Internacional

REINO UNIDO - ELEIÇÕES ANTECIPADAS

Theresa May apostou e perdeu

Uma primeira leitura política das eleições antecipadas no Reino Unido.

Alejandra Ríos

Londres | @ale_jericho

sexta-feira 9 de junho| Edição do dia

A menos de um ano do Brexit, a primeira ministra britânica soma um novo fracasso para o Partido Conservador. O ex-primeiro ministro David Cameron havia apostado na permanência na União Europeia (UE) e perdeu, custando com isso o seu mandato. Depois da renúncia de Cameron, o partido “tory” nomeou Theresa May como sua herdeira.

Desde que assumiu como líder do partido (o que a converteu automaticamente em primeira ministra) May prometeu um “brexit duro” e estabilidade. De sua mão continuaram os ajustes e as políticas de austeridade.

May convocou eleições antecipadas para reforçar seu mandato frente às negociações com a UE sobre o brexit, no entanto, o tiro saiu pela culatra. Seu partido passou de contar com uma maioria absoluta no governo, para dirigir um governo débil e instável. O resultado das eleições antecipadas, longe de fortalecer seu mandato, foi o que se conhece no Reino Unido como “hung parliament”, o que significa que o partido majoritário (Conservador) não conta mais com maioria absoluta para governar e por isso deve recorrer a uma coalizão com outro partido.

Segundo o sistema eleitoral do Reino Unido, conhecido como “maioria simples”, para governar com maioria própria necessita contar com 326 deputados, ou seja, a metade mais um sobre as 650 circunscrições existentes. O partido de May passou de ter 338 deputados para 318. O futuro do governo conservador depende do apoio do único partido que iria numa coalizão com ele, o Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês), da Irlanda do Norte.

A dez dias das negociações do Brexit o resultado semeia grandes dúvidas sobre o processo das mesmas, já que se questiona sua proposta de brexit duro. Apesar do resultado, o partido tory propõe que May siga como primeira ministra para evitar uma crise maior.

Já por outro lado, o Partido Trabalhista saiu fortalecido, com 261 deputados que representam um aumento de 29 cadeiras. A campanha do veterano líder trabalhista caracterizou-se por um enorme apoio de jovens visitando camisetas vermelhas, chamando a dar o voto para Jeremy Corbyn. Teve uma alta participação nessas eleições.




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