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RIO DE JANEIRO

Tinta escorregadia de obra de Crivella gera acidentes e mortes no Aterro do Flamengo

Pistas foram pintadas em programa de pavimentação da Prefeitura do Rio de Janeiro e em 13 dias já houve 5 acidentes, envolvendo 9 ônibus, e 3 vítimas fatais.

segunda-feira 18 de novembro| Edição do dia

O programa “Pavimenta Rio”, lançado em outubro pelo Prefeito Marcelo Crivella, prevê um investimento de R$100 milhões na recuperação das vias, e tem obras até a véspera da eleição municipal, em 2020. Poderia ser apenas oportunismo eleitoral, mas já custou 3 vidas.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, desde o início do mês motoristas que trafegam na região vem denunciando que após a pintura das vias, as pistas do Aterro do Flamengo ficaram escorregadias.

Já no dia 01, um homem de 61 anos perdeu a vida, e 21 pessoas ficaram feridas em um acidente que envolveu dois ônibus. Ao todo já foram registrados cinco acidentes, envolvendo 9 ônibus num período de 13 dias. No último domingo uma moto colidiu com um relógio e mais dois homens morreram.

Embora testemunhas citadas pelo mesmo jornal afirmem que a perícia não constatou excesso de velocidade nos acidentes, a primeira resposta da Prefeitura do Rio diante das denúncias foi justamente culpar os motoristas, garantindo que não havia nada errado com o asfalto e acusando-os de ultrapassar o limite de velocidade.

O caso chamou atenção da mídia, que ouviu especialistas e levantou dúvidas a respeito da qualidade do material utilizado para pintar as pistas. Levantaram a hipótese de haver pouca concentração de material granulado, que seria importante para garantir a aderência dos pneus nas curvas.

Depois disso a Prefeitura finalmente admitiu que pode haver algo errado e contratou um estudo independente para analisar a situação, e colocou a possibilidade de exsudação (quando o asfalto “transpira”, levando líquido à superfície) mas disse que a empresa responsável desconsidera essa possibilidade. A empresa responsável pela selagem do asfalto, Betuseal, nega qualquer irregularidade na obra. O Consórcio Intersul, responsável pelas linhas, já havia anunciado que após as obras houve uma piora na qualidade do asfalto quando chove, e que isso estaria causando mais acidentes.

O que chama atenção nesse caso mais uma vez é o desprezo com que são tratadas as vidas das pessoas. Obras que deveriam garantir a qualidade do transporte são tratados apenas como propaganda eleitoral, e a ciência que deveria ser colocada a serviço de melhorar a qualidade das cidades é totalmente negligenciada quando o que importa é fazer a obra mais barata possível, e da forma mais rápida.




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