Mundo Operário

LEGALIZAÇÃO DO ABORTO NA ARGENTINA

Trabalhadoras argentinas se organizam apesar da paralisia de seus sindicatos burocráticos

As mulheres se organizam em seus locais de trabalho, junto a seus companheiros, para a grande mobilização no próximo dia 8 de agosto em frente ao Congresso. Elas também exigem das centrais sindicais e comissões internas que hajam assembleias e convoquem a paralisação nesta data para que todos possam participar da mobilização que exigirá que o direito ao aborto seja lei.

terça-feira 7 de agosto| Edição do dia

Neste 8 de agosto, às 11h30, as trabalhadoras do Hospital Durant, o Instituto Luis Pasteur e trabalhadoras da Direção Geral de Música convocam a realização de um "pañuelazo" [termo refere-se aos pañuelos, lenços verdes que se transformaram no símbolo da luta pela legalização do aborto].

Lidia Fernández, trabalhadora do Hospital Durand, conta como começaram a se organizar: "A partir de quando as mulheres tomaram as ruas, nós trabalhadoras do Durant nos somamos a esses processos. Começamos em cada ’Nem uma a menos’, em cada 8 de março, a nos organizar. Cortamos a avenida Díaz Vélez, em frente ao hospital, junto a companheiras e companheiros da Direção de Música que trabalham no Anfiteatro do Centenário. Este ano, para o 8 de março, se somaram as companheiras do PAsteur, que têm uma força que contagia! E esse vínculo criado nas ruas se transformou em uma tradição. Agora, diante da ofensiva da Igreja e dos setores mais reacionários da sociedade, pensamos que temos que redobrar a força e saiu a ideia de fazer um "pañuelazo" e que venham as trabalhadoras da região, as vizinhas, as estudantes".

Lidia destacou a importância de se organizar em seus locais de trabalho e exigir que as centrais sindicais convoquem uma paralisação para que o aborto seja lei: "Temos que ser milhares, por isso nos parece criminoso que tanto a CGT, a CTA, os importantes grêmios como ATE e Sutecb, nos deixem na mão e não chamem a parar ou se mobilizar para assim impedir que mulheres sigam morrendo por abortos clandestinos"

Também demarcou a importância do apoio que recebem de outros trabalhadores de outras dependências estatais. "Como um exemplo de solidariedade, os companheiros delegados do Anfiteatro comparam muitos metros de tela verde, que ortamos em três pedaços, para que as trabalhadoras escrevam seus locais de trabalho: Pasteur, Anfiteatro e Hospital Durand".

Por último, Lidia falou sobre o que esperam com este pañuelazo que convocam: "Nós decidimos que queremos fazer tremer o Parque Centenário, e isso sem dúvida vai acontecer".

Aeronáuticas se pararam para o dia 8 de agosto

A Comissão de Mulheres Aeronáuticas, tanto de Ezeiza como do aeroporto, vêm realizando distintas atividades para que os trabalhadores e passageiros conheçam a importância de apoiar a organização da luta das mulheres nas ruas pelo direito ao aborto.

Elas destribuíram panfletos nos aeroportos de Jorge Newbery e Ezeiza. Também realizaram discussões, bem como reuniões nos dois terminais aéreos. Trabalhadoras e trabalhadores pegaram adesivos e panfletos para colar e distribuir nos dois aeroportos. Elas também exigem do grêmio majoritário APA que convoquem assembleias para organizar a mobilização pro dia 8 e lutar para que as patronais dêem folga aos trabalhadores que querem se mobilizar neste dia.




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