Sociedade

RIO DE JANEIRO

"Todos os moradores gritam a mesma coisa: Fora UPP!"

No país onde se encontra a polícia mais assassina e racista do planeta, abundam denúncias de casos de abusos, em especial proveninetes das UPPs, para com a população das comunidades. Na Boca do Mato, na mesma semana em que uma criança foi morta com um tiro na cabeça, a comunidade denuncia abusos contra as mulheres e, em conjunto, grita: fora UPP!

quinta-feira 6 de julho| Edição do dia

O Brasil possui a polícia mais assassina do planeta. Quase 20% dos homícidos que ocorreram no ano passado foram levados a cabo pelas mãos dos policiais. Há cinco anos, em 2012, quando a Human Rights Watch realizou um estudo preciso a respeito da questão, concluiu que quase 57 mil assassinatos haviam sido efetuados pela polícia naquele ano. E em geral boa parte desses assassinatos são execuções, casos nos quais a vítima já se encontra rendida e dominada.

Além de ser uma verdadeira máquina de matar, a polícia brasileira é também racista. Segundo os mesmo dados da HRW, em 2012, destes 57 mil mortos 80% eram negros e 75% tinham idade entre 15 e 29 anos. Isso nos permite afirmar, com toda a certeza do mundo, que o que a polícia brasileira promove não é a segurança da população, mas um verdadeiro extermínio da juventude negra e pobre nas comunidades do país.

A partir da instituição das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) os casos de abuso policial, mortes por bala perdida e execuções de jovens negros tem aumentado consideravelmente. Um caso se tornou especialmente famoso: o do pedreiro Amarildo que desapareceu após ser torturado pelas mãos do aparelho repressivo. Na Nova Brasília, RJ, durante a implementação de uma torre blindada na UPP que, de acordo com a justificativa da polícia serviria para garantir a segurança da população do local, 6 moradores foram mortos no período de 5 dias.

Se acumulam denúncias e mais denúncias por parte da população das comunidades de abusos políciais após a implementação das UPPs. No Complexo do Alemão, por exemplo, se tornou prática corrente por parte dos policiais a invasão de domicílios sob a justificativa de serem “posições estratégicas” no enfrentamento com o tráfico, mesmo sob proibição judicial. Tais invasões são acompanhadas por agressões e abusos contra os moradores, instaurando um clima de horrorem toda a comunidade.

Na comunidade Boca do Mato, dois dias depois de uma ação da UPP ter deixado uma criança morta com um tiro na cabeçapor bala perdida, as moradoras do local denunciam a ação abusiva dos policiais com relação às mulheres. Segundo elas, a polícia, além da ação truculenta e opressora que já é de praxe, vem demonstrando seu caráter machista ao ofender as mulheres da comunidade com xingamentos misóginos acompnahados da constante tentativa de intimidá-las.

Por isso toda a comunidade da Boca do Mato grita: fora UPP! Confira o vídeo a seguir:




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