rio Luiz Fernando Pezão e o governo federal marcaram para esta sexta (28) uma nova reunião para avançar na privatização da companhia. A proposta de adquisição da Cedae está sendo organizada entre o BNDES, o Ministério da Fazenda e o governo do estado do Rio.

Juan Dias

RIO DE JANEIRO

quinta-feira 27 de julho| Edição do dia

O BNDES junto com o governador do Rio Luiz Fernando Pezão e o governo federal marcaram para esta sexta (28) uma nova reunião para avançar na privatização da companhia. A proposta de adquisição da Cedae está sendo organizada entre o BNDES, o Ministério da Fazenda e o governo do estado do Rio. Na terça-feira (18) a proposta foi apresentada para o golpista Temer que aprovou a proposta feita pelo presidente do BNDES, Paulo Rabello. Os trabalhadores da CEDAE convocam a todos que queiram defender a água pública a aderir a manifestação na porta do BNDES (Av. Chile, 100) essa sexta-feira, 28 de julho, às 10h.

Na anterior reunião foi colocada a analise de duas opções de empréstimo para o estado do Rio de Janeiro por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social: ou o BNDES assume o empréstimo na sua totalidade para pagar os servidores da CEDAE, o que é inconstitucional, ou BNDES adquire a CEDAE na sua totalidade. Como o BNDES não pode administrar a CEDAE o mais provável é que se avançará no processo de privatização da companhia estadual. A partir disso seria conformado um sindicato de bancos para as futuras concessões da empresa onde o BNDES teria participação mínima, segundo informou o mesmo.

A associação do BNDES com outros bancos privados será feito através de participações com o BNDESPar que se permita acelerar o processo de privatização da CEDAE. O BNDESPar foi criada para administrar as participações em empresas detidas pelo banco. A questão pode ser decidida na sexta-feira (28) em reunião marcada às 10h da manhã no BNDES na Avenida República de Chile no centro do Rio de Janeiro.

Na última terça-feira (25) aconteceu uma audiência pública na Secretária de Fazenda onde foi apresentado o plano da operação de crédito relacionada a privatização da CEDAE. Na audiência estiveram presentes representantes dos bancos interessados na privatização e os trabalhadores da CEDAE que organizaram uma manifestação na porta da SEFAZ, e que fizeram vários questionamentos sobre a legalidade do processo de venda da companhia. Tais questionamentos foram ignorados pela Secretaria de Fazenda e mesmo tendo os trabalhadores da CEDAE tentado suspender a sessão o processo continua avançando.

O que tentam hoje os governos e o BNDES para viabilizar a venda e privatização da empresa é convencer os banqueiros que a venda da CEDAE é uma operação altamente rentável, lucrativa e legal. Se concretizar a venda da empresa os recursos chegariam só em setembro. O governo do Estado aguarda a regulamentação para o Regime de Recuperação Fiscal por parte da União, o que não tem previsão de acontecer.

A venda da Cedae é um dos pontos do plano de recuperação fiscal negociado pelo governo fluminense com a União, plano que é parte do processo de entrega dos serviços públicos para iniciativa privada para transformá-los em maquinas de lucro dos empresários e banqueiros. Uma chantagem criminosa do governo golpista do Pezão que coloca em contraposição o futuro da CEDAE e dos seus trabalhadores com o pagamento dos salários dos servidores. Atualmente a dívida do estado referente aos salários atrasados de 205 mil funcionários aposentados e pensionistas dos meses de maio e junho (sem contar, a parcela não paga do 13º salário de 2016) supera os R$ 2,4 bilhões, alem do atraso das bolsas de estudos de cotistas das universidades. O que restar desse valor seria usado para pagar bonificações atrasadas principalmente para a Segurança Pública que são os policiais que reprimem a manifestação dos trabalhadores em luta. Está colocada então a necessidade de unificar cedaeanos e servidores públicos como os professores para lutar contra os governos e políticos corruptos que governam para garantir lucro para os empresários.

A postura do BNDES de querer privatizar a CEDAE para poder assim resgatar o estado do Rio e pagar os servidores é completamente questionável mais ainda depois dos depoimentos de delatores como o Joesley Batista entre outros que afirmam que deram dinheiro para o BNDES para poder garantir a privatização e comprar o Saneamento.

O plano de reajuste fiscal do Rio e também a tentativa de privatizar a CEDAE são de especial interesse para a burguesia pois se for aprovado representa o modelo a ser implementado em outros estados para carregar os custos da crise econômica nas costas dos trabalhadores brasileiros. Entregando tudo que é serviço público nas mãos dos empresários para saciar a sede de lucro. Como afirma o ministro Moreira Franco "O governo do Rio precisa abrir mão de ativos para melhorar sua condição financeira e atender à sociedade". Assim também o expressa o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) que está fazendo de tudo para acelerar a aprovação do plano de reajuste fiscal chegando a se articular com o próprio Meirelles Ministro de Fazenda para acelerar os processos dentro do ministério. O plano contempla o empréstimo de R$3,5 bilhões como o compromisso de financiar esse empréstimo com os recursos da venda e privatização da CEDAE.

Os trabalhadores da CEDAE convocam a todos que queiram defender a água pública a aderir a manifestação na porta do BNDES (Av. Chile, 100) essa sexta-feira 28 de julho às 10h da manhã, quando acontecerá uma nova reunião do governo do estado do Rio, o governo federal o BNDES para privatizar a água e precarizar o seu serviço. A CEDAE é do povo! Vamos mais uma vez dizer NÃO à venda da Cedae.




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