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Terceiro dia de greve geral no Haiti contra o governo e a corrupção

A massiva mobilização no domingo, seguida de três dias de greve geral contra a corrupção e pela renúncia do presidente. A repressão deixou 11 manifestantes mortos.

quarta-feira 21 de novembro| Edição do dia

O Haiti está passando por um novo dia de greve nesta quarta-feira, que paralisou a capital haitiana pelo terceiro dia consecutivo, após o massivo protesto no domingo contra a corrupção, no qual um setor da oposição também exigiu a renúncia do presidente Jovenel Moise. A repressão dos protestos já custou a vida de uma dúzia de manifestantes.

A greve paralisou a capital e outras cidades do país por três dias, enquanto se espera que o presidente Jovenel Moise envie uma mensagem à nação, o que vem sendo adiado desde a noite de terça-feira.

No domingo passado, antes do início dos protestos em massa convocados a exigir que o governo esclarecesse a manipulação fraudulenta dos fundos do Petrocaribe, Moise fez um chamado ao diálogo.

Mas uma parte dos manifestantes não aceita mais nenhum diálogo e exige a renúncia de Moise. Eles acusam seu governo e seu predecessor Michel Martelly, tendo enriquecido com mais de 2 mil milhões de dólares dos fundos Petrocaribe venezuelanos e da ajuda humanitária após o terremoto de 2010, onde mais de 300 mil pessoas morreram e ao redor de um milhão e meio ficaram desabrigadas.

Na capital haitiana, as escolas estão fechadas nesta quarta-feira, quase não há transporte público e há ruas que permanecem bloqueadas, apesar da brutal repressão da polícia.

Os postos de combustíveis estão fechados e o preço da gasolina subiu mais de 30% nos últimos dias no mercado informal.

Esta situação só inflama o atual protesto. Lembre-se que em julho o primeiro-ministro já renunciou por causa dos protestos contra o aumento de combustíveis, como parte do plano exigido pelo FMI.

Os protestos no Haiti pedindo esclarecimentos sobre o manejo fraudulento dos fundos de Petrocaribe começaram em agosto, mas se radicalizaram nos últimos dias, após as massivas manifestações no domingo que culminaram na brutal repressão da polícia e 11 manifestantes mortos.

O Parlamento haitiano publicou em 2017 um relatório em que envolveu ex-funcionários do partido atualmente no poder em alegadas irregularidades no uso de fundos da Petrocaribe, mas até agora ninguém foi processado por este caso, em que eles se desviaram mais de 2 bilhões de dólares, segundo uma investigação do Senado.




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