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Terceirizados são defendidos por representante dos trabalhadores da USP no Conselho Universitário

O representante dos trabalhadores da USP, Adriano Favarin, levou a tribuna a denúncia apresentada no Conselho Diretor de Base do SINTUSP da situação de assédio e exploração que se encontram as trabalhadoras terceirizadas de distintas unidades de ensino e de administração direta da USP.

quarta-feira 14 de novembro| Edição do dia

Em sessão extraordinária do Conselho Universitário (CO) da Universidade de São Paulo (USP) realizada nesta terça-feira, 13/11/2018, para aprovar as diretrizes orçamentárias para o ano de 2019 e o Plano Plurianual de gestão, o representante dos trabalhadores da USP, Adriano Favarin, levou a tribuna a denúncia apresentada no Conselho Diretor de Base do SINTUSP da situação de assédio e exploração que se encontram as trabalhadoras terceirizadas de distintas unidades de ensino e de administração direta da USP.

Abaixo reproduzimos o conteúdo e a fala do representante dos trabalhadores, Adriano Favarin:

“A Universidade de São Paulo possui dentro de sua comunidade um exército de milhares de pessoas que são cotidianamente invisibilizadas. São os trabalhadores terceirizados, em sua maioria, composta por mulheres, negras e nordestinas.

Os gestores da administração pública tem, recorrentemente, lavado as mãos diante dos abusos e humilhações com que as empresas contratadas tratam essas trabalhadoras. Isso, quando não são os próprios gestores públicos vetores facilitadores desse assédio e opressão. São inúmeros os casos de trabalho insalubre ou periculoso sem a devida proteção e remuneração; atrasos e calotes no pagamento do salário e benefícios; assédios e perseguições.

Alguns casos escandalosos acontecem nos restaurantes da SAS, onde, diariamente, dezenas de quilos de alimento são doados ou descartados enquanto os trabalhadores terceirizados são proibidos de se alimentar da própria comida que produzem.

Ou no Instituto de Biociência, em que uma trabalhadora terceirizada foi recentemente demitida após um afastamento por motivos de saúde. Existem relatos de inúmeros casos de trabalhadores terceirizados que morrem por doenças banais, por terem medo de ir ao médico ou ter que se afastar para cuidar da saúde e terminarem sendo demitidos. Essa é a realidade de milhares de trabalhadoras negras e nordestinas, que são invisibilizadas dentro da Universidade de São Paulo.

A Faculdade de Veterinária foi matéria do Jornal do Campus, após a denúncia de redução do quadro da limpeza de 40 para 13 funcionários, em que apenas 2 mulheres são responsáveis pela limpeza diária de 43 banheiros. Realidade que se estende para todas as unidades da USP. E que, inclusive, parte do planejamento Plurianual da Reitoria pretende reduzir o quadro de segurança e controladores de acesso, colocando centenas de pais e mães de família na rua sem nenhum plano que vise a manutenção do emprego, ainda que em outra função.

Seria fundamental que os Diretores dessas Unidades se pronunciassem sobre essa situação discriminatória que ocorre em suas Unidades e, junto da Reitoria, apresentassem as políticas que estariam pensando para reverter esse quadro de semi-escravidão presente na Universidade de São Paulo.”




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