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Rio Grande do Norte | Todo apoio aos professores de Natal, punidos com corte de ponto por Álvaro Dias após greve

Professores municipais de Natal/RN tiveram seus salários cortados pela gestão de Álvaro Dias, um absurdo que acentua a situação precária de trabalhadores que lutavam pelo piso salarial em 2022 e estão sendo punidos severamente diante de um cenário de crise, carestia dos alimentos, combustíveis e bens de consumo em geral. Enquanto isso ele continua a receber um salário de 32 mil reais, sendo o segundo maior salário de prefeito do país!

Camila CampeloMestranda em Psicologia pela UFRN e militante da Faísca Revolucionária

sábado 2 de julho | Edição do dia

O Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do RN (SINTE-RN), tem realizado uma campanha solidária virtual para ajudar financeiramente professoras e professores municipais de Natal/RN que tiveram seus salários cortados pela gestão de Álvaro Dias, um absurdo que acentua a situação precária de trabalhadores que lutavam pelo piso salarial em 2022 e estão sendo punidos severamente diante de um cenário de crise, carestia dos alimentos, combustíveis e bens de consumo em geral. Enquanto isso ele continua a receber um salário de 32 mil reais, sendo o segundo maior salário de prefeito do país!

A atitude absurda do prefeito iniciou no mês de maio e reduziu quase 50% do salário da categoria que tem sentido dificuldades para pagar as contas, atacados contra o direito de greve enquanto lutavam pelo reajuste salarial! Mais um exemplo da gestão que desconta a crise nas costas dos trabalhadores que se expressam através das greves da saúde, educação e dos atos pelo transporte público. É inadmissível que Álvaro Dias submeta os professores à situação precária que ameaça direitos básicos, já prejudicados profundamente devido à crise com altas taxas de inflação.

É importante destacar que a gestão em questão representa diretamente os interesses dos empresários e patrões. Durante toda a pandemia Álvaro Dias esteve atuando para beneficiar pastores e patrões, reabrindo comércios, enquanto espremia e continua espremendo os trabalhadores e o povo pobre em ônibus lotados, sem garantir a liberação remunerada para todos os serviços não essenciais. Além do corte de ponto dos professores, o prefeito recebe inúmeras denúncias das condições do retorno presencial, com a precariedade das estruturas das escolas, em que os professores são obrigados a lidar, fazendo o possível para sustentar o ensino, sem contar que tal processo se deu de forma completamente insegura, sem a participação da comunidade escolar, professores, pais e alunos, na decisão sobre o retorno. Somado a isso é necessário denunciar também a precariedade do trabalho terceirizado nas escolas, de maioria de mulheres negras, que não têm seus direitos garantidos e realizam um trabalho extenuante, e que são quem garante, junto ao corpo docente e escolar de conjunto, que as escolas funcionem. É fundamental lutar para que essas trabalhadoras e trabalhadores terceirizados sejam efetivados sem a necessidade de concurso público, bem como os professores contratados temporariamente através de processos seletivos, exigindo por “igual trabalho, igual salário” para que todos os profissionais possam trabalhar assegurados de seus direitos.

Para se enfrentar com Álvaro Dias, contra a punição aos professores do município, não podemos confiar na conciliação de classes do PT, partido que dirige o SINTE, sindicato filiado à CUT, e que agora assume a aliança grotesca de Lula com Geraldo Alckmin, espancador de professor e ladrão de merenda. No RN, o segundo estado com maior desigualdade de renda no país, Fátima Bezerra do PT segue a mesma linha ao se aliar com os Alves, levando em consideração que a governadora colocou as mesmas condições de retorno escolar que Álvaro Dias, só que a nível estadual, sendo esta uma das críticas dos professores em greve da rede estadual no começo do ano que arrancaram através da luta o ajuste salarial. A nível nacional, Bolsonaro ataca o orçamento do MEC com um corte de 14% do orçamento da educação, seguindo a linha do regime do golpe institucional a partir da EC do Teto de Gastos, ao mesmo tempo em que ocorre a prisão do seu ex-ministro Milton Ribeiro por desviar dinheiro do MEC a pastores aliados do presidente, embora não seja possível confiar na Polícia Federal que segue sendo aparato repressivo do Estado assassino da juventude negra e trabalhadora do país.

O ataque reacionário ao salário dos professores municipais de Natal se contextualiza dentro desse cenário nacional em que é possível contestar o direito à greve, na tentativa de silenciar professores que sofrem agora com a dificuldade de pagar as contas, somando-se inclusive à nova votação da reforma da previdência no município que aumenta a idade mínima para a aposentadoria, dentre outros ataques ao direito. Ao mesmo tempo, observamos a normalização pela Juíza Joana Zimmer do estupro de uma menina de 11 anos ao questioná-la se seria possível “aguentar mais um pouquinho” com o feto até que fosse encaminhado para adoção, junto ao assassinato de Dom e Bruno sobre o qual Bolsonaro verbaliza que eles se meteram em terras perigosas e a tendência era acontecer isso mesmo, sem contar com o assassinato de Genivaldo com uma câmara de gás improvisada pela PRF e com a naturalização das tragédias capitalistas com as enchentes em Recife e Alagoas. Tudo isso se situa diante dos avanços da extrema direita, ao passo em que denuncia o perigo da conciliação de classes que abre caminho para os ataques, seja a nível municipal e estadual diante da paralisia dos sindicatos vinculados ao PT em organizar as lutas pela base, seja a nível nacional quando em 13 anos de governo não se priorizou a estatização da educação, sem avanços em relação ao direito ao aborto, com inúmeros acordos com o agronegócio, com o aprofundamento das operações policiais e com os desastres ambientais capitalistas, como por exemplo o ocorrido em Mariana (MG), durante o governo Dilma em 2015.

Diante de tamanhos absurdos é fundamental que estudantes, os setores oprimidos e o povo pobre estejam ombro a ombro com os professores municipais, repudiando fortemente esse ataque do corte de ponto, porque quem luta por educação não merece punição! Que os estudantes da UFRN sejam parte do repúdio ao ataque e que o DCE se posicione no sentido de unificar as lutas em curso através da organização de base, inclusive contra a reforma da previdência de Álvaro Dias.

Nesse sentido, declaramos todo apoio à luta dos professores pela recuperação de seus salários e pelo piso de 2022! Que haja a restituição total dos salários dos professores!




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