Sociedade

ABAIXO O AUMENTO DO TARIFA!

Todas e todos ao ato contra o aumento da passagem em São Paulo

Está sendo chamado para hoje o primeiro ato do ano contra o aumento da tarifa sobre as passagens de ônibus. Esse aumento é mais um dos ataques de Doria e Covas contra os trabalhadores e a juventude, atingindo diretamente o acesso à cidade e elevando ainda mais o custo de vida da população.

terça-feira 7 de janeiro| Edição do dia

Mais uma vez o governo da cidade de São Paulo impõe um aumento nas tarifas de ônibus, atendendo a sede de lucro dos tubarões das empresas de transportes na capital paulista. Desta vez, reajustam a tarifa para absurdos R$4,40. Os argumentos desses tecnocratas de que o o reajuste está abaixo da inflação não levam em conta o restante da precarização da vida impostos pelos diferentes ataques aos trabalhadores.

Confira o evento para o ato hoje no Viaduto do Chá a partir das 17h aqui.

Esse novo aumento retira ainda mais o direito de acesso à cidade. Sobretudo a juventude mais pobre das periferias, que todos os dias está submetida a trabalhos extremamente precários, como entregas da Rappi e Ifood, que têm salários que mal dão conta de colocar comida na mesa de casa, acaba sendo uma das camadas da sociedade mais afetadas por esse aumento, pois tem seu direito de acesso à cidade e ao lazer tolhido pelos altos preços da tarifa. E quando esse lazer é vivido no próprio bairro, a criminalização por parte do estado e a violência policial é brutal, como ficou gráfico para todo o país com a morte de 9 jovens na repressão policial ao baile da Dz7 em Paraisópolis.

Mas além disso, o aumento anual das tarifas, se liga também aos ataques a nível estadual e federal, que degradam a vida da população. Esse novo ataque se soma à reforma da previdência que nos fará trabalhar até morrer, à reforma trabalhista que retirou direitos importantes das condições de trabalho, e agora também à reforma da previdência do Estado, que Dória tenta impor ao funcionalismo público.

Outro aspecto importante desse ataque, é que ele se soma aos recentes cortes na frota de ônibus de São Paulo, e, também, à retirada de cobradores de ônibus (demissões!) e à privatização do metrô. Tudo isso colabora para uma drástica piora na qualidade do transporte coletivo (que hoje já é bastante ruim, vide as com superlotações). Frente a isso, é preciso batalhar não só contra o aumento da tarifa, mas também pela qualidade do transporte e pelas condições de trabalho dos cobradores e motoristas, ligando também a nossa mobilização à mobilização dos metroviários em luta há anos contra a privatização das linhas do metrô. Isso passa inevitavelmente pela estatização de todos os transportes coletivos, sem indenização das empresas privadas, sob o controle de seus trabalhadores e da população que faz uso deles todos os dias.

Como parte importante e fundamental de construir a luta contra esse novo ataque, é preciso que as entidades sindicais que dirigem as categorias de trabalhadores dos transportes, também organizem cobradores, motoristas rodoviários, metroviários e ferroviários em uma só luta contra o aumento e em defesa do transporte público.E para unificar trabalhadores e juventude,, as entidades estudantis como a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) devem mobilizar o conjunto dos estudantes, promovendo assembleias nos locais de estudo já na volta às aulas para que arme de fato a resistência ao aumento e imponha a derrota aos governos.

No Chile o detonador de toda a insatisfação social contra as péssimas condições de vida legados pela imposição dura de um modelo neoliberal foi o aumento das tarifas do transporte promovido por Piñera. A disposição da juventude de ser ponta de lança dessa luta e a brutal repressão de um estado autoritário herdeiro da ditadura de Pinochet desataram esse ódio que se reverteu nas maiores jornadas de manifestações da história chilena, que ecoam o grito de que "não são só por 30 pesos é por 30 anos".

O Brasil possui um histórico parecido com as massivas jornadas de Junho de 2013 que a partir da mobilização contra o aumento do preço da tarifa em São Paulo e logo por todo o país, desataram outras insatisfações sociais contra um um modelo econômico que já se mostrava em crise e incapaz de atender as demandas populares por melhores serviços públicos. Diferente da narrativa que o PT busca emplacar, com Lula dizendo em entrevista que Junho não foi por direitos mas arquitetado de fora para armar o golpe contra o partido, é necessário resgatar o espírito explosivo de Junho que obrigou diversos políticos a recuarem do aumento e marcou uma nova etapa na politização e mobilização nacional.

"O Chile é o caminho!
Barrar o aumento e todos
os ataques de Dória e Bolsonaro"




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