Política

Toffoli aceita o veto arbitrário de Fux contra entrevista a Lula

segunda-feira 1º de outubro| Edição do dia

Diante da flagrante divisão do Supremo, com as decisões contrárias de Ricardo Lewandowski e Luiz Fux em relação a concessão do direito a entrevista de Lula, caberia ao recém empossado presidente do Tribunal, Dias Toffoli, encaminhar a polêmica. Entretanto, em uma declaração no dia de hoje de Toffoli, ele pode ter dado a senha de seu posicionamento. "Não vou pautar causa polêmicas nesse período. É o momento do povo refletir e do povo votar" foi a declaração do ministro, demonstrando uma "imparcialidade", mas que beneficiaria a decisão mais imediata, de Fux pelo impedimento da entrevista.

O enorme escândalo da decisão de Fux, que implica diretamente em censura, é mais uma prova do autoritarismo com que o Judiciário vem dando continuidade ao golpe - em que pese as divisões dentro do partido da toga com a ala "Lava Jato até o fim", representada na decisão de Fux, e a ala "pactualista", disposta a embarcar no projeto de pacto de pacificação esboçado pelos petistas.

A decisão de se abster por parte de Toffoli, que por enquanto resulta diretamente na manutenção da censura a Lula, é simbólica das divisões dentro do Supremo, mas das ambiguidades do próprio ministro. O ministro ao mesmo tempo que flerta com os militares colocando como seu assessor um general do Exército e declarando durante a palestra que prefere chamar o Golpe de 64 de "movimento", também flerta com o pacto petista na defesa da Constituição de 88 "Foi um pacto que deu estabilidade institucional e política ao Brasil", como também afirmou na mesma palestra.

Nessas eleições tuteladas pelo Judiciário e pelas Forças Armadas, a justiça segue reescrevendo cada movimento das eleições. Frente a esse crescente autoritarismo e ativismo do judiciário nós do MRT e do Esquerda Diário defendemos a necessidade de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, não para estabelecer um novo pacto como propõe o PT, mas que seja imposta pela luta e que traga medidas democráticas-radicais. Uma assembleia que possa acabar com o pagamento da dívida, impor que todos casos de corrupção sejam julgados por júri popular, que todo político, juiz seja eleito, revogável e ganhe como uma professora entre outras medidas para responder à crise econômica, política e social do país.




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