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Eleições 2022 | Togados contra fardados: Fachin responde ataque de Bolsonaro defendendo autoritarismo judiciário

Enquanto Fachin posa de defensor da democracia, com discurso de tecnocrata, resumindo essa defesa à confiabilidade nas urnas, que é inquestionável, a verdade é que o regime político brasileiro se torna cada vez mais antidemocrático.

sexta-feira 13 de maio | Edição do dia

foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Respondendo a provocações de Jair Bolsonaro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, afirmou que a eleição é assunto de "forças desarmadas", contrapondo-se à proposta de tutela das forças armadas sobre as eleições. Em entrevista a imprensa durante o evento para testes no sistema eleitoral:

"A Justiça eleitoral está aberta a ouvir, mas jamais está aberta a se dobrar a quem quer que seja [sic] tomar as rédeas do processo eleitoral", disse o Fachin na ocasião. Em 2021, TSE aceitou uma intromissão "controlada" das forças armadas no processo eleitoral, ao formar a Comissão de Transparência Eleitoral, no qual estão diversas instituições incluindo as forças armadas e também especialistas no assunto.

O que as forças armadas têm a contribuir com o processo eleitoral é um mistério... ou nem tanto. Hoje as forças armadas batem continência para o golpe militar, que roubou o direito de voto durante mais de duas décadas no país, censurou a imprensa, torturou e matou opositores do regime. Ao admitir representantes desta instituição opinando no processo eleitoral, o judiciário deixa claro o seu lado, apesar das bravatas dos ministros.

O alto escalão do judiciário prefere deixar correr as desmoralizações das urnas eletrônicas, reconhecidas mundialmente, para agradar o alto escalão de generais e comandantes, uma casta de parasitas que tem muito em comum com juízes e magistrados. Salários acima do teto constitucional e inúmeros benefícios recebidos enquanto a maioria do povo amarga uma inflação não vista há décadas.

Enquanto Fachin posa de defensor da democracia, com discurso de tecnocrata, resumindo essa defesa à confiabilidade nas urnas, que é inquestionável, a verdade é que o regime político brasileiro se torna cada vez mais antidemocrático. Nos últimos anos vimos a aprovação de leis que praticamente banem partidos pequenos, com leis que praticamente impedem a legalização de um partido, e, ao mesmo tempo, favorecem a criação de partidos de aluguel que não tem causa ou programa, servem somente ao jogo do Centrão, se vendem em troca de garantir a governabilidade, seja ela de extrema direita, direita ou centro esquerda.

Demagogia de quem hoje atua como se estivesse em campo opostos, Judiciário e Bolsonaro. Em 2018 estiveram todos juntos, assim como em 2016 durante o golpe institucional. Só quem pode defender os poucos direitos democráticos que restam, e lutar para impor uma outra democracia, a dos trabalhadores, são as camadas de baixo e suas organizações que não tem nenhum rabo preso com esse regime do golpe.




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