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DISCRIMINAÇÃO CONTRA RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA

Terreiros religiosos sofrem série de ataques por parte de traficantes evangélicos no Rio

Diversos ataques a terreiros de religiões de matriz africana tem ocorrido por ordem de traficantes em todo o estado do Rio.

quinta-feira 14 de setembro| Edição do dia

Recentemente, ataques a terreiros em diversos locais do estado do Rio têm se intensificado, e agora sob comando de traficantes. Vídeos têm circulado nas redes, como o que mostra os membros de casas religiosas sendo obrigados a destruir seus próprios templos. Veja abaixo:

Em Nova Iguaçu, cinco traficantes foram indiciados pelos crimes. Eles seriam ex-presidiários que, na cadeia, se converteram a denominações evangélicas q agora passaram a perseguir os terreiros.

Os ataques vêm ocorrendo em muitos locais. O Babalorixá Márcio de Barú, do centro Ilé Axé Obá Inã, na Penha, relatou ataques também. Ele afirma que todas as segundas-feiras, ao iniciar cerimônias religiosas, "Jogam pedras portuguesas, ovos e legumes no telhado do barração. Tive de colocar até uma lona na parte que é aberta para proteger os frequentadores".

A região da baixada fluminense é a que têm sofrido mais ataques, com pelo menos sete casas de religiões afro-brasileiras depredadas nos últimos dois meses.

Em resposta, líderes das religiões estão organizando manifestações, como a que está marcada para domingo, 11h, na orla de Copacabana:

Também vídeos estão sendo veiculados se manifestando contra os ataques:

Esses ataques demonstram o caráter profundamente racista da perseguição às religiões de matriz africana, bem como o agravamento da violência contra os adeptos dessas religiões quando ocorre a associação de grupos evangélicos que pregam a intolerância a facções traficantes que dominam localidades do Rio.

Entre os indiciados pela polícia pelos ataques está Fernandinho Guarabu, que comanda há 13 anos o tráfico na Ilha do Governador e está a frente do TCP. Ele se auto-intitula como "traficante evangélico".

Os ataques têm ganhado maior destaque agora, mas, como lembrou a antropóloga, professora e mãe de santo Rosiane Rodrigues, pesquisadora das religiões afro-brasileiras e especializada no estudo de relações étnico-raciais em declaração para o jornal O Dia, esse tipo de violência discriminatória e racista ocorre pelo menos desde 1988, com a conivência do estado, que jamais fez nada para impedir, e o incentivo direto de diversas denominações evangélicas que pregam abertamente a discriminação contra as religiões de matriz africana.




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