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Todo apoio à luta do MTST por moradia em São Bernardo do Campo

domingo 5 de novembro| Edição do dia

A falta de moradia é um dos grandes problemas das cidades brasileiras. Essa situação se agrava ainda mais com a crise econômica profunda que enfrentamos no país e que leva milhões de brasileiros ao desemprego. De acordo com resultados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), 30% dos lares brasileiros já são afetados hoje pelo alto comprometimento da renda com o pagamento do aluguel.

Dados de 2011, publicados no próprio site do Estado de São Paulo, mostram como é alarmante o déficit habitacional de 1,16 milhão de domicílios e a inadequação de 3,19 milhões de moradia. Isso quer dizer que, para além da falta direta de moradia, são milhões de famílias vivendo em situação de risco. Milhões de pessoas vivem em barracos isolados, em favelas sem saneamento básico, em casas e prédios localizados em área de risco, em cortiços, em locais sem infraestrutura interna, sem documentação de posse e também em locais alugados com renda inferior a três salários mínimos.

A situação atual em nosso país, ao contrário de melhorar de 2011 para cá, piorou. Hoje são 3,8 milhões de moradias afetadas pela falta de dinheiro para seguir pagando o aluguel. São muitas famílias endividadas que não conseguem arcar com os altos custos do aluguel e que se encontram em desespero por não poderem ter um teto para morar.

A maior parte do déficit habitacional se concentra na região metropolitana e está entre as famílias que ganham mensalmente até 5 salários mínimos, já que com o baixo salário é impossível conseguir crédito para financiar a casa própria. A essas pessoas é imposta a condição de viver em lugares irregulares, em locais degradantes da condição de vida da população, que fica exposta à riscos físicos e emocionais.

De acordo com o Diário do Grande ABC de agosto, os municípios do ABC, que fazem parte da região metropolitana de São Paulo, precisarão de 73 anos para zerar seu déficit habitacional de 230 mil moradias, já que são entregues apenas 3.132 por ano. Os municípios do ABC têm em andamento a construção de 5.432 moradias, o índice que parece alto à primeira vista, equivale somente a 2% das necessidades da população.

Em Santo André, após três anos de iniciadas as obras do Conjunto Novo Pinheirinho, o empreendimento tem apenas 20% das obras concluídas. Em São Bernardo, o projeto de urbanização da região do Grande Alvarenga, que deveria atender a 2.136 famílias de diversos bairros, foi retomada depois de 2 anos paralisada e a previsão da prefeitura é de entregar apenas parte da obra até 2018. Em Mauá, a situação é ainda mais grave, já que muitos milhares vivem em situação de risco e todos os anos há mortes e casas destruídas nas chuvas fortes de verão.

Aponto apenas alguns poucos dados que se ligam ao enorme número de desempregados nacionalmente e, principalmente, na região do ABC, que acumula uma série de fábricas fechadas e mais de 250 mil trabalhadores desempregados desde fevereiro. No Brasil, temos hoje 13,3 milhões de desempregados e é óbvio que essa cifra se liga diretamente à questão das moradias.

Por isso, tenho apoiado a ocupação do MTST em São Bernardo, que passou em poucos dias de 500 para 7 mil famílias que ocupam um terreno improdutivo há 40 anos e que acumula milhões de reais em dívidas de IPTU. A prefeitura de São Bernardo não dá nenhuma resposta a essas famílias, ao contrário, ameaça a todo momento de repressão e impede os atos de apoio, como aconteceu na última semana com a proibição do show do Caetano Veloso.

No dia da proibição do show, gravei um vídeo de denúncia que teve milhares de visualizações e centenas de comentários. Por incrível que pareça, a grande maioria dos comentários tem um conteúdo contra as famílias que se encontram nessa situação e defendem o direito à propriedade privada dos grandes capitalistas. Algumas pessoas dizem que aqueles que necessitam de moradia “precisam parar de ser vagabundos e trabalhar”, com um discurso meritocrático de que basta se esforçar para ter a casa própria. Mas, como trabalhar com um desemprego massivo?

Nem preciso dizer, que esse é um discurso falacioso, pois é justamente dos trabalhadores que o governo retira tudo, até mesmo o direito constitucional de ter um lar. Ao contrário de não se esforçar, são essas famílias, junto a tantas outras de trabalhadoras e trabalhadores que garantem a produção, o transporte e a venda de tudo que é produzido. Constroem as cidades, casas e prédios, mas não têm possibilidades no capitalismo de se apropriarem daquilo que é produzido por elas mesmas.

Sigo defendendo a luta justa por moradia e opino que é preciso atacar os lucros capitalistas, lutando pelo não pagamento da dívida externa e que todo esse dinheiro seja revertido imediatamente para um plano emergencial de obras públicas, que elimine rapidamente déficit habitacional, pois não podemos esperar 73 anos. Os imóveis ociosos, que servem apenas para a especulação imobiliária, devem ser expropriados, sem indenização e colocados à serviço das necessidades da população. Além disso, contra toda a defesa dos verdadeiros vagabundos que dominam a política do nosso país e que nunca trabalharam na vida, luto para que todos político ganhe o mesmo salário que uma professora da rede pública e que todos os trabalhadores ganhem o salário mínimo estipulado pelo DIEESE (Departamento de Estatística e Estudos Socioeconômicos) que é de R$3.899,66.

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