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REPERCUSSÃO

Todos opinam sobre condenação de Lula e segue o curioso silêncio de Temer, Maia e Alckmin

Esperada a sentença de Sérgio Moro foi rapidamente comentada nas redes sociais por milhares de pessoas. Políticos de todo o país fizeram isso também. Nenhuma surpresa no post raivoso de Doria, ou Bolsonaro, Ronaldo Caiado, ou, do outro lado, de parte dos deputados e senadores do PT. A surpresa está no eloquente silêncio de Michel Temer, Romero Jucá, Rodrigo Maia e Geraldo Alckmin, e como essa sentença pode ajudar na condução das reformas e em desfecho da crise “por cima”.

quarta-feira 12 de julho| Edição do dia

Após a condenação nesta quarta-feira, 12, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 9 anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso triplex, petistas e políticos de outros partidos usaram as redes sociais para repercutir a decisão dada pelo juiz Sérgio Moro. Lula estava entre os assuntos mais comentados no Twitter.

Usando a hashtag #LulaInocente, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) escreveu que é um "escândalo" a condenação de uma "liderança internacional como Lula" sem provas, e entre diversos tweets destacou como Geddel, braço direito de Temer foi solto no mesmo dia:

O líder do PT na Câmara dos deputados, Carlos Zarattini (PT-SP) chamou a mobilizar-se na rua em defesa de Lula, coisa que não fez ontem na aprovação da reforma trabalhista pelo Senado:

O deputado federal e presidente do PCdoB, Orlando Silva, escreveu que "Lula é vítima de perseguição política por um juiz parcial e sem compromisso algum com as provas". Ainda segundo o parlamentar "não há crime" e a condenação seria uma tentativa de tirar o petista das eleições em 2018.
Também aliado do PT, o senador Requião, do PMDB do Paraná, como outros senadores e deputados também relacionaram o “timing” da condenação com a reforma trabalhista.

Do lado da direita houve diversos comentários previsíveis. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) comemorou a decisão de Moro. "Agora só falta ir preso mesmo", escreveu em seu Facebook. "Lula foi condenado mas não está inelegível. Para tanto é preciso condenação por um colegiado, ou seja, mais de um juiz/desembargador/min", continuou.

Já o presidente do PPS e deputado federal Roberto Freire, que até maio era também ministro do governo de Michel Temer, falou que "políticos lulopetistas" dizem que Lula foi condenado sem provas, e disse que ficaria surpreso se "reconhecessem que a Justiça foi feita".

O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) escreveu em seu Twitter que a "Justiça está sendo feita" e chamou o ex-presidente de "criminoso".

Wladimir Costa (SD-PA), da tropa de choque de Temer, colocado na CCJ para garantir votos de impunidade a Temer depois de que este teria fechado acordo com a Força Sindical pela manutenção do “imposto sindical”, comemorou a sentença e disse que "finalmente vai ter suas madeixas cortadas", diz. "O líder de vocês é um elemento condenado. Além de condenado, Lula está inelegível por 8 anos. Chora, oposição!", provocou o parlamentar.

Doria procurando firmar-se em um espaço eleitoral de direita também fez post comemorando a decisão, coisa que nunca fez em relação a Rocha Loures (o homem da mala de Temer) que estava com ele em Nova Iorque quando saiu a delação da JBS.

O mais notável nessas declarações são as que não foram dadas. Temer, Jucá (aquele do acordão para estancar a sangria), Maia, Alckmin e Serra não se pronunciaram até o momento de edição dessa matéria (19:02).

A importância que ganha o tema da condenação de Lula, pode servir tanto para "diversão" em relação a reforma trabalhista, como a outras soluções por cima da crise política nacional. A ausência de mobilização da classe trabalhadora frente as reformas e com uma resposta de fundo contra uma justiça que procura firmar-se impondo diversas medidas repressivas que já usavam em morros e favelas, como as delações, conduções coercitivas, entre outras, é graças a centrais sindicais como a Força Sindical que admitem ter acordado com Temer negociar o imposto sindical para desmontar a greve geral do dia 30 de junho, e por outro lado da CUT conivente com essas traição da Força e que não organizou até hoje nenhum plano de luta contra a reforma recém aprovada. Não se trata da "falta de tempo" para planejar, mas de decisão consciente, pois em poucas horas já chamam a ir a rua contra a condenação de Lula.




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