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COVID-19

Teste rápido eficaz desenvolvido pela USP custa R$30 e está pronto para larga produção

Últimos estudos apontam desenvolvimento pela USP de um teste rápido que é mais preciso, barato e pode ser produzido integralmente no Brasil. Além disso, laboratórios e centros de pesquisa brasileiros como a Fiocruz e o Butantan, se contassem com maior investimento, poderiam produzir insumos para elaboração de vacina da Covid-19.

quinta-feira 21 de janeiro| Edição do dia

Imagem: Karla Castro/IQSC/USP

Já são mais de 210 mil mortes no Brasil pela Covid-19 e a situação de pandemia segue vigente e alarmante mundialmente neste ano de 2021. É nesse contexto que pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um teste rápido para o novo coronavírus que tem custo de cerca de R$30, sendo quase cinco vezes mais barato do que os testes rápidos vendidos nas farmácias.

O grupo de pesquisa responsável por desenvolver este teste em apenas quatro meses, tempo recorde, nomeou o método como “Teste Popular de Covid-19” e tem o objetivo de facilitar a testagem em massa no Brasil e ajudar a revelar se a pessoa testada já produziu anticorpos após tomar uma dose de vacina. O teste já está pronto para produção em larga escala e passará em breve pela regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Segundo o coordenador da pesquisa, Frank Crespilho, professor do Instituto de Química, o teste é similar aos encontrados nas farmácias, mas é mais preciso, barato, requer menos reagentes e pode ser produzido 100% no país. Acrescentou ainda que “temos que pensar na população brasileira, esse é o papel da USP”.

Além dessa pesquisa desenvolvida para ajudar no combate à pandemia da Covid-19, outra universidade pública vem se posicionando frente os desafios da ciência e saúde. A Unifesp, universidade brasileira responsável pelos testes da fase 3 da vacina de Oxford, a ser fabricada no Brasil pela Fiocruz, opina que diante da falta de insumos e não recebimento da vacina da Índia, a solução pode ser a quebra de patentes, visto que o Brasil possui expertise para fabricar os insumos.

O que impede a produção de vacina em território nacional e torna o Brasil dependente da importação de insumos é a escassez de investimentos na área da ciência que, contraditoriamente ao período de pandemia que estamos vivendo, ao longo de todo 2020 e já há anos, vem sendo duramente atacada pelos governos estaduais e federal.

Nacionalmente, o negacionismo de Bolsonaro deixou e deixa suas marcas irracionais e violentas em cada declaração e política tomada desde o início de seu governo, se aprofundando na pandemia. Em 2019, Bolsonaro cortou 87% do orçamento do CNPq previsto para 2020, cortando ainda metade do orçamento da Capes e mais de 15 mil bolsas vigentes em 2019. A EC 95, do teto dos gastos aprovada pelo governo golpista de Temer se mantém e, como anunciado ano passado no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021, as receitas não obrigatórias serão cada vez mais cortadas, afetando dura e diretamente a ciência brasileira.

Diversos governadores da direita e do centrão se apresentam como oposição racional ao governo Bolsonaro. Entretanto, o maior exemplo dessa demagogia é a política de Doria (PSDB), a despeito de seu discurso de suposto defensor da ciência. No ano passado, em meio à pandemia da Covid-19, apresentou a PL 529, que originalmente queria recolher o “superávit econômico” das universidades estaduais e da FAPESP, demonstrando um claro ataque à ciência e pesquisa. Não somente, em dezembro do ano passado, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou a Lei Orçamentária Anual, projeto enviado pelo governador Doria que vai retirar cerca de R$454 milhões do orçamento da FAPESP, alegando, sem explicar quando e como, que o Poder Executivo fará os ajustes necessários para que a Fundação tenha seu orçamento integral.

A pandemia deixou mais do que claro o papel que as universidades públicas podem cumprir se estiverem a serviço das necessidades da maioria da população trabalhadora e não das empresas da indústria farmacêutica que, com o aval das reitorias e governos estaduais, invadem as universidades públicas com iniciativas privadas e monopolizam centros de pesquisa.

É preciso lutar por uma ciência que seja da população trabalhadora, estatizando todas as patentes para uso do estado, sob controle dos trabalhadores e com financiamento irrestrito às pesquisas e à produção pelo estado de todos medicamentos e vacinas para combater a pandemia do coronavírus. É preciso estatizar as empresas farmacêuticas que visam lucrar com os testes e insumos para produção de vacinas da Covid-19. Basta de precarizar e tentar privatizar o SUS, lucrando com a situação miserável de saúde que a maioria da população vive hoje.




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