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REINO UNIDO

Theresa May, uma primeira ministra caída na desgraça

A acidentada performance de May durante a conferência anual do Partido Conservador mostrou a crise política na qual se encontra a primeira ministra. Corbyn soube se aproveitar da situação.

Alejandra Ríos

Londres | @ale_jericho

segunda-feira 9 de outubro| Edição do dia

Para o matutino britânico The Guardian, “Tudo que podia ter saído mal, saiu mal”. Esta conclusão se refere à performance de Theresa May na sessão principal da conferência anual do Partido Conservador. Como se se tratasse de uma comédia de enredos, a primeira ministra perdeu a voz em meio a uma crise de tosse. O que seguiu este tropeço foi a interrupção de um humorista lhe entregando um formulário de demissão. Para fechar, as letras do slogan de seu partido caiam às costas da primeira ministra que falava da “renovação do sonho britânico” e até o final de seu discurso umas dez letras do slogal que dizia "building a country that works for everyone" (“construindo um país que funcione para todos") decoravam o chão do cenário. O sonho se transformou em um pesadelo do qual May seguramente não queria acordar.

O discurso pensado para unir os conservadores atrás de sua líder terminou como uma calamidade. Um telão de fundo que se desarmava desmentia sua promessa de ser a voz dos “sem voz”. Os meios britânicos saíram em ataque e interpretaram a queda das letras como uma metáfora da debilidade do mandato de May. É que com uma retórica vazia, logo após ter perdido a maioria nas eleições de junho, uma falta de estratégia frente ao brexit e sendo incapaz de convencer seus pares de uma saída negociada da União Europeia, a ministra está pressionada tanto pelos campeões do brexit, quanto pela ala mais moderada.

Boris Johnson, o excêntrico líder do Brexit e atual ministro de relações exteriores do Reino Unido, conhecido pelos seus comentários insensíveis e políticamente incorretos, se move nos bastidores para tirar proveito da crise do seu próprio partido e se alistar para o posto. Não faltam aqueles que já opinam que May se transformou em um verdadeiro peso morto para o partido.

Seus tímidos anúncios de colocar um teto nos preços das energia e a construção de algumas moradias não conseguem girar o vento a seu favor. Contudo, May insiste uma e outra vez que permanecerá no poder. Por quanto tempo? Difícil de prever.

No outro arco do espectro político, a Conferência Anual do Partido Trabalhista se caracterizou por contar com uma base partidária cheia de energia e unificada atrás do seu líder Jeremy Corbin. Com 1200 delegados, se transformou na maior conferência da história recente. Dois terços dos mesmos se posicionam na esquerda e uma porcentagem maior são firmes seguidores de Jeremy Corbin. Os delegados de base impuseram a ordem do dia: o sistema de saúde, os serviços sociais, moradia e transporte. Na conferência de 2016, apesar de ter conquistado 62% dos votos, Jeremy Corbyn estava isolado e a esquerda era minoria. O giro político deste ano se explica principalmente pela política do Momemtub (movimento impulsionado por Corbyn), que animou seus membros a se apresentarem como delegados.

Com este cenário de fundo, o líder da oposição não soube desaproveitar a oportunidade e já se localiza como se fosse primeiro ministro. Não por casualidade foi ele quem deu o primeiro passo e passou por cima da primeira ministra britânica ao pedir ao governo do Estado espanhol que acabe com a violência policial que se iniciou no durante o referendo do domingo do 1º de outubro na Catalunha.

Após uma vitória pífia nas últimas eleições e as dificuldades frente a um futuro incerto do brexit, o de May parece cada vez mais com um “governo zumbi”. Corbyn soube ler este momento, após seu programa de políticas redistributivas, para passar para a ofensiva.

Tradução: Marie Castañeda




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