Sociedade

ASSASSINATO

Tio e sobrinho sobreviventes de chacina são mortos à queima-roupa em Osasco

Os sobreviventes da chacina que ocorreu em abril do ano passado, e que deixou quatro vítimas, foram mortos na sexta-feira passada enquanto a mãe de um deles gritava: “É meu filho! Não matem!”, segundo testemunha do crime.

terça-feira 8 de maio| Edição do dia

Foto: Mãe de morto na chacina do ano passado faz protesto contra morte de seu filho. Nesta chacina foram mortos 23 jovens, entre Osasco, Barueri e Carapicuíba. Fonte: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo

O caso assusta pois tratava-se de um jovem de 18 anos e uma criança de 13 anos. Tio e sobrinho. Como dito, os dois sobreviveram a uma chacina ocorrida ano passado em um lugar que se encontra a 500m de distância do local do assassinato, na rua Mathias Albuquerque e Paranaense. Seus nomes: Jhonatan Jacó Almeida Sousa (Dendê) e Vitor Henrique da Silva, respectivamente.

Na chacina, o primo de Dendê, Fernando de Moraes, de 35 anos também havia sido morto. As outras vítimas foram: Ozias Pereira, 35, Rogério Raimundo Rocha, 21, e Danilo Denis das Dores, 20. A abordagem do assassinato da semana passada foi similar ao da chacina ocorrida ano passado. Dois indivíduos encapuzados se aproximaram dentro de um veículo e atiraram à queima-roupa.

O crime aconteceu por volta das 22h30min, após a saída dos alunos da Escola Estadual Armando Gaban. O caso foi registrado no 5º Distrito Policial de Osasco e até o momento a polícia diz não ter suspeita de possíveis assassinos. Segundo o ouvidor das polícias de São Paulo, Benedito Mariano, o caso é grave, "mas ainda é cedo para afirmar que há atuação de grupo de extermínio no local", ou mesmo afirmar a conexão entre os dois casos seria precipitado.

Os moradores da região estão com medo de dar depoimentos, e quando topam falar a respeito do assunto exigem anonimato. Para deixar ainda mais trágica toda essa situação, o pai de Dendê e avô de Vitor também presenciou os disparos, porém devido à pouca iluminação não conseguiu identificar o veículo. É bom ressaltar que a família de Dendê é conhecida no bairro como “trabalhadora” por ter participado ativamente da ocupação que deu origem ao bairro Jardim Conceição.

Na época a batalha foi travada com o então prefeito Francisco Rossi (ARENA). A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo diz em nota que: "o caso segue em investigação. A ocorrência foi registrada no 5º Distrito Policial de Osasco e conta com o apoio do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) da cidade nas apurações. Diligências estão em andamento em busca de subsídios para identificar e prender os autores. Cabe esclarecer que, embora a investigação esteja no início, nenhuma possibilidade sobre a motivação do crime está descartada”.

A grande questão é: seja quem for, o responsável final, o qual obviamente a polícia está incluída pela sua forma de agir, não seria o Estado?

Quem mantém os nossos jovens que estão saindo da escola, reféns da marginalidade e exclusão? Quem os faz se renderem ao crime e serem punidos com a sua própria morte? A criminalidade tem um responsável certo: o capitalismo, que usa do aparato estatal para disseminar violência, e faz com que os desfavorecidos encontrem no crime a sua resposta.

Além disso, por que é a polícia que tem que julgar o crime, por meio de um intermediário que vai como um salvador resolver o problema? Isso em relação ao ouvidor da polícia. Essa mãe que gritou pelo seu filho não tem o direito de ser ouvida? As testemunhas que estão com medo agora, deveriam formar comissões de investigação, além obviamente, de que todos os crimes deveriam ser julgados por júris populares.




Tópicos relacionados

Osasco   /    Sociedade   /    São Paulo (capital)

Comentários

Comentar