DOSSIÊ 13 DE MAIO: ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO

"Tirem as mãos de Mariele": intervenção de Bolsonaro na PF do Rio

Quantas vezes os livros de histórias colocaram a burguesia branca como salvadoras dos negros? Quantas vezes os livros de histórias reservaram para os negros uma imagem inferior e submissa do seu papel social e histórico?

quarta-feira 13 de maio| Edição do dia

O Brasil foi o último país das Américas a decretar o fim da escravidão, os negros com grandes revoltas, fugas e rebeliões, pressionaram a elite brasileira escravista pela abolição da escravidão, essa elite colonial sempre foi espremida pelas revoltas, forças e mobilizações do povo negro e os interesses das metrópoles. Essa mesma burguesia sempre tentou esconder o protagonismo dos negros e trabalhadores no processo de abolição, mas onde existiu escravidão existiram negros e negras lutando contra todas as formas opressão e exploração.

Chegamos neste 13 de maio de 2020 no meio de uma pandemia do coronavírus, que o número de negros mortos pelo COVID-19 é cinco vezes maior que em relação aos brancos no país. Segundo dados elaborados pelo Observatório Covid-19 e pela Prefeitura de São Paulo, pretos têm até 62% mais chance de morte que brancos por coronavírus, e pardos, até 23%, esses dados representam o racismo estrutural marcado pela escravidão e sua combinação mortal com capitalismo, que nessa crise econômica e sanitária é ainda mais mortal para os negros. Em meio a grave crise do novo coronavírus que nada mais é que a expressão de uma crise do capitalismo, de como a burguesia junto a governos aliados dos seus interesses priorizam o serviço público de saúde e as condições de saneamento e sanitárias do conjunto dos trabalhadores, Bolsonaro e os militares negam testes massivos, negam o auxílio emergencial e aumentam o desemprego em troca de garantir lucros dos empresários. Não bastasse isso, o presidente ainda sai com declarações pública de que não ligam a mínima pros trabalhadores e suas famílias que perderam algum parente por conta do covid-19.

Abriu-se uma crise sem precedentes em seu governo, quando Sérgio Moro principal representante da Lava Jato, peça chave no avanço do golpe institucional no país rompeu com Bolsonaro, retirando sua base de apoio após de blindado o clã Bolsonaro no período enquanto era ministro da Justiça. Moro sempre foi um inimigo declarado dos negros e trabalhadores, tentou impor a excludente de ilicitude desde seu “pacote anticrime” que “daria carta branca” e ainda mais legitimidade para a repressão e violência policial contra os negros e pobres, projeto que foi revisto e foi aprovado parcialmente. Ao sair do governo Bolsonaro retirando sua base de apoio, assim o fez com acusações públicas a Bolsonaro que segundo ele queria intervir diretamente na direção da Polícia Federal (PF) do Rio, porque na justiça carioca tramitam crimes que envolvem sua família e inclusive ele à crimes de corrupção e podem revelar sua ligação com as milícias cariocas. Não à toa que em seu pronunciamento rodeado de seus ministros civis e militares, Bolosonaro tentou se comparar com Marielle, dizendo que o crime de Adélio era mais importante que as investigações sobre quem mandou matar Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, tentando tirar o peso e a importância desses assassinato.

Por isso, todos nós trabalhadores e negros, gritamos “tirem as mãos de Marielle!” e exigimos justiça! Marielle, mulher negra, favelada e brutalmente assassinada no meio de uma intervenção federal no Rio de Janeiro dirigida pelo Gal Braga Neto, hoje à frente do gabinete de crise e ministro da Casa Civil. Marielle denunciava a violência de negros e negras pela mão da polícia e nesse ano no dia 14 de março, completamos dois anos sem nenhuma respostas desse crime bárbaro e covarde. Certamente que o assassinato de uma vereadora negra eleita com mais de 40 mil votos sem nenhum resolução, só mostra que não podemos confiar que a polícia e as instituições do regime que queria ver Marielle morta possa de fato chegar aos mandantes do assassinato, só uma investigação independente pode nos levar aos verdadeiros mandantes desse crime.

O que o caso da Marielle tem a ver com a família do Bolsonaro e as investigações da Polícia Federal no Rio Janeiro?

Não é surpresa pra ninguém a relação direta da família Bolsonaro com o submundo criminoso carioca, sobretudo com as milícias do Rio. Flávio Bolsonaro, empregou a mulher e a mãe do Adriano da Nóbrega, assassinado recentemente pela polícia, provavelmente como queima de arquivo, chefe de uma milícia e peça importante do escritório do crime e parte das investigações colocam que os atiradores contra a Marielle eram desse ‘’escritório’’, que pode ter ligação com o assassinato de Marielle. Além disso, o deputado Flávio Bolsonaro está sendo investigado pelo suposto esquema das rachadinhas e as construções ilegais na zona oeste, junto a Queiroz, ex-assessor de Flávio e acusado de ser chefe das milícias do Rio das Pedras
Essa intervenção e tensões do Bolsonaro mostram grandes indícios que o atual presidente queria intervir diretamente nas investigações da Polícia Federal para proteger sua família desses escândalos que não são surpresa pra ninguém. Esses fatos nos mostram que mais do que nunca não podemos ter nenhuma confiança nesse judiciário, nessa polícia. Nós desde do início colocamos que para arrancar as verdadeiras respostas do brutal assassinato da Marielle, era preciso uma investigação independente com representantes do mandato do Psol, com figuras do direito humanos, de movimentos de favelas e sindicatos. Sabemos que a Marielle não foi a única mulher negra que teve sua vida arrancada por esse racismo estrutural, no ano passado no Rio de Janeiro, o atual governador Witzel assassinou mais de 1800 pessoas pela mão da polícia, infelizmente as mazelas do capitalismo naturalizam a violência e repressão contra os negros.

Bolsonaro segue com sua linha negacionista enquanto já batemos mais de 11 mil pessoas mortas pelo covid-19, sua preocupação com a economia e os lucros dos patrões segue firme enquanto milhares e milhares de trabalhadores morrem sem atendimento público de saúde de qualidade e profissionais da linha de frente de combate ao COVID-19 seguem sem EPI’s.

Marielle é uma ferida aberta do golpe institucional, uma ferida aberta de impunidade de um país que assassina milhares de negros. Marielle emblematicamente nasceu no Rio de janeiro na favela da Maré, o Rio foi o porto escravista, no período da escravidão, que mais recebeu africanos escravizados do mundo. Esse passado histórico está totalmente ligado à realidade atual da classe trabalhadora, uma realidade de precarização e miséria que os negros vivem atualmente, só aqui no Rio de Janeiro temos 800 favelas, mais de um milhão de pessoas não tem moradia digna e muitas favelas seguem sem nenhuma assistência do governo e para piorar as condições de vida, em plena crise do coronavírus mais de 40 favelas no Rio seguem sem prevenção mínima ao COVID-19 porque muitos moradores de favelas e bairros pobres não têm acesso a água potável.

Seguiremos na luta exigindo justiça a Marielle, lutando contra o racismo e o capitalismo! Por Marielle Franco gritamos, Bolsonaro tire suas mãos da Marille! A unidade entre trabalhadores negros e brancos assim como foi no processo da abolição, pode ser uma grande potencial para arrancar a resposta desse crime bárbaro e um grande fator para uma transformação social nesse momento de crise econômica e sanitária.




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